O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) segue na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) para tratar uma pneumonia bacteriana bilateral e teve "uma melhora da função renal" nas últimas horas.
Em nota enviada à imprensa neste domingo (15/3), o Hospital DF Star, onde ele está internado, detalha que o ex-presidente "evoluiu com estabilidade clínica".
No entanto, Bolsonaro teve uma "nova elevação de marcadores inflamatórios no sangue", o que exigiu "ampliar a cobertura dos antibióticos".
Além da mudança no tratamento medicamentoso, ele segue fazendo "hidratação endovenosa, fisioterapia motora e medidas de prevenção de trombose venosa".
"Não há previsão de alta da UTI neste momento", completa o texto.
O ex-presidente deu entrada no hospital na sexta-feira (13/3), após exames confirmarem que ele tem uma broncopneumonia.
Condenado a 27 anos de prisão por golpe de Estado, Bolsonaro foi autorizado a ir ao hospital pelo Supremo Tribunal Federal (STF), após se sentir mal em sua cela.
Ainda segundo o DF Star, o ex-presidente foi submetido a exames de imagens e laboratoriais que confirmaram a pneumonia, "de provável origem aspirativa".
A broncoaspiração ocorre quando algum conteúdo do estômago, saliva ou alimentos entra nas vias respiratórias e chega aos pulmões, podendo provocar inflamação e, em alguns casos, evoluir para pneumonia.
Antes de ser levado ao hospital, Bolsonaro chegou a ser examinado no próprio 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal, conhecido como Papudinha, onde cumpre pena, segundo a decisão do STF que autorizou a saída do ex-presidente.
"Bolsonaro apresentou quadro súbito de mal-estar em sua cela e, após avaliação clínica inicial realizada no próprio local, foi constatada a necessidade de remoção hospitalar", escreveu o ministro Alexandre de Moraes na decisão.
Moraes autorizou que Bolsonaro seja acompanhado no hospital pela esposa Michelle, podendo receber visitas dos filhos Flávio, Carlos, Jair Renan e Laura, e da enteada Letícia.
O ministro também estabeleceu que Bolsonaro seja acompanhado por segurança e fiscalização 24 horas durante a internação, com a presença de, no mínimo, dois policiais militares na porta do quarto de hospital.
E vedou a presença na UTI e no quarto hospitalar de qualquer celular, computador ou dispositivos eletrônicos não relacionados ao cuidado médico.
Outras visitas a Bolsonaro no hospital só poderão ocorrer com expressa autorização judicial, explicitou Moraes na decisão.
Na quinta-feira (12/3), o ministro do STF havia proibido a visita de Darren Beattie, conselheiro do governo dos Estados Unidos, a Bolsonaro na Papudinha.
Dois dias antes, ele havia autorizado o encontro, mas mudou de posicionamento, após avaliação do Itamaraty de que a reunião poderia representar ingerência estrangeira em assuntos internos do país em ano eleitoral.
Bolsonaro esteve no DF Star em 7 de janeiro, quando realizou exames após ter caído na prisão e batido a cabeça na madrugada.
Pouco antes, ele havia passado por uma cirurgia para corrigir hérnias na região da virilha e outros procedimentos para conter o quadro de soluços durante o Natal.
O ex-presidente sofre com as sequelas da facada que levou no abdômen durante a campanha eleitoral de 2018. Desde então, ele passou por diversas cirurgias.
A defesa do ex-presidente chegou a encaminhar ao STF um pedido de prisão domiciliar de caráter humanitário, alegando que o estado de saúde de Bolsonaro poderia ser agravado pelo cumprimento da pena em regime fechado.
O pedido foi negado pelo ministro Alexandre de Moraes e Bolsonaro retornou à sede da PF no dia 1º de janeiro.
A decisão foi criticada pela família Bolsonaro, que tem feito campanha para que o ex-presidente cumpra a pena em regime domiciliar.
Em uma carta compartilhada nas redes sociais ainda em janeiro, Carlos Bolsonaro disse que as medidas de Moraes "violam garantias constitucionais básicas" e que a manutenção do pai na Polícia Federal expõe Jair Bolsonaro a "riscos".
Em março, Moraes voltou a negar o pedido de prisão domiciliar a Bolsonaro.
Na decisão, ele argumentou que as instalações da Papudinha oferecem atendimento médico adequado.
Além disso, o ministro afirmou que a tentativa de violação da tornozeleira eletrônica, ocorrida no ano passado, também impede o deferimento do pedido.
Após a nova internação nesta sexta-feira, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), filho do ex-presidente e pré-candidato à Presidência, criticou as negativas da prisão domiciliar e afirmou que estão brincando com a vida do pai dele.
"Mais uma vez, reforço aqui, que estão brincando com a vida do meu pai. Não dá mais pra ficar com essa postura de achar que isso aqui é algum tipo de frescura, ou ficar com essa paranoia de que ele pode fugir, cumpra-se a lei. O mínimo que ele deveria ter é essa domiciliar humanitária em casa, onde ele pode ter cuidado permanente da família", disse Flávio.
Após a internação, o advogado de Bolsonaro, Paulo Cunha Bueno, publicou uma nota na rede social X cobrando novamente a transferência do ex-presidente para o regime de prisão domiciliar.
A defesa argumenta que o sistema prisional não tem condições de oferecer os cuidados médicos necessários e afirma que o risco de agravamento da saúde já havia sido alertado em laudos anteriores.
Cunha Bueno destacou ainda a concessão de prisão domiciliar ao ex-presidente Fernando Collor, também acometido por problemas de saúde.
A pneumonia é uma doença provocada por micro-organismos (vírus, bactéria ou fungo) ou pela inalação de produtos tóxicos.
A doença pode ser adquirida pelo ar, saliva, secreções, transfusão de sangue ou, durante o inverno, devido a mudanças bruscas de temperatura, segundo informações da Fiocruz.
No caso de Bolsonaro, a broncopneumonia é causada por bactérias e acomete ambos os pulmões, por isso é chamada de bilateral.
Ainda no caso do ex-presidente, a doença ocorreu por provável aspiração, quando substâncias estranhas (saliva, alimentos, vômito) entram nas vias aéreas e chegam aos pulmões, trazendo bactérias da boca e faringe ou causando inflamação química pelo ácido gástrico.
Esse material estranho causa infecção no tecido pulmonar, resultando em pneumonia aspirativa
Os sintomas mais comuns de pneumonia, segundo a Fiocruz, são:
O diagnóstico é feito por exame clínico e raio-x do tórax. Exames complementares também podem ser necessários para identificar o agente causador da doença.
O tratamento depende do micro-organismo causador da doença. Nas pneumonias bacterianas, são usados antibióticos, como é o caso do ex-presidente.
Fonte: correiobraziliense
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