Considerado “um dos maiores fracassos e triunfos da indústria editorial”, segundo Nathan MacDonald, professor de Interpretação do Antigo Testamento na Universidade de Cambridge, o livro trazia um mapa da Terra Santa feito pelo pintor renascentista Lucas Cranach, o Velho, mas com um erro grotesco: o mapa foi impresso ao contrário.
A ilustração de 1525 mostrava o Mar Mediterrâneo a leste da Palestina, em vez de no lado oeste. No entanto, explica MacDonald ao jornal Daily Mail, o conhecimento dos europeus sobre o Oriente Médio era tão pouco que ninguém parece ter percebido o erro.
Apesar de cheio de erros e sem qualquer rigor técnico, os atlas das bíblias tiveram o papel de popularizar os mapas, que já existiam desde 1480, mas eram itens de luxo.
O mapa do Antigo Testamento de Christopher Froschauer mostra a Terra Santa dividida em 12 territórios, as chamadas Tribos de Israel. Além do território, as imagens levavam os leitores pelo caminho de peregrinação pelo deserto do Egito até a terra sagrada.
As divisões territoriais refletiam não fronteiras políticas, mas ideais religiosos da época. Ainda assim, MacDonald conta que esses mapas mudaram a forma como as pessoas entendiam as representações. “À medida que mais e mais pessoas tiveram acesso à Bíblia a partir do século XVII, esses mapas disseminaram uma noção de como o mundo deveria ser organizado e qual era o seu lugar nele. Isso continua sendo extremamente influente”, explica o pesquisador.
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Mas essa relação entre soberania política e fé também é motivo de preocupação. Para o especialista, é necessário ter atenção quando um povo afirma que sua forma de organizar a sociedade é fundada na religião. “Essas afirmações frequentemente simplificam e deturpam textos antigos que fazem diferentes tipos de reivindicações ideológicas em contextos políticos muito distintos”, conclui.
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