07 de Março de 2026

Consórcio ganha força na compra de motos; mais de 50% optam por modelos 0km


Entre os quase 80 mil membros ativos da plataforma, 13,9% recorreram ao consórcio para adquirir uma motocicleta no período analisado. Desses, 53,3% escolheram motos novas, enquanto 46,7% optaram por seminovas, que seguem competitivas diante dos modelos recém-saídos da concessionária.

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Segundo a especialista do Klubi Ariane Scacalossi, com mais de 15 anos de experiência no setor, a escolha reflete uma combinação entre planejamento financeiro e estratégia de geração de renda. “Muitos membros estão utilizando o consórcio não apenas para realizar o sonho da moto própria, mas como investimento em um meio de trabalho. As parcelas acessíveis e a ausência de juros permitem organizar o orçamento de forma sustentável”, afirma.

Apesar da predominância das motos 0km, o mercado de usadas mantém peso relevante. A possibilidade de adquirir veículos em bom estado, com menor depreciação e custo total reduzido, atrai especialmente quem utiliza a motocicleta como ferramenta profissional. O consórcio, ao diluir o pagamento em parcelas fixas e sem juros, amplia o acesso a marcas consolidadas e modelos de manutenção previsível — fator decisivo para entregadores e motoboys, que dependem da moto para gerar renda diária.

O levantamento aponta que os modelos mais procurados são justamente os mais presentes nas ruas e aplicativos de entrega: Honda CG, Bros, Biz e CB, além das motos street de baixa cilindrada, entre 125cc e 160cc. A escolha está associada a três fatores principais: economia de combustível, manutenção acessível e praticidade no dia a dia.

Dados da Fenabrave indicam que a demanda por motocicletas de até 160cc vem crescendo nos últimos anos, impulsionada sobretudo pelo trabalho em aplicativos de delivery. Em muitos casos, o preço de uma moto nova já ultrapassa R$ 12 mil — valor significativo frente à renda média dos entregadores, que varia entre R$ 2.500 e R$ 3.500 mensais.

O Sudeste concentra a maior parte das compras via consórcio, com destaque para São Paulo, responsável por 26,6% dos membros que adquiriram motocicletas. O dado acompanha a força do mercado regional de entregas. Segundo o SindimotoSP, o estado reúne cerca de 650 mil motoboys, sendo aproximadamente 320 mil apenas na capital.

Na sequência aparecem Minas Gerais (9,9%) e Rio de Janeiro (9,6%), completando o ranking dos três estados com maior volume de aquisições.

O crescimento da procura por motos por meio do consórcio acompanha mudanças estruturais no mercado de trabalho. A expansão da economia de aplicativos, aliada ao encarecimento do transporte individual e ao crédito mais restritivo, tem levado consumidores a buscar alternativas que garantam mobilidade e geração de renda.

Fonte: correiobraziliense

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