Uma nova técnica para o tratamento de insuficiência cardíaca tem ganhado destaque na medicina mundial, com estudos produzidos nos Estados Unidos e em países da Europa. O método, conhecido como estimulação fisiológica, é mais simples que a terapia convencional e busca imitar o sistema elétrico natural do coração.
Embora promissora e mais viável economicamente, a técnica não foi tão eficiente em pacientes brasileiros, como aponta o estudo PhysioSync-HF, coordenado pelo Hospital Moinhos de Vento, apresentado no Congresso da European Society of Cardiology (ESC), nesta sexta-feira (29/08). A pesquisa, feita com apoio do Ministério da Saúde por meio do Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do Sistema Único de Saúde (Proadi-SUS), mostra que o tratamento tradicional ainda é mais seguro e eficiente para a população do país.
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“A insuficiência cardíaca é uma doença que deixa o coração mais dilatado e mais fraco”, explica o cardiologista André Zimerman, que é Head da Unidade de Ensaios Clínicos do Hospital Moinhos de Vento. O método convencional consiste no implante de um marcapasso que sincroniza os batimentos do coração nos lados direito e esquerdo. Mas, o especialista alerta que o procedimento tem um custo elevado e pode não funcionar em todos os casos.
É neste contexto que surge a estimulação fisiológica, que faz a estimulação no centro do órgão para bater de forma natural. ”Com isso, em teoria, conseguiria fazer o coração bater mais sincronizado e a um custo muito mais baixo do que o tratamento convencional. Mas, entre teoria e prática, é preciso fazer estudos robustos, principalmente na nossa população”, esclarece.
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Segundo o cardiologista, a expectativa era de que o resultado do estudo comprovasse que os procedimentos eram equivalentes no âmbito médico. “O fisiológico seria mais barato e conseguiria abranger mais pessoas no Brasil”, afirma André. Conforme o especialista, a diferença de valor entre a estimulação fisiológica e o tratamento convencional pode chegar a R$ 17 mil.
O estudo foi produzido com o foco na população brasileira e diferentes classes sociais, com uma equipe heterogênea de pacientes de todo o Brasil, que já estavam em terapia médica otimizada tanto no Sistema de Saúde Único (SUS) quanto particular.
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“A população brasileira não é representada nos estudos europeus nem nos norte-americanos. E o nosso estudo foi representativo de vários centros no Brasil. Quando a gente tava olhando os dados, encontramos algo que foi contra a tendência dos estudos internacionais”, comenta a chefe do Serviço de Cardiologia do Hospital Moinhos de Vento, Carisi Anne Polanczyk. A especialista reforça que o resultado do estudo abre um debate em escala mundial, principalmente com a apresentação no Congresso da ESC.
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