Ao menos 16 pessoas morreram após o descarrilamento na quarta-feira (3/9) do Elevador da Glória, famoso bondinho de Lisboa, em Portugal, segundo informaram serviços de emergência.
"Esta é uma das maiores tragédias humanas da nossa história recente", diz o primeiro-ministro Luís Montenegro.
Ele afirma que, de acordo com as informações mais recentes, pode confirmar que 16 pessoas morreram e cinco estão em estado crítico nos hospitais.
Entre os feridos está um brasileiro, cuja identidade não foi divulgada. Mas o ferimento foi leve e ele já recebeu alta. A informação foi confirmada à BBC News Brasil pelo cônsul-geral do Brasil em Lisboa, Alessandro Warley Candeas.
Na quarta-feira, o Ministério das Relações Exteriores do Brasil (Itamaraty), havia dito que "até o momento, não há registro de vítimas brasileiras". Em nota, o ministério prestou solidariedade ao governo e ao povo de Portugal.
As autoridades de Lisboa haviam informado anteriormente um total de 17 mortes. A BBC apurou que a autoridade de Lisboa divulgou um número errado na manhã de quinta-feira, que foi corrigido para 16 à tarde.
Mais de 20 pessoas ficaram feridas. As autoridades de Lisboa disseram que as pessoas feridas têm idades entre 24 e 65 anos — mas que há também uma criança de 3 anos, que teria tido ferimentos leves.
O acidente ocorreu às 18h15 no horário local (14h15 em Brasília), perto da Avenida da Liberdade, uma das principais de Lisboa.
Não está claro quantos dos mortos e feridos estavam no bondinho e quantos eram pedestres.
Vários feridos precisaram ser resgatados das ferragens do bondinho acidentado, mas todos os sobreviventes já foram levados para hospitais.
Uma mulher que testemunhou o acidente disse à emissora portuguesa SIC que o bonde bateu contra um edifício enquanto descia a rua íngreme "a toda velocidade".
"Ele atingiu um prédio com força brutal e desabou como uma caixa de papelão. Não parecia ter freios", contou.
Outra testemunha disse ao jornal português Observador que o veículo estava "descontrolado, sem freios".
"Todos nós começamos a correr porque achamos que (o bonde) ia bater no que estava lá embaixo", disse Teresa d'Avó.
"Mas ele caiu na curva e bateu em um prédio."
O histórico Elevador da Glória, inaugurado em 1885, liga a região da Praça dos Restauradores, no coração da capital portuguesa, ao boêmio Bairro Alto. O percurso é de 275 metros e é feito em três minutos.
Oficialmente chamado de "Ascensor da Glória", o bondinho leva 22 pessoas sentadas e 20 em pé e é um símbolo lisboeta.
Atualmente, há dois veículos em operação, segundo a Carris, empresa municipal de transporte público de Lisboa.
Assim como os outros elevadores da cidade, o bondinho é utilizado pela população local, mas também é extremamente popular entre os turistas — e, neste fim do verão na Europa, a capital portuguesa está recebendo muitos visitantes.
Ainda não há informações oficiais sobre as causas do acidente e a nacionalidade das vítimas.
Mas os serviços de emergência locais confirmam que há estrangeiros entre os mortos, além de portugueses.
O jornal português Público, um dos principais do país, diz que a causa do acidente foi o rompimento de um cabo de segurança.
Ao jornal Observador, uma testemunha disse que houve uma gritaria antes do acidente e que foi possível ver o bondinho descontrolado na ladeira, antes de bater num prédio.
De acordo com o Público, a Câmara Municipal de Lisboa ordenou a suspensão dos elevadores da Bica, Lavra e Santa Justa e inspeções imediatas.
O Legislativo municipal decretou três dias de luto na capital portuguesa.
Em maio de 2018, o Elevador da Glória já havia descarrilado, mas sem deixar vítimas.
Em comunicado após o acidente desta quarta, a Carris lamentou os acidentes e disse que "foram realizados e respeitados todos os protocolos de manutenção".
Segundo a empresa, os programas de manutenção mensal, semanal e a inspeção diária têm sido cumpridos.
"A Carris abriu de imediato um inquérito em conjunto com as Autoridades para apurar as reais causas deste acidente", encerra o comunicado.
Pedro Bogas, presidente da Carris, emitiu uma declaração à imprensa: "Temos protocolos rigorosos, excelentes profissionais há muitos anos, e precisamos entender o que aconteceu."
Em nota, o governo português disse lamentar profundamente o acidente.
"Sendo a prioridade imediata o socorro às vítimas, as autoridades competentes realizarão no devido tempo as averiguações necessárias ao apuramento das causas deste lamentável acidente", diz o comunicado.
O presidente de Portugal, Marcelo Rebelo de Sousa, manifestou "esperança" de que as autoridades esclareçam em breve as causas do incidente.
Na rede social X, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, disse que "com tristeza" ficou sabendo do descarrilamento.
"Os meus sentimentos com as famílias das vítimas", disse.
Enquanto as investigações começam e feridos são atendidos nos hospitais, três questões-chave permanecem sem resposta: quais foram as causas do acidente? Quantas pessoas estavam a bordo? Quem são os mortos?
Sobre as causas do acidente, o foco da imprensa portuguesa está no cabo que permite o funcionamento do sistema de contrapeso. Este cabo permite ao bonde subir e descer da ladeira íngreme no centro de Lisboa.
Este sistema é utilizado desde 1914. Inicialmente, funcionava com um sistema hidráulico, depois com um sistema a vapor e agora é elétrico.
Para além do foco neste cabo, há também a questão de como se deu o descarrilamento e por que o sistema de freio não foi suficiente para impedir que a carruagem descesse a ladeira.
Em relação aos mortos e suas nacionalidades, ainda não houve confirmação oficial pelas autoridades.
A imprensa portuguesa noticiou que uma família alemã estava a bordo do Elevador da Glória quando ocorreu o acidente. Pai, mãe e um menino de três anos foram resgatados. A criança teve ferimentos leves.
Inicialmente acreditava-se que o pai alemão havia morrido no acidente. Mas segundo a CNN Portugal, a família de Hamburgo conseguiu localizar o homem internado em um hospital.
O sindicato português de transportes Sitra afirma que um homem que trabalhava para a Carris, empresa que opera o elevador da Glória, morreu no acidente. Eles afirmam que André Jorge Gonçalves Marques, que operava o sistema de freio do bonde, é uma das 17 pessoas mortas no acidente de quarta-feira.
Os serviços de emergência informam que entre as vítimas estão sete homens e oito mulheres, incluindo tanto cidadãos portugueses quanto estrangeiros.
O guarda de freio André Marques é a primeira vítima oficialmente identificada. A Carris, empresa para a qual trabalhava, disse que ele era um profissional "dedicado, gentil e feliz".
A família alemã de três pessoas teria estado a bordo no momento do acidente: o pai morreu no local, a mãe permanece em estado crítico no hospital e o menino de três anos sofreu apenas ferimentos leves.
A imprensa local também noticia que um homem de cerca de 50 anos e uma mulher de cerca de 40 anos – funcionários da instituição de caridade Santa Casa da Misericórdia – estão entre os mortos.
Fonte: correiobraziliense
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