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Política de reconstrução: o futuro de Gaza depois do inferno - Social Marília
25 de Abril de 2026

Política de reconstrução: o futuro de Gaza depois do inferno


Quando as bombas israelenses silenciarem na Faixa de Gaza, será a hora de revirar os escombros, sepultar mais mortos e começar a pensar o futuro de um território praticamente devastado. Mais de 10 mil instalações foram completamente destruídas e 20% da infraestrutura ficou danificada. Além do desafio da reconstrução, os palestinos precisarão fazer escolhas políticas e forjar um governo que seja aceito por todas as facções de Gaza e da Cisjordânia. 

O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, insiste na eliminação do movimento fundamentalista palestino Hamas, responsável pelo massacre de 1,2 mil pessoas em kibbutzim no sul do Estado judeu, em 7 de outubro. "Aqueles que acham que vamos parar vivem desconectados da realidade", avisou. Para Netanyahu, é impensável a existência do Hamas, responsável pelo controle de Gaza antes da guerra.

Em entrevista ao Correio, Basem Naim — chefe do Departamento Político do Hamas em Gaza e ex-ministro da Saúde no enclave — defendeu que "apenas os moradores de Gaza e os palestinos têm o direito de decidir sobre o futuro". "Ainda é cedo para falarmos sobre o tema, antes do fim da agressão à Faixa de Gaza. A decisão será exclusiva dos palestinos. Estamos prontos para fazer parte de um governo de unidade nacional, após discutirmos o assunto internamente e com outras facções." 

Garoto palestino tenta salvar pertences em meio aos escombros de prédio atingido por míssil, em Khan Yunis
Garoto palestino tenta salvar pertences em meio aos escombros de prédio atingido por míssil, em Khan Yunis (foto: AFP)

Naim acredita que a ocupação e o cerco impostos por Israel serão os principais desafios impostos à reconstrução da Faixa de Gaza. "Uma das principais condições a serem alcançadas imediatamente, tão logo a agressão termine, é o fim do cerco a Gaza, com a abertura de todos os postos fronteiriços e a permissão de entrada de material. Outro desafio será lidar com centenas de milhares de pessoas que perderam suas casas e com toda a infraestrutura destruída. Tudo isso terá que ser reconstruído", disse o líder do Hamas. 

Embaixador palestino no Brasil, Ibrahim Alzeben ressalta que a participação do Hamas e de outras facções  é estratégia suprema da Organização para a Libertação da Palestina (OLP). "Isso é a democracia. O povo palestino decidirá seu presente e seu futuro, com base no respeito aos intereses supremos da nação e de acordo com o direito internacional. Qualquer pessoa que concordar com estes dois princípios tem o direito de participar no processo democrático." Ele lembrou que o Hamas faz parte do tecido político palestino desde 1987. 

Para Alzeben, o mais importante é restaurar a esperança e a segurança, e "abrir a porta à verdadeira paz e à vida normal" em Gaza, na Cisjordânia e em Jerusalém. "Vítimas inocentes não retornarão à vida. Pagamos centenas de milhares de vítimas, enquanto buscamos a nossa soberania e os nossos direitos legítimos, na condição de um povo com seu Estado e seu patrimônio. Vamos reconstruir Gaza e restaurar a vida em suas terras, depois de terem sido contaminadas por bombas. Quando a Segunda Guerra Mundial terminou, a Europa regressou ao seu esplendor. Ainda que o processo seja oneroso, o importante é que haja vontade", acrescentou o embaixador. 

Soldados israelenses caminham por rua destruída, em meio a combates com o Hamas
Soldados israelenses caminham por rua destruída, em meio a combates com o Hamas (foto: IDF/AFP)

Na opinião de Richard Falk — professor de relações internacionais da Universidade de Princeton e ex-relator especial da ONU para a Palestina Ocupada (2008-2014) —, o futuro do controle sobre Gaza é incerto. "Se Israel prevalecer, Gaza estará pronta para ser administrada como um território dividido, com Israel no controle direto da parte norte. O sul será governado de modo indireto, por meio de uma coalizão fraca de palestinos submissos", opinou. "Se Israel não acabar com a devastação, por conta das pressões, especialmente dos EUA, uma unidade administrativa nacionalista palestina mais dedicada provavelmente governará Gaza e continuará a pressionar pela realização dos direitos palestinos, com mais intensidade."

Professor de ciência política da Universidade Bar Ilan, em Ramat Gan, o israelense Gerald Steinberg entende que os arranjos em Gaza serão complexos. Ele espera que Israel se responsabilize pela segurança e mantenha a capacidade militar, enquanto necessário, para impedir a reconstrução da "infraestrutura terrorista". "Na política, a Autoridade Palestina terá papel formal nas eleições. Gaza precisará se transformar de uma entidade corrupta do terror, com serviços sociais e econômicos baseados na dependência da ONU, em uma sociedade autossustentável."

Fonte: correiobraziliense

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