Siga o canal do Correio no WhatsApp e receba as principais notícias do dia no seu celular
A condição voltou aos holofotes após John Davidson — diagnosticado com síndrome de Tourette aos 25 anos e cuja história inspirou o filme I Swear — ter gritado termos racistas durante a 79ª cerimônia do British Academy Film Awards (BAFTA).
Pessoas com Tourette xingam o tempo todo? Mito.
A coprolalia (falar palavrões involuntariamente) ocorre apenas em uma minoria dos casos. A maioria apresenta tiques motores (piscar, movimentos faciais) e ou vocais (pigarrear, repetir sons).
As palavras ditas são “pensamentos soltos”? Mito.
Os tiques não são expressão inconsciente ou desejos reprimidos, mas manifestações neurológicas involuntárias ligadas a alterações nos circuitos cerebrais.
A pessoa pode parar se quiser? Mito.
A supressão é limitada e desgastante. Segurar o tique gera forte tensão interna, como uma pressão que precisa ser liberada.
A síndrome é causada por trauma ou criação dos pais? Mito.
A origem é neurobiológica, não relacionada a traumas ou falhas parentais.
A pessoa não pode ter vida normal? Mito.
Com acompanhamento adequado, pessoas com Tourette estudam, trabalham e têm vida social ativa. O maior obstáculo costuma ser o preconceito.
A pessoa sente o tique antes de acontecer? Verdade.
Muitos relatam uma sensação premonitória, como tensão ou coceira, que só melhora após o tique.
Os tiques pioram com estresse? Verdade.
Estresse, ansiedade e cansaço intensificam os sintomas, por isso o manejo emocional é essencial.
A Síndrome de Tourette não tem cura, mas tem tratamento e manejo eficaz, com foco na redução do sofrimento e no impacto funcional dos sintomas. O acompanhamento é individualizado e depende da intensidade dos tiques e do quanto interferem na vida social, acadêmica ou profissional da pessoa.
Sobre o episódio no BAFTA, Anna explica que os termos racistas utilizados estão relacionados à coprolalia, sintoma presente apenas em uma minoria dos casos de Tourette. Quando ocorre, não reflete intenção, opinião ou posicionamento moral da pessoa.
“A síndrome de Tourette não é visível, o que pode levar quem presencia um episódio a interpretar as manifestações como ofensas intencionais. Embora seja compreensível que palavras ofensivas causem impacto. O ponto central é a importância da informação e da empatia, lembrando que nem todo comportamento resulta de uma escolha consciente", explica a especialista.
Segundo a especialista, pessoas com Tourette podem estudar, trabalhar, ocupar espaços públicos e exercer suas profissões plenamente. O maior obstáculo, na maioria das vezes, não é a síndrome em si, mas o preconceito e a desinformação.
*Estagiária sob supervisão de Ronayre Nunes
Utilizamos cookies próprios e de terceiros para o correto funcionamento e visualização do site pelo utilizador, bem como para a recolha de estatísticas sobre a sua utilização.