A Venezuela novamente entrou no radar da política externa dos Estados Unidos. O governo Trump ampliou sanções, elevou o tom contra Caracas e pressionou países que mantêm relações comerciais com o regime venezuelano. A postura reforçou tensões regionais e reacendeu temores de instabilidade política e econômica, além de impactos diretos sobre a crise migratória no continente.
Em abril de 2025, Trump anunciou tarifas sobre produtos brasileiros, alegando desequilíbrios comerciais e ameaças à indústria americana. Meses depois, o percentual foi ampliado, provocando reação do governo brasileiro e levando o caso a instâncias internacionais. O episódio marcou um dos momentos mais delicados da relação bilateral recente entre Brasil e Estados Unidos.
No início de 2026, o segundo mandato de Trump atingiu um novo patamar de choque geopolítico quando forças militares americanas lançaram uma operação em Caracas que resultou na captura do presidente venezuelano Nicolás Maduro e de sua esposa, Cilia Flores, acusados pelo republicano de narcoterrorismo e tráfico internacional de drogas que vinham sendo ventiladas por autoridades dos EUA desde 2020.
A dupla foi retirada à força da Venezuela e levada para Nova York, onde enfrentou acusação formal em tribunal federal no Distrito Sul de Nova York, declarando-se inocente de todas as acusações; o episódio desencadeou uma crise diplomática regional e levantou debates internacionais sobre soberania, legalidade e os rumos da política externa americana na América Latina.
O interesse de Trump pela Groenlândia, território autônomo ligado à Dinamarca, voltou ao debate internacional. Declarações sobre a importância estratégica da ilha e ameaças indiretas de pressão econômica provocaram reação imediata da União Europeia e da OTAN. O episódio evidenciou a disposição do governo americano de tensionar alianças históricas em nome de objetivos geopolíticos.
Internamente, as feridas deixadas pelo ataque ao Capitólio, em 6 de janeiro de 2021, continuam abertas. Também em janeiro de 2026, Trump passou a apoiar iniciativas que recontam sua versão dos acontecimentos, incluindo um site dedicado ao episódio. Para críticos, a narrativa reforça a polarização política e tensiona a democracia americana.
As decisões do Trump II também afetaram os mercados internacionais. Tarifas, discursos imprevisíveis e conflitos diplomáticos ampliaram a volatilidade econômica global. Enquanto a União Europeia assinava um acordo de livre comércio com o Mercosul, o norte-americano anunciou um novo tarifaço. desta vez, as taxas foram impostas a países contrários a decisão dele de anexar a Groenlândia aos EUA.
A Colômbia também entrou no radar do governo Trump ao longo do segundo mandato. Declarações do presidente passaram a associar o país diretamente ao avanço do narcotráfico e ao aumento do fluxo migratório em direção aos Estados Unidos, abrindo espaço para ameaças veladas de sanções econômicas, revisão de acordos de cooperação e endurecimento da política antidrogas.
O discurso marcou um distanciamento da histórica parceria entre Washington e Bogotá e gerou reações do governo colombiano, que alertou para riscos à estabilidade regional e ao combate conjunto ao crime organizado, além de temores de que a retórica americana pudesse justificar intervenções mais duras na região.
Ao completar um ano do segundo mandato, Trump governa um país dividido e projeta instabilidade para o mundo. O presidente, que prometeu restaurar o sonho americano, consolida, na prática, um governo que amplia tensões, isola aliados e transforma a política externa dos Estados Unidos em um fator permanente de incerteza para América Latina, Europa e o equilíbrio global.
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