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Os obstáculos que o plano de paz de Trump para Gaza enfrenta - Social Marília
25 de Abril de 2026

Os obstáculos que o plano de paz de Trump para Gaza enfrenta


O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou na segunda-feira (29/09) um plano de 20 pontos para encerrar a guerra em Gaza. Ele chamou a proposta de "um dos maiores dias da história da civilização". Disse ainda que pode trazer "paz eterna ao Oriente Médio".

O anúncio na Casa Branca ocorreu ao lado do primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, que declarou aceitar os princípios do plano.

O plano representa uma mudança na posição do governo Trump sobre o futuro pós-guerra em Gaza e aumenta a pressão sobre Netanyahu mais do que qualquer medida aplicada por Washington neste ano para que ele aceitasse um acordo.

Se a proposta poderá se tornar realidade nas próximas semanas dependerá principalmente de uma questão central: se Netanyahu e a liderança do Hamas enxergam mais benefícios em encerrar a guerra do que em mantê-la.

A resposta do Hamas à proposta ainda não está clara. Um dirigente do grupo disse anteriormente à BBC que os termos não protegem os interesses palestinos e que o Hamas não aceitaria nenhum plano que não garantisse a retirada de Israel de Gaza.

Netanyahu, ao lado do presidente dos EUA, afirmou que Israel aceita os 20 princípios de Trump, embora um líder da extrema direita na coalizão de Netanyahu já tenha rejeitado alguns deles.

Mas aceitar apenas os princípios de Trump não significa encerrar a guerra. Embora Netanyahu refute acusações do tipo, seus adversários em Israel afirmam que ele costuma interromper acordos em negociação quando estes ameaçam sua sobrevivência política.

Nesse sentido, a proposta pode não ser suficiente para alcançar o avanço que Trump deseja. Ela ainda apresenta obstáculos importantes para as bases políticas de Israel e do Hamas, capazes de impedir a concretização de um acordo.

O plano também contém ambiguidade suficiente para que qualquer um dos lados aparente aceitá-lo, enquanto usa negociações adicionais para sabotá-lo e atribuir a culpa do fracasso ao outro.

Esse tem sido um padrão ao longo de meses de negociações. Caso se repita, fica claro que a posição do governo Trump será a favor de Israel.

Trump deixou claro a Netanyahu, na segunda-feira, que, se o Hamas não aceitasse a proposta, teria o "apoio total dos Estados Unidos para fazer o que fosse necessário".

Embora Trump tenha apresentado o plano como um acordo, ele funciona na prática como uma estrutura para novas negociações — ou, como afirmou, uma série de "princípios". Isso está longe de ser o tipo de plano detalhado que precisaria ser acordado para pôr fim à guerra.

O plano se assemelha à "estrutura" anunciada pelo antecessor de Trump, o então presidente Joe Biden, em maio de 2024, que buscava um cessar-fogo gradual e um acordo para encerrar a guerra. Naquele caso, foram necessários mais oito meses até que Israel e o Hamas implementassem a trégua e a troca de reféns e prisioneiros.

Trump busca um acordo de paz "completo", mas isso exige trabalho detalhado para mapear linhas de retirada israelense, detalhes específicos sobre a libertação de reféns, identidade dos prisioneiros palestinos a serem liberados e regras específicas para a governança pós-guerra, entre outras questões.

Nenhuma dessas questões está detalhada em seu plano de 20 pontos, todas com potencial de inviabilizar um acordo de paz.

Essa estrutura se baseia em propostas anteriores, incluindo o plano franco-saudita de julho, e no trabalho recente do ex-primeiro-ministro britânico Tony Blair, que integraria o "Conselho da Paz" presidido por Trump para supervisionar temporariamente a administração de Gaza.

Blair afirmou que o plano é "a melhor chance de acabar com dois anos de guerra, miséria e sofrimento".

O documento foi elaborado por Steve Witkoff, enviado de Trump, e Jared Kushner, genro de Trump, após conversas com Israel, países europeus e árabes, incluindo os mediadores Catar e Egito. O documento prevê o fim dos combates, a retirada limitada das forças israelenses e a libertação, pelo Hamas, de todos os reféns restantes, seguida da soltura de centenas de prisioneiros palestinos detidos por Israel.

