15 de Março de 2026

Em ano eleitoral, é importante planejar investimentos com calma


Uma caneta e um papel na mão e várias contas a fazer. No começo do ano, é normal traçar um caminho para atingir os objetivos durante esse percurso, e no mundo dos investimentos isso é ainda mais real. O óbvio, no entanto, não existe no dicionário do mercado financeiro, ainda mais em um ano como este, onde guerras abalam o cenário internacional e uma eleição promete dividir novamente o país em dois projetos econômicos opostos.

Apesar de serem um bom parâmetro para medir a popularidade de cada pré-candidato, as sondagens nunca são uma fotografia exata das eleições, até mesmo na véspera dos dias de votação. Além disso, no caso do pleito deste ano, os levantamentos mais recentes mostram um cenário indefinido para o segundo turno, com o atual presidente, Luiz Inácio Lula da Silva, e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) liderando a corrida dentro da margem de erro. Na última pesquisa Genial/Quaest, ambos aparecem empatados com 41% cada.

Em uma análise feita desde 2014 até este ano, o economista e diretor de Gestão da VLGI Asset, Matheus Portela, destaca que cada eleição tem sido mais polarizada entre dois extremos ideológicos. "Não que antes não fosse polarizado, mas, talvez, com os polos se afastando mais em termos de percepção de economia", destaca o especialista. 

Durante a pandemia, os bancos centrais do mundo inteiro tiveram que injetar mais dinheiro na economia, além de reduzir os juros com mais ímpeto. Após esse período, houve um repique de inflação nos mesmos países e, consequentemente, uma elevação maior dos juros, como lembra Portela: "A gente tinha juros em patamar recorde até pouco tempo atrás nos Estados Unidos, Europa, países que sempre tiveram taxa de juros muito próximas de zero".

Nas últimas reuniões do Comitê de Política Monetária (Copom), os diretores do Banco Central têm sinalizado que o corte na Taxa Selic está cada vez mais próximo. A expectativa é de que no encontro desta semana haja uma redução de 0,25 pontos percentuais (p.p.).

Por conta disso e da inflação mais controlada momentaneamente, o especialista acredita que um evento como as eleições deve causar efeitos mais a curto ou médio prazo. "Então, na prática, os movimentos são muito agressivos e voláteis no ano de eleição, mas depois fica mais suave, e a gente vê menos mudança porque o arcabouço político-jurídico brasileiro tem sido relativamente estável nos últimos 30 a 40 anos", avalia.

investimento em ano eleitoral
Especialistas recomendam cautela e diversificação para garantir a evolução financeira mesmo em ano mais turbulento (foto: Pacífico)

Para o gestor de portfólio do Banco Sofisa, Rafael Pastorello, a melhor forma de proteger os investimentos em períodos de maior incerteza é manter uma carteira diversificada, com diferentes classes de ativos, prazos e setores. "A diversificação funciona como um amortecedor, reduzindo o impacto de oscilações pontuais e permitindo que o investidor atravesse momentos de maior ruído sem precisar desmontar sua estratégia", destaca o especialista, que também alerta para o controle comportamental. 

"Decisões tomadas pelo calor do momento geralmente vão contra o planejamento de longo prazo. Ter uma estratégia clara, com objetivos bem definidos, horizonte de investimento e perfil de risco coerente, ajuda a evitar movimentos impulsivos e a manter o foco no que é possível controlar: disciplina, diversificação, rebalanceamento periódico e aderência ao plano de longo prazo", destaca Pastorello.

O medo, geralmente, leva muitos investidores a vender na baixa, migrar para posições excessivamente conservadoras ou seguir o chamado "efeito manada", que pode comprometer retornos futuros, segundo Guilherme Gaspar, sócio da Ótmow fintech.

O economista-chefe da Bluemetrix Asset, Renan Silva, também afirma que movimentos extremos podem gerar problemas graves. Segundo ele, é necessário estar atento às oportunidades em período de volatilidade eleitoral, que podem ser mais acessíveis do que se imagina. "A volatilidade eleitoral frequentemente cria oportunidades excelentes para investidores disciplinados. Setores como utilities, que incluem energia elétrica e saneamento, alimentos e bebidas, telecomunicações e saúde historicamente se mostram mais resilientes", ressalta Silva.

No geral, a dica fundamental dos analistas é não ter a cabeça fechada em um único cenário. Momentos de crise ou repiques mais fortes na carteira podem trazer uma falsa sensação de medo ou emoção. O importante é sempre diversificar a carteira de ativos, estar atento a informações verdadeiras e buscar conselhos de especialistas para não cair em uma onda passageira.

Fonte: correiobraziliense

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