07 de Março de 2026

União Europeia anuncia nova meta ambiental


Menos de uma semana antes do início da COP30, em Belém, a União Europeia (UE) anunciou nessa quarta-feira (5/11) o compromisso de reduzir as emissões de gases do efeito estufa em 90% até 2040, após uma série de concessões para convencer os países ainda hesitantes. Depois de longas negociações em Bruxelas, na Bélgica, o bloco definiu também que as nações podem abater até 10% da meta estabelecida por meio de créditos de carbono.

Os países da UE também formalizaram uma meta intermediária de redução das emissões até 2035, que deve ser apresentada nas negociações climáticas da Organização das Nações Unidas (ONU), fixada entre 66,25% e 72,5%. A União Europeia é o quarto maior emissor do mundo, atrás somente de China, Estados Unidos e Índia. Mas o bloco tem se comprometido em adotar ações contra as mudanças climáticas e já reduziu a liberação de gases do efeito estufa em 37%, em comparação com os níveis de 1990.

Para o climatologista Jose Antonio Marengo, coordenador geral do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), a decisão da União Europeia foi acertada, mas veio tarde. "A ideia era que todo mundo cumprisse o Acordo de Paris, mas, agora, com vistas a 2040, os eventos climáticos extremos vão continuar aumentando. Dá para parabenizar, mas realmente eles deveriam se esforçar para se adequar a essas novas metas antes de 2040."

Para convencer os membros mais resistentes, como a Itália, várias medidas de "flexibilidade" foram abordadas. Os europeus poderão comprar 5% de créditos de carbono internacionais para financiar projetos fora do continente, um arranjo muito criticado por organizações ambientalistas. Além disso, existe a possibilidade de 5% de créditos adicionais na próxima revisão do acordo.

Os 27 países do bloco também apoiaram adiar por um ano, de 2027 para 2028, a extensão do mercado de carbono no transporte rodoviário e nos sistemas de climatização dos edifícios. Esse pedido foi feito por Hungria e Polônia. Os Estados-membros também aprovaram uma cláusula para revisar a lei do clima a cada dois anos, o que permitiria ajustar a meta.

Segundo Marco Moraes, divulgador científico e autor do livro Planeta Hostil, os compromissos da UE são significativos, porém há questões pouco esclarecidas. "Primeiro, a União Europeia é uma grande exportadora de petróleo e derivados, e as emissões resultantes da queima desses produtos não entram na conta da UE, mas deveriam." Em seguida, o especialista questionou a transferência de empresas poluidoras para países de fora do território europeu, o que poderia ser uma forma de driblar a contagem de liberação de gases do efeito estufa.

Ainda ontem, os presidentes da COP29 e da COP30, o azerbaijano Mujtar Babaiev e o brasileiro André Corrêa do Lago, afirmaram que o mundo tem "as ferramentas" necessárias para fornecer US$ 1,3 trilhão (R$ 7 trilhões) em financiamento climático aos países vulneráveis. Segundo eles, em um momento em que os orçamentos estão apertados em todo o mundo, "temos consciência de que essa jornada começa em um período de turbulências". 

Longe do ideal

Mundialmente, a emissão de gases do efeito estufa aumentou 2,3% em 2024 na comparação com o ano anterior, segundo novos dados da ONU, publicados recentemente. Os cientistas concordam que superar um aumento de 1,5°C em relação aos níveis pré-industriais terá consequências catastróficas e que é necessário fazer todo o possível para evitar a alta da temperatura.

Segundo um relatório do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), o mundo ultrapassará nos próximos anos esse limite de aumento de temperatura, seguindo a tendência do recorde de liberação de gases de 2024. "Nossa missão é simples, mas não é fácil: fazer com que qualquer excesso de emissões seja o menor e mais breve possível", declarou o secretário-geral da ONU, António Guterres, durante a apresentação do relatório, na terça-feira.

A ONU faz um apelo aos países mais poluentes, principais responsáveis pela crise, solicitando que assumam um compromisso com reduções mais rápidas e significativas, para que a curva de aumento volte a se aproximar de 1,5°C até o fim deste século. "A ambição e a ação estão muito abaixo dos níveis necessários em escala mundial ou coletiva", disse à AFP Anne Olhoff, redatora científica chefe do relatório. O estudo revelou ainda que, mesmo se os objetivos já aprovados globalmente fossem aplicados totalmente, o aquecimento seria de entre 2,3°C e 2,5°C até 2100.

Fenômenos extremos

Conforme a publicação, as consequências desse cenário seriam desastrosas para os países mais suscetíveis ao aumento do nível do mar e aos fenômenos ambientais extremos. Os cientistas frisaram que um aquecimento superior a 1,5°C aumenta a intensidade dos furacões, das inundações e de outros desastres naturais.

Com 1,4°C acima dos níveis pré-industriais, a Terra já está quente demais para a sobrevivência da maioria dos recifes de coral tropicais. Além disso, as camadas de gelo e a floresta amazônica podem sofrer mudanças graves e duradouras, com consequências que afetam todo o planeta.

O recorde de 2024, com um aumento de 2,3% das emissões mundiais, foi impulsionado pela Índia, seguida por China, Rússia e Indonésia. Para os autores do relatório, é aumento bastante expressivo em comparação com os últimos anos "e semelhante ao crescimento das emissões registrado na década de 2000".

As nações mais ricas do G20 representaram 75% das emissões globais. Entre os seis maiores poluidores, os países da União Europeia foram os únicos que reduziram as emissões de gases do efeito estufa em 2024.

 

Há algum ponto positivo na autorização para utilizar créditos de carbono?

Na contramão da tendência mundial, o Brasil registrou em 2024 sua maior redução anual nas emissões de gases de efeito estufa desde 2009, segundo dados divulgados. As emissões brutas do país que sediará a COP30 em poucos dias diminuíram 16,7% em relação ao ano anterior, calculou o Observatório do Clima. 

"Os novos dados mostram o impacto da retomada do controle de desmatamento pelo governo federal em seguida ao descontrole deliberado entre 2019 e 2022", afirmou o Observatório em nota à imprensa. Desde a posse do novo governo, em 2023, a destruição florestal diminuiu na Amazônia Legal. Caiu 11% entre agosto de 2024 e julho de 2025, segundo dados oficiais divulgados recentemente.

Mais emissões

Apesar dessas reduções, "os dados da economia brasileira em 2025 (...) não permitem fazer projeções otimistas" sobre o cumprimento das metas de redução de emissões do país neste ano", advertiu o Observatório. Embora reconheçam os avanços no combate ao desmatamento, organizações ambientalistas criticam o leve aumento das emissões do setor agropecuário e da geração de energia no país.

A indústria petroleira também tem representado um desafio para o cumprimento de metas ambientais. Em outubro, a Petrobras iniciou perfurações em águas profundas do Amapá, a 500 km da foz do rio Amazonas e a 175 km da costa, na Margem Equatorial, após receber a autorização do Ibama.

Fonte: correiobraziliense

Participe do nosso grupo no whatsapp clicando nesse link

Participe do nosso canal no telegram clicando nesse link

Assine nossa newsletter
Publicidade - OTZAds
Whats

Utilizamos cookies próprios e de terceiros para o correto funcionamento e visualização do site pelo utilizador, bem como para a recolha de estatísticas sobre a sua utilização.