07 de Março de 2026

Estudo liga Covid, dor e saúde mental em pacientes reumáticos


Os resultados foram publicados na revista científica na revista Advances in Rheumatology e fazem parte do estudo multicêntrico ReumaCoV Brasil, realizado entre maio e dezembro de 2020 em 13 centros universitários distribuídos pelas cinco regiões do país.

Siga o canal do Correio no WhatsApp e receba as principais notícias do dia no seu celular

A pesquisa avaliou 601 pacientes com doenças reumáticas autoimunes: 321 que contraíram Covid-19 e 280 que não tiveram a infecção, formando o grupo controle. Entre os participantes estavam pessoas diagnosticadas com Doença Reumática Inflamatória Imunomediada (DRIM), como artrite reumatoide e lúpus eritematoso sistêmico.

Mesmo sem evidências clínicas de agravamento da doença reumática, os pacientes que tiveram Covid-19 apresentaram níveis significativamente mais elevados de fadiga, depressão, ansiedade e estresse. Segundo os pesquisadores, esses sintomas podem mascarar a real atividade da doença, induzindo médicos a um diagnóstico incorreto de reativação inflamatória.

“Os dados do estudo são muito relevantes e mostram que as sequelas da Covid-19 como fadiga, depressão, ansiedade e estresse  podem ser tão intensas que se confundem facilmente com um agravamento da própria doença reumática”, explica a reumatologista Licia Maria Henrique da Mota, uma das autoras do trabalho. “Isso cria um dilema clínico para os médicos e gera sofrimento desnecessário para os pacientes”.

De acordo com Licia Mota, os achados reforçam a necessidade de uma avaliação mais criteriosa e abrangente dos pacientes reumáticos no período pós-COVID-19. O estudo alerta para o risco de tratamentos inadequados quando sintomas emocionais e fadiga pós-viral são interpretados como atividade inflamatória da doença.

“Com esses dados, os médicos passam a estar mais atentos ao fato de que nem toda piora subjetiva é, de fato, uma reativação da doença reumática. Isso exige uma abordagem mais holística, evitando o uso desnecessário de medicamentos quando o foco do cuidado deveria ser a saúde mental ou o manejo da fadiga crônica”, afirma.

Além das implicações clínicas, o estudo traz reflexões importantes para o sistema público de saúde. Segundo Licia, diferenciar corretamente os sintomas emocionais da atividade da doença pode contribuir para a otimização de recursos no Sistema Único de Saúde (SUS).

“Ao evitar o uso desnecessário de medicamentos de alto custo para doenças reumáticas quando o problema é outro, o sistema pode direcionar melhor os recursos para o cuidado em saúde mental e reabilitação”, destaca.

Para os pacientes, a compreensão do que está por trás dos sintomas pode trazer alívio. “Entender que a fadiga extrema, a ansiedade ou a depressão podem ser sequelas da COVID-19, e não necessariamente uma piora da doença reumática, ajuda a reduzir a angústia e direciona para o tratamento correto”, explica a médica.

A reumatologista reforça que o estudo evidencia a complexa interação entre infecções virais, doenças autoimunes e saúde mental. Para ela, é fundamental que o cansaço extremo e os sintomas emocionais sejam abordados de forma aberta durante as consultas médicas.

“É muito importante falar sobre cansaço e sobre o sofrimento emocional. Esses sintomas não podem ser naturalizados nem ignorados. Eles fazem parte do quadro clínico e precisam ser acolhidos”, orienta.

Fonte: correiobraziliense

Participe do nosso grupo no whatsapp clicando nesse link

Participe do nosso canal no telegram clicando nesse link

Assine nossa newsletter
Publicidade - OTZAds
Whats

Utilizamos cookies próprios e de terceiros para o correto funcionamento e visualização do site pelo utilizador, bem como para a recolha de estatísticas sobre a sua utilização.