08 de Março de 2026

O que STF ainda vai julgar sobre a tentativa de golpe?


A condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro e mais sete réus nesta quinta-feira (11/9) foi apenas a primeira fase do julgamento da acusação de uma trama golpista denunciada pela Procuradoria-Geral da República (PGR).

Nesta fase, foi julgado no Supremo Tribunal Federal (STF) apenas o chamado "núcleo 1" ou "núcleo crucial" dos denunciados pela PGR. Entretanto, há mais quatro núcleos de pessoas acusadas pela trama.

Todos os réus do núcleo 1 foram condenados. Bolsonaro foi punido com pena de 27 anos e 3 meses em regime inicial fechado.

Em linhas gerais, o caminho das investigações até o julgamento neste caso é:

Em novembro de 2024, a PF indiciou 37 pessoas pela suspeita de uma tentativa de golpe. Em fevereiro deste ano, a PGR apresentou denúncia contra 34 pessoas.

O STF tornou réus 31 dos denunciados. Duas pessoas acusadas pela PGR não tiveram as denúncias aceitas pelo STF, enquanto o ex-comentarista da Jovem Pan Paulo Figueiredo ainda não teve sua denúncia analisada pela Corte, por impasses relacionados ao fato de ele morar nos Estados Unidos (leia mais abaixo).

A divisão em núcleos por tipo de atuação foi usada pela PF e depois, pela PGR.

O primeiro núcleo teve a denúncia aceita pelo STF em março.

A ação penal também tem suas etapas.

A primeira é a instrução criminal — quando são produzidas provas, incluindo documentos, depoimentos de testemunhas e eventuais perícias.

Depois, ocorre o interrogatório dos réus.

Por fim, na fase das alegações finais, a Procuradoria-Geral da República (PGR) e a defesa apresentarão seus argumentos para condenação ou absolvição.

Concluídas as três etapas, o relator desta ação penal no STF, o ministro Alexandre de Moraes, produz seu voto e libera o caso para que seja marcado o julgamento na Primeira Turma.

Para os núcleos 2, 3 e 4, a ação está na fase das alegações finais e ainda não há data marcada para julgamento.

O núcleo 2 faria o "gerenciamento das ações" ordenadas pelo núcleo crucial — direcionando forças policiais e produzindo minutas golpistas, entre outras medidas.

Uma dessas ações seria o uso de Polícia Rodoviária Federal (PRF) para dificultar a chegada de eleitores aos locais de votação em áreas em que Lula era favorito.

O delegado da PF Fernando de Sousa Oliveira, a ex-diretora de Inteligência do Ministério da Justiça Marília Ferreira de Alencar e o ex-diretor-geral da PRF Silvinei Vasques teriam trabalhado nisso.

Em abril, todos os seis denunciados viraram réus:

Este grupo, composto principalmente por militares e por um policial federal, monitoraria autoridades e faria pressão para que militares de alta patente se mobilizassem contra o sistema eleitoral e a favor de um golpe.

Alguns dos réus também teriam participado do "Planejamento Punhal Verde Amarelo" — que, segundo a PGR, tinha o objetivo de restringir a liberdade e até matar Alexandre de Moraes, o presidente eleito Lula e o vice-presidente eleito Geraldo Alckmin.

A PGR ofereceu denuncia contra 12 pessoas, mas o STF só acatou os casos de dez deles, em maio:

Foram rejeitadas as denúncias contra o coronel da reserva Cleverson Ney Magalhães, assistente do general Estevam Theophilo; e contra o general Nilton Diniz Rodrigues, assessor do então comandante do Exército, general Freire Gomes.

Em seu voto, o relator Alexandre de Moraes considerou que a acusação apenas citava o nome de Magalhães e Rodrigues, sem atribuir condutas específicas.

Este núcleo seria responsável por propagar notícias falsas sobre o processo eleitoral e realizar ataques virtuais a instituições e autoridades.

Entre os alvos desses ataques, estariam os então comandantes do Exército e da Aeronáutica, que teriam se recusado a apoiar um golpe, segundo as investigações.

Alguns dos participantes são acusados também de usar a estrutura da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) para monitorar opositores.

Todos os sete denunciados pela PGR se tornaram réus em maio:

Este núcleo tem apenas um denunciado: Paulo Renato de Oliveira Figueiredo Filho, empresário e neto do ex-presidente do período ditatorial João Figueiredo.

Segundo a denúncia da PGR, ele teria "grande capacidade de penetração no meio militar" por conta dessa ascendência.

Paulo Figueiredo, ex-comentarista da Jovem Pan, teria incitado e pressionado militares a aderir a um golpe.

De acordo com a PGR, ele integra um núcleo de forma isolada por "razões de estratégia processual".

O empresário mora nos EUA, o que dificultou a notificação sobre a acusação e o prosseguimento dos trâmites.

Como ainda não houve avaliação da denúncia da PGR contra ele, Paulo Figueiredo não é considerado réu.

O denunciado tem colaborado com Eduardo Bolsonaro, deputado federal (PL-SP) e filho de Jair Bolsonaro, na pressão sobre o governo dos Estados Unidos para que a Casa Branca apoie a campanha por uma anistia no Brasil que beneficiaria o ex-presidente e seus apoiadores.

Fonte: correiobraziliense

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