Lima — O mieloma múltiplo, um câncer que afeta as células da medula óssea responsáveis pela produção de anticorpos, tem avançado de forma silenciosa e preocupa especialistas em todo o mundo. Segundo estimativas internacionais, o número de novos casos deve ultrapassar 300 mil por ano até 2045, o que reforça sua posição como o segundo câncer sanguíneo mais frequente.
Esse tipo de câncer representa cerca de 10% das neoplasias hematológicas e afeta principalmente pessoas acima dos 60 anos. A incidência é uma vez e meio maior em homens do que em mulheres. Nos últimos 30 anos, tanto o número de diagnósticos quanto as mortes relacionadas à doença dobraram, com impacto maior em países de baixa e média renda.
Na América Latina, a situação é ainda mais desafiadora. A falta de informação sobre a doença, a dificuldade de acesso a exames especializados e a escassez de hematologistas resultam em diagnósticos tardios. No Brasil, foram registrados 5.767 novos casos anuais nas estimativas mais recentes, seguidos de México (3.446), Colômbia (1.302) e Argentina (1.059). Em muitas situações, pacientes passam meses ou anos recebendo apenas tratamentos para sintomas como dores, anemia ou fadiga antes de serem encaminhados para investigação adequada.
"O desafio é ampliar o acesso a diagnóstico e tratamento. Sem isso, o avanço silencioso do mieloma múltiplo continuará custando vidas que poderiam ser salvas com cuidado especializado oportuno", disse Teodoro Muñiz, líder de Hematologia da Pfizer no México, durante o seminário educativo latino-americano de oncologia, realizado na semana passada, no Peru. "O diagnóstico precoce é a prioridade", completa.
O mieloma múltiplo costuma se manifestar de forma discreta no início, o que retarda a detecção. Quando os sintomas surgem, já podem incluir dor óssea intensa na coluna ou costelas, fraturas frequentes devido ao enfraquecimento dos ossos, anemia, infecções recorrentes e complicações renais. Em estágios avançados, pode causar confusão mental e desidratação, provocadas pelo excesso de cálcio no sangue.
Apesar das dificuldades, o diagnóstico é possível com exames de sangue e urina, avaliação da medula óssea e métodos de imagem como ressonância magnética e tomografia computadorizada. Quando identificado precocemente, o tratamento pode aumentar significativamente a sobrevida e a qualidade de vida dos pacientes. As principais opções terapêuticas incluem quimioterapia, corticosteroides, transplante de medula óssea e imunoterapia, que fortalece o sistema imunológico para combater as células doentes.
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