A polícia britânica afirma ter encontrado a bolsa da psicóloga cearense Vitória Figueiredo Barreto, que está desaparecida desde o dia 3 de março na Inglaterra.
A bolsa foi encontrada próxima a um local onde um barco foi desatracado na madrugada de quarta-feira, 4 de março, em Brightlingsea, cidade costeira de Essex, no Reino Unido.
Com isso, a polícia agora investiga a possibilidade de Vitória ter tomado este barco, embora não tenham sido encontradas ainda imagens de câmera de segurança que confirmem de forma definitiva essa hipótese.
Ainda de acordo com a polícia, o barco foi posteriormente localizado à deriva na água perto de Bradwell-on-Sea, outra vila de Essex, e devolvido a Brightlingsea. A embarcação agora está sendo alvo de buscas policiais.
"A descoberta da bolsa de Vitória perto da Copperas Road [rua na área portuária] na segunda-feira, próximo ao local onde o barco foi desatracado, intensificou claramente nosso foco nessa linha de investigação", informou a Polícia de Essex à BBC News Brasil por e-mail.
"Agora sabemos que a última vez que Vitória foi vista nas câmeras de segurança foi às 0h16 de quarta-feira, 4 de março. Hoje, com a permissão do proprietário do estabelecimento, estamos divulgando uma imagem dessa gravação."
Liliane Silva, amiga e uma das últimas pessoas a ver Vitória antes do desaparecimento, vê com esperança as novas informações da polícia.
"Há uma possibilidade de ela estar viva em algum lugar e não ter sido encontrada ainda", disse Liliane à BBC News Brasil. "Com certeza é bem animador."
Ainda segundo a polícia, entre 0h16 e 0h36, horário em que se sabe que o barco foi desatracado, Vitória não aparece nas imagens das câmeras de segurança e, neste momento, não há imagens claras da pessoa que desatracou o barco.
Após as recentes descobertas, a polícia expandiu sua área de buscas, de Brightlingsea, para o rio Blackwater, a península de Dengie, a costa do rio Crouch e a Ilha de Mersea, no Reino Unido.
"Infelizmente, ainda não localizamos a mulher de 30 anos e nossas buscas continuarão amanhã, quinta-feira, 12 de março", acrescentou a polícia.
A superintendente detetive Anna Granger, responsável pelas buscas, pede a qualquer pessoa que tenha imagens de câmeras de segurança da área da marina em Brightlingsea que as verifique e informe à polícia.
Também pede que os proprietários de barcos ancorados em Brightlingsea verifiquem suas embarcações.
"Há algo lá que não deveria estar? Há algo que os leve a acreditar que alguém esteve em seu barco? Por favor, entrem em contato", diz Granger.
A orientação é que qualquer pessoa no Reino Unido com informações sobre a brasileira ligue para o número 999.
"Nossa determinação em encontrar Vitória permanece incrivelmente forte. Sabemos da enorme preocupação que seus entes queridos sentem por ela, e é isso que motiva cada um dos policiais envolvidos", diz a detetive.
Professora no doutorado em Psicologia Clínica na Universidade de Essex, Liliane Silva conta que conheceu Vitória ainda em Fortaleza, quando trabalharam juntas no Projeto 4 Varas, de terapia comunitária integrativa, na comunidade de Pirambu.
As duas estavam atualmente desenvolvendo um projeto conjunto, motivo da ida de Vitória ao Reino Unido, após participar de uma conferência no Marrocos, diz Liliane.
Vitória chegou ao Reino Unido em 2 de fevereiro e passou três semanas hospedada na casa de um amigo em Londres, enquanto Liliane estava em viagem ao Brasil.
Com o retorno da amiga, Vitória foi para a casa dela em Southend-on-Sea, em 1º de março, e deveria ficar hospedada ali durante todo o mês.
Liliane conta que, no dia 1º, as duas se divertiram em Londres e voltaram para Southend-on-Sea. No dia 2, ambas passaram o dia todo juntas na universidade, que fica em Colchester, a cerca de 50 minutos de carro ao norte de Southend-on-Sea.
"Enquanto eu trabalhava, ela estava na biblioteca trabalhando no nosso projeto", conta Liliane.
Na terça-feira, 3 de março, dia do desaparecimento de Vitória, a ideia era repetir essa programação.
As amigas se encontraram na universidade na hora do almoço e se separaram quando Liliane foi dar aulas, com planos de se reencontrar após às 16h45, pelo horário local.
Mas Vitória não compareceu ao encontro. No dia seguinte, ainda sem notícias da amiga, Liliane registrou o caso de pessoa desaparecida junto à polícia de Essex.
Liliane conta que, na noite anterior ao desaparecimento, a amiga havia dormido mal.
"Ela não dormiu bem nessa noite. Eu vi os movimentos dela, levantando muito, indo no banheiro, voltando pro quarto. Falei com ela por volta das 4h, e ela disse que estava inquieta e que ia tentar dormir mais um pouco, mas não conseguiu", lembra.
A psicóloga conta que a amiga nunca foi muito esotérica, mas no domingo elas haviam conversado sobre mudanças de ciclo, e Vitória disse que a terça-feira seria um dia-chave, porque haveria um eclipse, então seria um momento de renovação.
"Na terça-feira, ela estava muito quieta, perguntei se algo estava acontecendo e se ela queria conversar, mas ela disse para conversarmos depois, mas isso não era o comum dela", diz Liliane.
"E para a mãe, falando ao telefone um pouco antes de eu chegar para o almoço, ela falou que os quatro Cavalos do Apocalipse estavam chegando, que era o fim, e ela precisava correr e atravessar o portal."
A amiga observa que o fato de Vitória não ser esotérica e ter dito isso sugere que a amiga talvez não estivesse em seu estado normal antes de desaparecer.
A brasileira foi vista pela última vez em Brightlingsea, que fica a cerca de 50 minutos de ônibus a sudeste de Colchester, na direção oposta de Londres e da casa da amiga em Southend-on-Sea.
Imagens de câmeras de segurança capturaram o momento em que Vitória pegou o ônibus de Colchester para Brightlingsea. Ela também conversou com ao menos um homem em Brightlingsea, que está em contato com a família da brasileira.
Após o desaparecimento de Vitória, voluntários espalharam caixas na cidade de Brightlingsea, contendo itens como cobertores, água, carregadores de celular e casacos, na esperança de que ela usasse os objetos.
"É uma coisa linda para alimentar nossa esperança no mundo, sabe? Coisa que eu nunca vi", diz Liliane, sobre o esforço comunitário para tentar encontrar Vitória.
"A comunidade está toda junto da gente desde o primeiro momento que souberam. Nos receberam muito bem em todos os lugares, oferecendo as casas para que pudéssemos ficar, oferecendo alimentos", relata.
"E percebendo que ela pudesse não estar em consciência normal, escreveram cartas, espalharam por toda a cidade, com acolhimento, dizendo que essa é uma cidade muito amigável, que todas as pessoas lá são uma comunidade."
Liliane conta que, nesse momento, há mais de 2 mil voluntários caminhando pelas ruas da cidade, que já visitaram mais de 3 mil casas e continuam as buscas, divulgando que Vitória precisa de ajuda e necessita ser encontrada o quanto antes.
Fonte: correiobraziliense
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