10 de Março de 2026

Animado com Trump, Milei ataca Mercosul novamente


As declarações do presidente argentino, Javier Milei, sobre uma possível saída da Argentina do Mercosul para firmar um acordo comercial com os Estados Unidos reacenderam o debate sobre o futuro do bloco sul-americano. Crítico histórico da integração regional, Milei classificou o Mercosul como uma "prisão" e reforçou a defesa de uma flexibilização nas regras para que os países possam negociar diretamente com outras nações. Especialistas concordam que o bloco precisa urgentemente de flexibilização para se adequar às demandas do comércio global.

"Estamos trabalhando fortemente na possibilidade de criar um tratado de livre comércio. De fato, a recentemente assumida presidência do Mercosul disse que deveríamos avançar para ter a independência de cada país com acordos de livre comércio. O Mercosul não pode ser um obstáculo para isso. Enquanto trabalhamos em paralelo com o governo dos EUA por um acordo de livre comércio, trabalhamos portas adentro no Mercosul para ele que não seja um impedimento", afirmou Milei, ontem, em entrevista à Bloomberg, no Fórum Econômico Mundial, em Davos, na Suíça.

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Criado em 1991, o Mercosul reúne Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai com o objetivo de promover a integração econômica e comercial na região. Contudo, os desafios do bloco aumentam, como a lentidão em negociações externas, os conflitos entre os interesses nacionais e as amarras que dificultam a flexibilização dos acordos bilaterais. Segundo os analistas, a crise atual pode servir como uma oportunidade para reformular as regras e garantir a relevância do grupo.

Arthur Pimentel, presidente do Conselho de Administração da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), defendeu uma abordagem mais flexível para o Mercosul. Segundo ele, o bloco precisa se modernizar e ampliar o número de membros. Para o diretor de Comércio Exterior da Câmara de Comércio, Indústria e Serviços do Brasil (Cisbra), Arno Gleisner, há falta de progresso desde a fundação do Mercosul. "O bloco tem patinado ao longo das décadas e não conseguiu se adaptar ao cenário geopolítico mundial. Precisamos remodelar sua estrutura para que os países membros tenham mais autonomia sem comprometer os benefícios coletivos", avaliou.

O cientista político Leonardo Paz avalia que a saída da Argentina do Mercosul seria um movimento mais simbólico do que prático. "A Argentina tem um setor produtivo fragilizado e dependente dos benefícios tributários do Mercosul. Um acordo com os EUA, sem as proteções atuais, levaria a indústria argentina a um colapso", afirmou Paz. Ele lembrou que o comércio entre Argentina e EUA representa uma fração mínima em comparação com as trocas comerciais do Mercosul, o que tornaria essa saída economicamente inviável.

Especialistas convergem na avaliação de que a saída da Argentina do bloco traria prejuízos não apenas para o país vizinho, mas também para o Brasil. O comércio entre os dois países é 10 vezes maior do que o fluxo entre Argentina e EUA. Além disso, o Mercosul é uma plataforma estratégica do Brasil para exportar manufaturas e produtos agrícolas, setores seriam impactados pelas mudanças na aliança.

 

Fonte: correiobraziliense

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