13 de Março de 2026

Mapa bíblico errado mudou a compreensão das fronteiras, aponta estudo


Considerado “um dos maiores fracassos e triunfos da indústria editorial”, segundo Nathan MacDonald, professor de Interpretação do Antigo Testamento na Universidade de Cambridge, o livro trazia um mapa da Terra Santa feito pelo pintor renascentista Lucas Cranach, o Velho, mas com um erro grotesco: o mapa foi impresso ao contrário. 

A ilustração de 1525 mostrava o Mar Mediterrâneo a leste da Palestina, em vez de no lado oeste. No entanto, explica MacDonald ao jornal Daily Mail, o conhecimento dos europeus sobre o Oriente Médio era tão pouco que ninguém parece ter percebido o erro. 

Apesar de cheio de erros e sem qualquer rigor técnico, os atlas das bíblias tiveram o papel de popularizar os mapas, que já existiam desde 1480, mas eram itens de luxo.

Mapa impresso no Antigo Testamento, de Christopher Froschauer, em 1525
Mapa impresso no Antigo Testamento, de Christopher Froschauer, em 1525 (foto: Divulgação/Universidade de Cambridge)

O mapa do Antigo Testamento de Christopher Froschauer mostra a Terra Santa dividida em 12 territórios, as chamadas Tribos de Israel. Além do território, as imagens levavam os leitores pelo caminho de peregrinação pelo deserto do Egito até a terra sagrada. 

As divisões territoriais refletiam não fronteiras políticas, mas ideais religiosos da época. Ainda assim, MacDonald conta que esses mapas mudaram a forma como as pessoas entendiam as representações. “À medida que mais e mais pessoas tiveram acesso à Bíblia a partir do século XVII, esses mapas disseminaram uma noção de como o mundo deveria ser organizado e qual era o seu lugar nele. Isso continua sendo extremamente influente”, explica o pesquisador. 

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Mas essa relação entre soberania política e fé também é motivo de preocupação. Para o especialista, é necessário ter atenção quando um povo afirma que sua forma de organizar a sociedade é fundada na religião. “Essas afirmações frequentemente simplificam e deturpam textos antigos que fazem diferentes tipos de reivindicações ideológicas em contextos políticos muito distintos”, conclui.

 

Fonte: correiobraziliense

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