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A técnica utiliza um vírus oncolítico, desenvolvido a partir do mesmo agente da herpes, mas alterado em laboratório para se reproduzir apenas em células cancerígenas. Ele não infecta células saudáveis. Ao entrar no tumor, o vírus destrói as células do câncer e, ao mesmo tempo, libera sinais biológicos que ativam o sistema imunológico, atraindo células de defesa para o interior do cérebro.
O que torna a descoberta especialmente relevante é o comportamento das células de defesa. As chamadas células T não apenas conseguem chegar ao tumor, algo que raramente acontece no glioblastoma, como também permanecem ativas por longos períodos, criando uma resposta contínua contra a doença.
No ensaio clínico de fase 1, com 41 pacientes com glioblastoma recorrente, a terapia demonstrou aumento da sobrevida em comparação com dados históricos. Muitos dos participantes já haviam esgotado outras opções de tratamento. A pesquisa também identificou que, quanto maior a proximidade entre as células de defesa e as células tumorais em processo de morte, maior o tempo de sobrevivência dos pacientes.
Outro achado importante foi a expansão de células imunológicas que já existiam no cérebro após a aplicação do vírus, indicando que a terapia não apenas recruta novas defesas, mas também fortalece as que já estavam presentes no organismo.
O estudo foi liderado pelos médicos E. Antonio Chiocca, responsável pelo desenvolvimento do vírus, e Kai Wucherpfennig, referência em imunologia do câncer. Para os pesquisadores, a descoberta representa uma virada científica ao transformar um tumor antes considerado "invisível" em um alvo direto do sistema imune.
Mais do que um avanço técnico, a pesquisa inaugura um novo modelo de enfrentamento ao câncer cerebral, no qual o próprio corpo passa a ser protagonista do combate à doença, destacam os pesquisadores. Ainda em fase experimental, a terapia já é vista como um marco por romper um ciclo de estagnação de duas décadas no tratamento do glioblastoma e abrir uma nova fronteira na oncologia moderna.
Fonte: correiobraziliense
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