O plano prevê ainda a criação de uma administração local e tecnocrática em Gaza para gerenciar os serviços diários, sob supervisão do "Conselho da Paz", com sede no Egito.

Os membros remanescentes do Hamas que "se comprometerem com a coexistência pacífica" e desmantelarem suas armas receberão anistia, enquanto os demais serão exilados. Uma força internacional de "estabilização", formada pelos EUA e por países árabes, assumiria a segurança em Gaza, garantindo a desmilitarização das facções armadas palestinas.

A criação de um Estado palestino é mencionada de forma vaga. O plano sugere que, se a Autoridade Palestina, sediada em Ramallah, for reformada, as condições "podem finalmente estar reunidas para um caminho confiável rumo à autodeterminação e à criação de um Estado palestino".

Os países árabes consideram as propostas de Trump um avanço significativo, em parte porque rejeitaram seu plano "Riviera" de fevereiro para Gaza, que previa o deslocamento forçado de palestinos.

O documento menciona ao menos a possibilidade de criação de um Estado palestino, ainda que sem compromisso formal com isso.

O plano dos EUA afirma que "Israel não ocupará nem anexará Gaza", sem incluir promessa semelhante para a Cisjordânia ocupada. A cláusula é considerada vital pelos países árabes, embora seja contradita por outra cláusula do plano, que permite que Israel mantenha suas forças no "perímetro de segurança" de Gaza.

Do lado israelense, Netanyahu diz que toda a estrutura está alinhada com seus objetivos para encerrar a guerra: desarmamento do Hamas, desmilitarização de Gaza e nenhum futuro Estado palestino estabelecido.

Mas ainda não está claro se as cláusulas sobre desarmamento e Estado palestino serão aceitas por partes de seu governo, ou se ele poderá usar essa pressão para adicionar ou "refinar" cláusulas.

O desfecho depende agora da resposta do Hamas.

Como escreveu o jornalista da BBC Rushdi Abu Alouf, o Hamas pode adotar mais um momento de "sim, mas", aparentando aceitar as propostas enquanto solicita esclarecimentos. Assim, o mesmo risco ocupacional se aplica à Casa Branca e aos autores de estruturas e princípios anteriores para o fim da guerra.

Em outro momento relevante do dia, pouco antes do anúncio conjunto, Trump fez com que Netanyahu pedisse desculpas ao Catar.

O pedido de desculpas se referia ao ataque aéreo de Israel contra a liderança do Hamas em Doha, no início do mês. Com isso, o Catar deve poder retomar o papel de mediador entre Israel e Hamas.

Nas horas que antecederam o encontro entre Trump e Netanyahu, bombardeios e ataques aéreos israelenses se intensificaram na Cidade de Gaza, onde as Forças de Defesa de Israel (IDF, na sigla em inglês) mobilizaram a terceira divisão blindada. A intensificação dos ataques israelenses faz parte do plano declarado por Israel de pressionar o Hamas, mas causou mais destruição entre civis.

O restante do mundo condenou as ações israelenses. Enquanto isso, o comandante do Hamas em Gaza, Ez al-Din al-Haddad, está se preparando para o que um comandante de campo do Hamas descreveu à BBC como uma "batalha final e decisiva" envolvendo cerca de 5 mil combatentes.

Países europeus e árabes, liderados por França e Arábia Saudita, passaram o verão tentando retomar a via diplomática, consternados com as ações de Israel em solo. Isso aumentou a sensação de isolamento internacional do país, com Netanyahu ainda sob ameaça de um mandado de prisão internacional do Tribunal Penal Internacional (ICC, na sigla em inglês) por supostos crimes de guerra em Gaza.

Os europeus viam o conflito saindo do controle, com os extremos de ambos os lados fortalecidos, e acreditavam poder apelar aos moderados restantes para uma solução de dois Estados — o futuro compartilhado de longo prazo desejado para israelenses e palestinos.

Embora isso não esteja explicitamente no plano, consideraram fundamental ter Trump a bordo com uma proposta moderada para Gaza.

A estrutura dos EUA deve reorientar o processo de negociação, mas provavelmente ainda serão necessárias muitas semanas ou mais de trabalho intenso para que se aproxime do que Trump afirma ser possível: o fim total da guerra.

Fonte: correiobraziliense

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