No Brasil para participar de eventos na Universidade de Brasília (UnB) e na Comissão de Direitos Humanos do Senado, a especialista percorre o mundo para acompanhar e cobrar providências para a defesa dos direitos das mulheres.
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A escalada de conflitos armados em diferentes territórios está no centro das preocupações globais e compromete ainda mais os avanços na defesa de meninas e de mulheres. Especialmente desde 2022, com o início do conflito entre Rússia e Ucrânia, confrontos ganharam repercussão global e alertam para as violações de direitos de grupos civis.
"Desde Gaza, onde a maioria das vítimas eram mulheres e crianças, houve um declínio significativo na proteção", pontua. "Qualquer ataque deve se esforçar para diferenciar entre alvos civis e não civis, e isso está sendo ignorado de forma drástica."
Nesta entrevista ao Correio, Alsalem destaca o papel dos governos no combate à violência contra a mulher e importância de cobrar também as plataformas digitais. Confira os principais trechos abaixo e assista ao vídeo da entrevista:
Falando da perspectiva da ONU, sabemos, no senso comum, que há uma grande discussão e uma grande preocupação, por exemplo, com as mudanças climáticas, com os direitos humanos ou com as guerras que estamos vivenciando agora. Acha possível criar um movimento global em favor das condições das mulheres e meninas?
Qual é o seu papel como relatora especial da ONU?
Como você acha que seria possível mudar a realidade das mulheres?
É absolutamente necessário que as mulheres atuem mais na política. Eu quero dizer que a política é predominantemente um ambiente masculino. Os homens é que determinam as regras na política. É possível mudar a situação das mulheres se as mulheres atuarem. Absolutamente, e acho que, como eu disse, há mais esforços para isso. Temos, por exemplo, a União Interparlamentar, que é a união de parlamentares do mundo todo. Eles têm uma estratégia para aumentar o número de mulheres parlamentares e também para garantir que elas permaneçam no cargo e possam exercer seu trabalho com segurança e dignidade. Eu também escrevi cartas em nome de mulheres na política que foram atacadas e ameaçadas por serem mulheres, mas também por causa de suas opiniões políticas ou por pertencerem a grupos minoritários. Algumas mulheres, por exemplo, se pertencem a uma determinada minoria religiosa ou étnica, ou se são negras, sofrem discriminação histórica, ou, se são lésbicas, isso também pode aumentar a violência. A questão continua sendo a impunidade, como acontece em muitos atos de violência contra mulheres e meninas. Os agressores, sejam eles abusadores sexuais, vítimas de ameaças ou de atos de violência em si, continuam impunes. E isso é algo que precisamos fazer. Mas quero dizer que não apenas na política, precisamos de mulheres em todas as estruturas de governança, inclusive nas plataformas digitais.
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