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"Um novo líder provavelmente será escolhido em breve, mas o que acontecerá a seguir e como isso afetará a legitimidade do governo ainda é incerto”, opina Sean Foley, professor de história islâmica e de Oriente Médio da Middle Tennessee State University. “Guerras podem impactar a percepção do governo de maneiras imprevisíveis. Ele era líder espiritual do Irã e tinha grande influência nas políticas militares e externas."
Para Eduardo Galvão, doutor em relações internacionais e especialista em geopolítica e risco político do Instituto Brasileiro de Mercado de Capitais (Ibmec), caso confirmada, a morte do aiatolá terá um impacto geopolítico profundo. “O líder supremo é o eixo de coesão do sistema iraniano, mas o regime foi estruturado para sobreviver a choques dessa magnitude. A tendência imediata seria demonstrar continuidade institucional, ativando rapidamente os mecanismos de sucessão e reforçando o aparato de segurança para evitar qualquer percepção de fragilidade”, afirma.
No caso de continuidade do regime, um dos nomes que surgem como possível herdeiro é Mojtaba Khamenei, segundo filho mais velho do líder supremo. Nascido em 1969, o clérigo é considerado uma figura política influente, com fortes laços com as guardas paramilitares — ele teria assumido o controle da milícia Basij, crucial para a repressão de dissidências internas e policiamento moral no Irã. O cientista político Michael Horowitz, da Universidade da Pensilvânia, ressalta que a sucessão não é certa. “O Irã deveria ter procedimentos em vigor para garantir uma sucessão estável, mas não está claro como as coisas vão se desenrolar. Há muita incerteza agora, e a estabilidade da região está por um fio.”
Segundo fontes do governo iraniano ouvidas pelo jornal The New York Times, Ali Khamenei expressou favoritismo por três nomes para o cargo de líder supremo. A reportagem cita o chefe do Judiciário, Gholam-Hossein Mohseni-Eje'i; o chefe de gabinete do aiatolá Khamenei, Ali Asghar Hejazi; e Hassan Khomeini, um clérigo moderado da facção política reformista e neto do aiatolá Khomeini.
Exilado nos Estados Unidos, e uma das principais vozes da diáspora iraniana, o filho do último xá do Irã, Reza Pahlavi, 65 anos, disse há duas semanas em Munique, na Alemanha, que estava “pronto para conduzir uma transição política no Irã”. Ontem, ele publicou um comunicado nas redes sociais, comemorando o anúncio da morte de Ali Khamenei. “Com sua morte, a República Islâmica chegou efetivamente ao fim e em breve será relegada ao esquecimento”, escreveu. “Qualquer tentativa dos remanescentes do regime de nomear um sucessor para Khamenei está fadada ao fracasso desde o início. Quem quer que seja colocado em seu lugar não terá legitimidade nem sobreviverá; e, sem dúvida, também será cúmplice dos crimes deste regime”, avisou.
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Fonte: correiobraziliense
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