21 de Fevereiro de 2025

Estilo de vida é o principal definidor da longevidade


Mais do que os genes, exposições ambientais, incluindo o estilo de vida, são as principais causas de envelhecimento e morte prematura, segundo um estudo da Universidade de Oxford, no Reino Unido. A pesquisa, publicada na revista Nature Medicine, avaliou a influência de 164 fatores externos e do risco genético em 22 doenças associadas à longevidade em quase meio milhão de pessoas. 

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Segundo os pesquisadores, fatores ambientais — de sedentarismo a renda familiar — explicam 17% da variação no risco de morte na população avaliada. Já a predisposição genética foi responsável por menos de 2% dos casos. Tabagismo, condições socioeconômicas e de vida, além de níveis de atividade física, tiveram o maior impacto tanto na mortalidade quanto no envelhecimento biológico. 

"Embora os genes desempenhem um papel fundamental nas condições cerebrais e em alguns tipos de câncer, nossas descobertas destacam oportunidades para mitigar os riscos de doenças crônicas do pulmão, coração e fígado, que são as principais causas de incapacidade e morte em todo o mundo", disse, em nota, Cornelia van Duijn, professora de epidemiologia e autora sênior do artigo. "As exposições no início da vida são particularmente importantes, pois mostram que os fatores ambientais aceleram o envelhecimento no início da vida, mas deixam ampla oportunidade para prevenir doenças duradouras e morte precoce."

Proteínas

Os autores usaram uma medida de longevidade desenvolvida na Universidade de Oxford para monitorar a rapidez com que as pessoas estão envelhecendo, a partir de níveis de determinadas proteínas no sangue. Isso permitiu vincular exposições ambientais à mortalidade precoce. A métrica foi utilizada anteriormente para detectar mudanças relacionadas à idade em estudos do Reino Unido, da China e da Finlândia. 

A pesquisa mostra que, embora muitas das exposições individuais identificadas tenham desempenhado um pequeno papel na morte prematura, o efeito combinado desses múltiplos fatores ao longo da vida — o exposoma — explica em grande parte a variação da mortalidade antes dos 70 anos. Segundo os pesquisadores, os resultados do estudo abrem caminho para estratégias integradas para melhorar a saúde da população, identificando combinações-chave de condições ambientais associadas ao risco elevado de óbitos e doenças associadas à idade. 

Austin Argentieri, principal autor do estudo, explica que a abordagem baseada no exposoma permite quantificar as contribuições relativas do ambiente e da genética para o envelhecimento. "(Essa análise) fornece uma visão abrangente dos fatores externos e de estilo de vida que impulsionam o envelhecimento e a morte prematura", disse. 

Intervenções 

No estudo, 25 fatores não genéticos foram os que mais influenciaram o envelhecimento e o óbito antes dos 70 anos. Desses, apenas dois (etnia e altura aos 10 anos) não são modificáveis, indicando que é possível intervir precocemente.

"Nossas descobertas ressaltam os benefícios potenciais de focar intervenções em nossos ambientes, contextos socioeconômicos e comportamentos para a prevenção de muitas doenças relacionadas à idade e à mortalidade precoce." 

Dos fatores individuais, o tabagismo mostrou associação com 21 das 22 doenças avaliadas. Inclusive, a exposição intrauterina ao cigarro pode influenciar o risco de óbito prematuro de 30 a 80 anos depois, diz a pesquisa.

"O tabagismo é o fator de risco campeão, que precisamos combater da melhor forma possível e de modo agressivo. Já sabemos por diversos estudos do seu potencial danoso e o estudo atual mais uma vez nos mostra isso", comenta a médica geriatra Polianna Souza, cofundadora do canal Longidade. 

Rodrigo Bovolin, médico oncologista corresponsável pelo serviço de oncologia clínica do Hospital Sírio-Libanês em Brasília, destaca a influência do estilo de vida em diversos tipos de câncer.

"Os principais incluem tabagismo, consumo excessivo de álcool, sedentarismo, dieta pobre em nutrientes e com baixa ingestão de fibras, obesidade, exposição à poluição ambiental, estresse crônico e exposição solar sem proteção", lista o médico. 

Bovolin ressalta que campanhas preventivas focadas nesses fatores têm demonstrado sucesso na redução da incidência de alguns tipos de câncer.

"A diminuição do tabagismo ao longo das últimas décadas, por exemplo, levou a uma queda nos casos de câncer de pulmão. Intervenções para promoção de dietas ricas em fibras e incentivo à atividade física também têm mostrado impacto na redução do risco de câncer colorretal, de mama e de próstata. Da mesma forma, campanhas educativas sobre o uso de protetor solar e a redução da exposição excessiva ao sol têm contribuído para a prevenção do câncer de pele", observa o oncologista.

No estudo sobre envelhecimento e mortalidade precoce publicado na Nature Medicine, os pesquisadores da Universidade de Oxford descobriram que as condições socioeconômicas, como emprego, renda familiar e tipo de domicílio, estão associadas a 19 doenças. A falta de atividade física foi relacionada a 17 enfermidades na avaliação. "Nossa pesquisa demonstra o profundo impacto na saúde de exposições que podem ser alteradas por indivíduos ou por meio de políticas para melhorar as condições socioeconômicas, reduzir o tabagismo ou promover atividade física", reforça Cornelia van Duijn, professora de epidemiologia e autora sênior do artigo

"Sua renda, código postal e histórico não deveriam determinar suas chances de viver uma vida longa e saudável. Mas esse estudo pioneiro reforça que esta é a realidade para muitas pessoas", comenta Byran Williams, diretor científico e médico da Fundação Britânica do Coração, que não participou da pesquisa. 'Há muito tempo sabemos que fatores de risco como fumar afetam nossa saúde cardíaca e circulatória, mas a nova pesquisa enfatiza o quão grande é a oportunidade de influenciar nossas chances de desenvolver problemas de saúde, incluindo doenças cardiovasculares, e morrer prematuramente."

Para a geriatra Polianna Souza, mesmo em idades mais avançadas é possível mudar o prognóstico, com mudanças no estilo de vida. "A gente sempre pode começar atividade física, melhorar nossa alimentação, sempre é tempo de parar de fumar, de evitar consumo de álcool. Também de fazer novos amigos e ter mais convívio social", observa.

 


Fonte: correiobraziliense

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