07 de Março de 2026

O que é Candida auris, fungo mortal que fechou hospital em Pernambuco


crédito: CDC/Divulga??o

A confirmação de casos de contaminação por Candida auris em Pernambuco tem colocado em estado de alerta a Secretaria Estadual de Saúde (SES-PE). A preocupação é de que o fungo, que tem alta resistência a tratamentos e pode ser fatal, se espalhe rapidamente nos ambientes de saúde em que os casos foram confirmados e cause um surto — o que fará de Pernambuco um problema de saúde pública nacional.

O cenário é preocupante pelo mapa geográfico em que os casos foram identificados: nenhum deles está no mesmo município ou até mesmo no mesmo estabelecimento de saúde. O primeiro caso, identificado em 11 de maio, está em Paulista; o segundo, descoberto em 14 de maio, em Olinda; o último, descoberto na terça-feira (23/5), foi no Recife.

No Hospital Miguel Arraes, situado em Paulista, a identificação do Candida auris em um paciente de 48 anos levou o estabelecimento a fechar as instalações para novos atendimentos na terça-feira (23/5) — apenas casos de urgência serão atendidos. O objetivo é evitar que outras pessoas sejam expostas ao fungo.

A medida é vista como essencial pela infectologista Rosana Richtmann, do Instituto Emílio Ribas. “Esse é um grande problema de saúde pública e muitas vezes, em caso de surto, os hospitais precisam fechar as portas para controlá-lo”, opina. Não é para menos: a especialista conta que a Candida auris é uma “ameaça global” por ser “muito resistente aos tratamentos” e a quase todos os medicamentos, além de propiciar doenças mais graves em pacientes hospitalizados.

É por esse motivo que mesmo um único caso identificado do fungo mobiliza as forças de saúde de todo país. O Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) dos Estados Unidos emitiu um alerta, em março deste ano, sobre uma contaminação “alarmante” do fungo nos hospitais do país. Os casos dobraram entre 2021 e foram de 756 para 1.471.

No Brasil, o fungo não havia sido registrado até 2020, quando um homem internado em uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI) de um hospital da Bahia foi contaminado. À época, uma força-tarefa nacional foi criada para conter o fungo. Na ocasião, duas pessoas morreram.

Veja abaixo o que é, os sintomas e como é a contaminação do fungo.

O fungo pertence à família Candida, Saccharomycetaceae, e é considerado o primeiro a evoluir a patógeno humano, ou seja, a ter capacidade para se instalar e permanecer no corpo humano, devido ao aquecimento global. “A diferença dele para o resto dos fungos, e por isso que ele se torna uma ameaça global, é que é uma Cândida muito mais resistente aos tratamentos, além de se disseminar muito mais fácil nos ambientes, principalmente em hospitais”, explica a infectologista Rosana Richtmann, do Instituto Emílio Ribas. Algumas cepas do fungo são resistentes às três principais classes de remédios antifúngicos, por isso é denominada de superfungo pela comunidade científica.

A primeira ocorrência do fungo em humanos foi descoberta em 2019, mas o caso ocorreu em 2009. Uma mulher japonesa foi identificada com uma doença causada por um fungo, que só foi descoberto ser o Candida auris em 2019, pelos pesquisadores Arturo Casadevali e Vincent Robert. Os cientistas afirmam que o organismo parasita dos superfungo é resultado das mudanças climáticas, que aqueceram as florestas onde o Candida auris estava e o fez se adaptar de maneira mais fácil em mamíferos: primeiro em aves, depois em humanos.

O fungo é mais identificado em ambientes de saúde, como hospitais. No Brasil, foi encontrado pela primeira vez em um cateter usado por um paciente internado na UTI de um hospital da Bahia.

O superfungo pode causar febre, calafrios, dores e até a morte do infectado, se este estiver em um dos grupos de risco (veja quais são no tópico abaixo). “Ele pode causar uma infecção disseminada, que chamamos de uma candidemia, que é uma doença muito grave com alta mortalidade. Mas pode também ter um quadro cutâneo, na pele ou respiratório, entre outras formas clínicas”, detalha Rosana.

No entanto, é possível que uma pessoa seja contaminada, mas não manifeste sintomas. Esse grupo é chamado de “colonizador”, que não sofre risco, a não ser se a imunidade for debilitada. No entanto, os colonizadores podem transmitir o fungo.

“O grupo de risco é formado por pessoas mais vulneráveis, doentes e com a saúde mais debilitada, que, em geral, estão em ambiente hospitalar ou estão nele com frequência. Quando você tem pacientes que estão hospitalizados e já tem uma doença, esse fungo é um oportunista, que acaba causando uma doença muito mais grave”, pontua Rosana.

O fungo é transmitido de pessoa a pessoa ou por contato em superfícies contaminadas, como aparelhos hospitalares. Os fluídos biológicos de pacientes infectados ou colonizados são uma das principais formas de transmissão.

A infectologista Rosana Richtmann afirma que a prevenção deve ser feita, principalmente, pelos estabelecimentos de saúde. “É preciso que os hospitais se preparem para esse tipo de ocorrência, tenha uma comissão de controle de infeccção hospitalar e crie protocolos. Além disso, a higiene do ambiente é muito importante, até mesmo a limpeza dos cateteres, de tudo que acaba precisando usar no paciente”, define.

A especialista também desaconselha o uso abusivo de antibiótico “sem necessidade”, mas que não haja maior resistência aos medicamentos do tratamento de uma possível Candida auris.

“E lógico, como cidadão comum, quanto menos a gente precisar ir para os hospitais, melhor. Então, é tentar ter a vida mais saudável possível: controlar nossa diabetes para quem tem diabetes; parar de fumar para quem é fumante; ter uma boa alimentação; não ter o colesterol alto; e ter a prática de atividade física. Tudo isso ajuda na hora que a gente precisa, eventualmente, de uma hospitalização”, conclui.

Fonte: correiobraziliense

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