07 de Março de 2026

Mais de 2,5 mil espécies de plantas ameaçam ecossistema no Ártico


Um estudo internacional identificou que cerca de 2.554 espécies de plantas exóticas já encontrariam condições de viver na região do Ártico. O avanço do aquecimento global e o aumento da presença humana no extremo norte do planeta tornam essa invasão ainda mais provável. A pesquisa foi realizada por cientistas da Universidade Norueguesa de Ciência e Tecnologia (NTNU) e da Universidade de Liverpool.

Segundo a professora Kristine Bakke Westergaard, do Museu da Universidade NTNU, o resultado é preocupante. "Encontramos um total de 2.554 espécies que poderiam se estabelecer no Ártico atual, caso consigam chegar até lá", afirma.

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Os cientistas analisaram cerca de 14 mil espécies de plantas exóticas conhecidas por se espalharem para além de suas áreas de origem. Foram utilizados mais de 51 milhões de registros de ocorrências, reunidos a partir de bases de dados internacionais, como o Global Biodiversity Information Facility (GBIF), além de informações do banco Global Naturalized Alien Flora (GloNAF) e dados climáticos do WorldClim.

O estudo utilizou uma técnica chamada "análise de horizonte", que busca identificar ameaças futuras antes que elas se tornem um problema concreto. A ideia é antecipar quais espécies tem potencial de chegar, se estabelecer e causar impactos negativos na biodiversidade local. 

O primeiro autor do trabalho, Tor Henrik Ulsted, desenvolveu a pesquisa durante o mestrado na NTNU. A dissertação recebeu prêmio por contribuição ao desenvolvimento sustentável. "Nosso objetivo a longo prazo é identificar espécies exóticas antes que elas se tornem invasoras e problemáticas", disse. 

De acordo com os dados, os pesquisadores criaram um mapa das regiões mais vulneráveis dentro do Ártico. Entre os principais pontos estão o Norte da Noruega, Oeste do Alasca, Sudoeste e sudeste da Groenlândia, Norte da Islândia, Fennoscândia e Região de Kanin-Pechora.

O maior número de espécies potenciais foram identificadas no norte da Noruega. Mas até mesmo as áreas isoladas não estão livre das ameaças. Em Svalbard, arquipélago conhecido pelas rígidas regras ambientais, pelo menos 86 espécies já encontrariam clima favorável para se estabelecer, apesar da proibição de introduções intencionais prevista na Lei de Proteção Ambiental local. Em 2024 foi identificada pela primeira vez a Ruibarbo-dos-prados (Thalictrum Flavum).

Historicamente, o Ártico esteve protegido por barreiras naturais como clima extremo, solo congelado, curto período de crescimento das plantas e pouca atividade humana. Isso limitava a sobrevivência de espécies vindas de outras regiões.

O aquecimento acelerado na região, que esquenta mais rápido que a média global, amplia o período de crescimento das plantas e torna o ambiente menos hostil. Ao mesmo tempo, o aumento do turismo, do comércio, da exploração dos recursos naturais e da construção de infraestrutura facilita a chegada de novas espécies.

Além disso, muitas plantas chegam "de carona" com os seres humanos, por exemplo na contaminação de sementes, transporte em veículos, transporte acidental em roupas e equipamentos e fuga de jardins e cultivos. 

Levantamentos mostram que 48% das espécies invasoras no Ártico chegaram por "fuga do confinamento" (como jardins) e 37% por transporte clandestino. Em 43% dos casos, a via de introdução sequer é conhecida. Espécies exóticas podem competir com plantas nativas por espaço, luz e nutrientes, alterando ecossistemas inteiros. O Painel Intergovernamental sobre Biodiversidade (IPBES) considera as espécies invasoras uma das maiores ameaças à diversidade biológica global.

Segundo os pesquisadores, plantas que já vivem em latitudes altas, tanto no hemisfério norte quanto no sul, têm maior chance de se adaptar ao clima ártico. Isso porque suas condições de origem são semelhantes às que agora começam a surgir no extremo norte.

Fonte: correiobraziliense

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