09 de Março de 2026

Guarda Costeira dos EUA intercepta petroleiro perto da Venezuela


Pela segunda vez em menos de duas semanas, os Estados Unidos interceptaram mais um petroleiro nas costas da Venezuela. As primeiras informações eram de que a embarcação, de bandeira do Panamá, transportava petróleo cru para a Ásia. A intercepção ocorreu quatro dias depois de o presidente Donald Trump anunciar um "bloqueio total e completo a todos os petroleiros sancionados que entram e saem da Venezuela".

De acordo com o jornal The New York Times, o petroleiro abordado por homens da Guarda Costeira, neste sábado (20/12), não estaria na lista de navios sancionados pelo Departamento do Tesouro. Fontes da indústria petrolífera venezuelana sustentam que o petroleiro pertenceria a uma empresa chinesa que comercializa petróleo, a qual teria uma longa história de transportar petróleo venezuelano para a China.

O incidente, somado a declarações da véspera do secretário de Estado americano, eleva a tensão no Mar do Sul do Caribe e na América Latina. Na sexta-feira (19/12), Marco Rubio disse que o status quo atual com o regime venezuelano é "intolerável" para os Estados Unidos. Neste sábado (20), a secretária de Segurança Interna, Kristi Noem, confirmou a nova interceptação. "Os EUA continuarão a perseguir o movimento ilícito de petróleo sancionado usado para financiar o narcoterrorismo na região. Nós acharemos vocês, e nós os deteremos", avisou.

"Frota obscura"

Para o analista político Pedro Mario Burelli, ex-diretor da estatal venezuelana de petróleo PDVSA, o que ocorre com os navios petroleiros sancionados não é um bloqueio. "Trata-se de embarcações que transportam barris de petróleo para a China. O problema é que, para traficarem o produto, elas violam todas as normas marítimas internacionais, e utilizam bandeiras ilegais, não usam transponders (localizadores) e tratam de mudar suas posições. Fazem parte de uma frota obscura, secreta, encarregada de ajudar os países sancionados — Rússia, Irã e Venezuela — a escapar dessas sanções", explicou ao Correio.

"O que os Estados Unidos estão fazendo é garantir o cumprimento das sanções. Não o fizeram antes, o que me parece surpreendente. O objetivo dos EUA é cortar a cabeça da estrutura que usurpa o poder na Venezuela — de um grupo narcoterrorista. É óbvio que o objetivo dos EUA é uma mudança de regime."

Burelli não acredita em uma invasão terrestre à Venezuela. "O presidente Donald Trump deixou isso bem claro. Segundo a doutrina militar, os Estados Unidos querem mostrar que possuem a maior força armada do mundo e que estão dispostos a utilizá-la para defender seus interesses", disse o ex-diretor da PDVSA. "Trump planeja a saída de Nicolás Maduro e de seus lugares-tenentes mais importantes.

Yon Goicoechea, advogado, especialista em direito energético e membro da oposição a Maduro, concorda que o bloqueio naval anunciado por Trump tem o objetivo de intensificar a pressão para que o regime de Nicolás Maduro negocie sua saída do poder. "Não sei se os americanos estão dispostos a realizar ações militares dentro do território venezuelano. Até acho que, sim, mas prefeririam que houvesse uma negociação para que Maduro saia de forma pacífica", disse ao Correio o vencedor do Prêmio Sakharov para a Liberdade do Pensamento, em 2017.

Goicoechea acredita que os EUA tentam evitar uma invasão à Venezuela. "Há sinais de que, se essa pressão não funcionar, Trump poderá colocar seus soldados na Venezuela", observou. Ele alertou que a economia venezuelana está fragilizada, com uma escalada inflacionária desde 2024. O analista não descarta que o bloqueio naval leve a uma escassez de alimentos no país, o que pode intensificar a pressão sobre Maduro. 

Fonte: correiobraziliense

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