07 de Março de 2026

O Brasil paga caro para ser líder na soja


Os problemas ambientais criados pelo modelo brasileiro de produção — como a expansão de área plantada e o uso agressivo de insumos químicos — já são bastante conhecidos. Estudo publicado pelo Instituto Escolha mostra que, além disso, o modelo é ineficiente, gerando prejuízo tanto para o meio ambiente quanto economicamente.

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A pesquisa "Brasil como líder mundial em produção de soja: até quando e a que custo?", compara números relacinados à produção de soja em 1993 e em 2023, e comprova a elevação dos custos para o produtor do grão, como o aumento do uso de insumos químicos para produzir a mesma quantidade de sacas de soja e o crescimento desproporcional do preço entre o agrotóxico e fertilizantes para a soja.

Segundo o levantamento, em 2023, o agricultor produziu menos quantidades de sacas de soja (60 kg) com a mesma quantidade de agrotóxico do produtor de 1993. Com 1 quilo dos químicos, em 1993, o agricultor produzia 23 sacas, já em 2023 a produtividade cai para apenas 7 sacas. O mesmo vale para o uso de fertilizantes, com 1 tonelada, em 1993, o trabalhador fazia 517 sacas de soja, em 2023 o número foi reduzido para 333.

Para a produtora rural, Marion Kompier, o Brasil não precisa expandir mais a área plantada de soja, basta utilizar as regiões de pastagem degradadas, que têm espaço suficiente para acolher a soja e aumentar os sistemas de irrigação para todo o Brasil. Isso seria o suficiente para aumentar a produção para abastecer o planeta.

"É como comparar com uma pessoa doente, que toma um remédio químico da farmácia, aquele remédio pode dar um efeito colateral, que a gente vai precisar tomar outro remédio para resolver aquele efeito colateral. Isso é uma bola de neve. A gente vai cada vez usando mais remédio", exemplifica.

"A margem ( de lucro ) do produtor está bem menor, porque precisamos usar cada vez mais produtos químicos e fertilizantes para tentar corrigir os desequilíbrios que nós mesmos causamos com este modelo de agricultura atual", completa.

O Brasil, segundo o levantamento, é líder mundial no uso de agrotóxicos e fertilizantes ( fósforo e potássio), o país foi responsável por 22% do volume global de agrotóxicos na agricultura. Entretanto, mesmo com um grande volume de insumos químicos, o país também se destaca pela ineficiência do uso dos mesmos por hectares de terras cultivadas (todas as culturas), entre os cinco maiores produtores de soja do mundo. (Argentina, Brasil, China, Estados Unidos e Índia), sendo o pior entre os cinco no uso de agrotóxico por hectare e o segundo pior no uso de fertilizante por hectare.

Transgênicos

De acordo com a Croplife — representante das principais empresas produtoras de sementes de soja no mundo —, a adoção de sementes transgênicas na produção de soja no Brasil é quase absoluta, representando 93% do total em 2023. A adoção dessa tecnologia prometia promover a eficiência no controle de pragas em lavouras transgênicas e a redução do uso de agrotóxico, infelizmente a promessa não foi cumprida. O estudo mostra que o volume de agrotóxicos utilizados cresce acima do volume da produção de sementes e da produção da soja. A análise de 20 anos mostra um aumento de 660% no uso de agrotóxicos, 348% na produção de sementes, e, para produção de grãos, um aumento menor, de 256%.

Segundo Marion Kompier, as cultivares geneticamente modificadas são dependentes químicas. "Elas foram produzidas para responder com produtividade quando se aplicam muitos produtos químicos. Então hoje elas não são tolerantes às pragas e doenças, as dificuldades climáticas. Elas não são apropriadas para a gente reduzir a quantidade de produtos químicos que a gente gostaria", completa.

A soma da média dos gastos com esses três insumos por hectare/ano nos empreendimentos rurais avaliados pela Conab passou de 68% (R$ 1.630/ha/ano) do total das despesas de custeio (R$2.385/ha/ano) em 2013 para 87% (R$ 3.487/ha/ano) do total das despesas de custeio (R$ 4.015/ha/ano) em 2023.

 


Fonte: correiobraziliense

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