Como o controle da obesidade se insere, hoje, na prevenção da demência?
A obesidade, por ser um fator de risco modificável, ocupa lugar central nas discussões sobre prevenção de doenças crônicas e neurodegenerativas, como o Alzheimer. Diferentemente de fatores genéticos ou da idade, que não podem ser alterados, o excesso de peso pode ser enfrentado por meio de estratégias coletivas e individuais. Nesse sentido, tanto as políticas públicas quanto as ações familiares devem convergir para criar ambientes que favoreçam escolhas saudáveis e sustentáveis ao longo da vida. No campo das políticas públicas, a prioridade deveria ser a promoção de hábitos alimentares equilibrados e o incentivo à prática regular de atividade física. Além disso, é fundamental garantir acesso a alimentos de qualidade, reduzindo a oferta de ultraprocessados e ampliando programas de segurança alimentar. Outro ponto essencial é o acompanhamento médico preventivo: políticas que facilitem o rastreamento de obesidade, hipertensão e diabetes em unidades básicas de saúde podem antecipar intervenções e reduzir complicações futuras. Dessa forma, o combate à obesidade não se restringe ao indivíduo, mas se torna uma responsabilidade coletiva, com impacto direto na redução do risco de Alzheimer. Para os indivíduos, as principais orientações da ABRAz incluem manter peso adequado, adotar alimentação equilibrada, praticar atividade física e controlar comorbidades como hipertensão e diabetes. Já os cuidadores devem observar sinais de alerta — como esquecimentos frequentes, dificuldade em tarefas simples e mudanças de humor — e garantir acompanhamento médico precoce.
Norberto Frota, neurologista, diretor científico da Associação Brasileira de Alzheimer (ABRAz)
Fonte: correiobraziliense
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