O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, questionou o ucraniano, Volodmir Zelenski, se a Ucrânia teria capacidade de atacar Moscou e São Petersburgo, na Rússia. A resposta, segundo o jornal Financial Times, veio com um pedido." Sim, se nos derem as armas", teria dito Zelenski. O americano negou que tenha incentivado um ataque.
A conversa ocorreu durante um telefonema em 4 de julho, quando os dois líderes teriam conversado sobre envios de armamentos americanos pra Kiev, e ocorre em meio à mudança de posição sobre o conflito. Ao retornar à Casa Branca, o presidente prometeu acabar com a guerra na Ucrânia em 24 horas e chegou a demonstrar simpatia pelas reivindicações russas, mas agora se mostra furioso com Vladimir Putin.
Trump tem dito estar "decepcionado" com Putin depois das tentativas fracassadas de um acordo de paz. Sentimento que repetiu em uma entrevista com a rede britânica BBC publicada nesta terça-feira, 15. Na segunda, 14, o americano deu um ultimato ao russo, ameaçando com novas sanções caso Moscou não negocie um cessar-fogo em até 50 dias.
Segundo as fontes citadas pelo Financial Times, a estratégia de Trump agora seria fazer os russos sentirem a dor do conflito por meio de ataques mais profundos.
Questionado por jornalistas na Casa Branca sobre se Zelenski deveria atacar a capital russa, Trump respondeu: "não deveria". A porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, minimizou a publicação do Financial Times e acusou o jornal de ser conhecido por "tirar palavras de contexto".
O republicano prometeu enviar mais dos poderosos sistemas de defesa Patriot para a Ucrânia, além de mísseis e munições, por meio de uma venda intermediada por aliados da Otan, evitando assim ter que passar por aval do Congresso.
No entanto, pessoas de dentro do governo teriam dito a jornais americanos que o presidente também cogita enviar mais mísseis ATACMS de longo alcance a Kiev, além de permitir o uso dos 18 que já estão em território ucraniano. Os mísseis têm alcance de 300 Km e não seriam suficientes para atacar as duas maiores cidades russas, mas atingiriam bases militares e de suprimento dentro do país.
O que sim poderia ferir Moscou é o envio de mísseis de cruzeiro Tomahawk que, segundo as mesmas fontes, também estiveram envolvidos nas conversas entre os dois presidentes. Os Tomahawk tem um alcance de 1.600 Km e alta precisão.
Também questionado sobre a possibilidade de fornecer mísseis de longo alcance à Ucrânia, Trump declarou: "Não, não estamos buscando fazer isso".
Desde que o governo Joe Biden fez o envio dos primeiros mísseis de longo alcance, Moscou ameaça os países da Otan caso a Ucrânia utilize os armamentos contra território russo. Kiev já fez ataques a cidades fronteiriças russas e chegou a mirar Moscou com drones, sem que a ameaça se concretizasse.
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