07 de Março de 2026

Bombardeio russo deixa Kiev sem calefação no inverno


Metade dos prédios residenciais de Kiev ficou sem calefação nesta sexta-feira (9), após uma noite de intensos ataques russos que deixaram pelo menos quatro mortos e durante os quais, pela segunda vez desde o início da guerra, Moscou lançou um míssil hipersônico Oreshnik. 

O prefeito de Kiev, Vitali Klitschko, pediu aos moradores em condições de fazê-lo que deixassem temporariamente a cidade e buscassem abrigo aquecido nas redondezas.

"Metade dos prédios residenciais de Kiev — quase 6.000 — está atualmente sem calefação devido aos danos à infraestrutura crítica da capital causados por um intenso ataque do inimigo", disse Klitschko nas redes sociais. 

A capital ucraniana registrou cerca de -8°C nesta sexta-feira, e a temperatura continuava caindo. 

A empresa privada de eletricidade DTEK informou que 417.000 residências em Kiev estavam sem energia. 

Cerca de 40 prédios foram danificados nos ataques russos, incluindo 20 residenciais e a embaixada do Catar na capital, segundo o presidente ucraniano, Volodimir Zelensky. A polícia relatou quatro mortos e 24 feridos. 

Moscou bombardeou Kiev poucas horas depois de rejeitar um plano europeu para enviar uma força multinacional à Ucrânia após um possível fim da guerra.

A Ucrânia e seus aliados, empenhados em pôr fim ao conflito que se aproxima do seu quarto ano, estabeleceram nesta semana que a Europa enviará tropas para o território ucraniano após um eventual cessar-fogo. 

Mas Moscou, que lançou a invasão em fevereiro de 2022, em parte para impedir a entrada da Ucrânia na Otan, rejeitou repetidamente a ideia de forças ocidentais enviadas ao país e afirmou, na quinta-feira, que tais tropas seriam consideradas "alvos militares legítimos".

Enquanto a diplomacia tenta fazer a sua parte, Moscou prossegue com ataques diários contra a Ucrânia em meio às temperaturas congelantes do inverno. 

O Ministério da Defesa russo alegou ter usado um míssil hipersônico Oreshnik, com capacidade nuclear, contra "alvos estratégicos" na madrugada desta sexta-feira, em resposta a um suposto ataque com drone em dezembro contra uma residência do presidente Vladimir Putin, o qual a Ucrânia nega. 

A Rússia já havia usado um míssil semelhante, com ogiva convencional, contra a Ucrânia no final de 2024. 

Moscou não forneceu mais detalhes sobre o ataque, mas as autoridades ucranianas afirmaram que uma "instalação de infraestrutura" foi atingida pelo míssil perto da cidade de Lviv, no oeste do país.

Zelensky exigiu uma "resposta clara" da comunidade internacional ao ataque, que "ocorreu justamente quando uma forte onda de frio atingiu o país". 

O ministro das Relações Exteriores da Ucrânia, Andriy Sibiga, descreveu o ataque hipersônico como uma ameaça à Europa e um "teste" para os aliados de Kiev. 

"Um ataque desse tipo perto da fronteira da UE e da Otan representa uma séria ameaça à segurança do continente europeu e um teste para a comunidade transatlântica. Exigimos respostas firmes", disse nas redes sociais. 

A chefe da diplomacia europeia, Kaja Kallas, afirmou nesta sexta-feira que o lançamento do míssil hipersônico é um sinal "claro" de uma "escalada" no conflito. 

A Força Aérea ucraniana declarou que os russos lançaram 36 mísseis e 242 drones de vários tipos, e acrescentou que seus sistemas de defesa aérea derrubaram 226 veículos aéreos não tripulados e 18 projéteis. 

Do outro lado da fronteira, o governador da região russa de Belgorod informou que mais de meio milhão de pessoas ficaram sem eletricidade ou calefação após um ataque ucraniano a instalações de serviços públicos. 

Quase 200 mil pessoas também ficaram sem água, acrescentou o governador Vyacheslav Gladkov.

Esta última onda de ataques russos ocorre depois de a Embaixada dos Estados Unidos em Kiev ter alertado, na quinta-feira, que um "ataque aéreo potencialmente significativo" poderia ocorrer a qualquer momento nos próximos dias. 

A Ucrânia continua lutando para restabelecer a calefação e o abastecimento de água a centenas de milhares de casas após os ataques russos desta semana a instalações de energia nas regiões de Dnipropetrovsk e Zaporizhzhia. 

Embora Zelensky tenha afirmado que o acordo entre Kiev e Washington sobre as garantias de segurança dos EUA estava "praticamente pronto para ser concluído", o chanceler alemão Friedrich Merz reconheceu que um acordo de cessar-fogo ainda estava "muito longe", dada a posição da Rússia.

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Fonte: correiobraziliense

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