Erro na linha: #74 :: Undefined array key "p"
/home2/janefu16/public_html/sites/socialmarilia.com.br/index.php

Fertilidade começa no prato, mostra estudo holandês - Social Marília
23 de Abril de 2026

Fertilidade começa no prato, mostra estudo holandês


Cada vez mais incorporados no dia a dia, os alimentos ultraprocessados podem estar interferindo na fertilidade de homens e no desenvolvimento embrionário, segundo um estudo publicado na revista Human Reproduction, da Sociedade Europeia de Reprodução Humana e Embriologia. Segundo os autores, do Centro Médico da Universidade Erasmus, em Roterdã, na Holanda, essa é a primeira pesquisa a investigar o impacto combinado do consumo desse tipo de produto alimentício por mães e pais na concepção.

O estudo acompanhou 831 mulheres e 651 homens desde o período pré-concepcional até o início da gravidez. Os resultados mostram associação entre a ingestão maior de ultraprocessados pelos participantes do sexo masculino à redução da fertilidade. Nas mulheres, o padrão alimentar relacionou-se com alterações no crescimento embrionário inicial. 

Embora a pesquisa seja observacional — não aponta uma conexão de causa e efeito —, os autores acreditam que reduzir o consumo de itens industrializados ricos em gordura trans, açúcar, sal e aditivos, como embutidos, sorvetes, refrigerantes, comida pronta, biscoitos e salgadinhos, é uma opção melhor tanto para os casais quanto para o embrião. Eles observam que, em países de alta renda, os ultraprocessados já respondem por 60% da alimentação diária. No Brasil, esses produtos compõem 23% da dieta, segundo um estudo da Universidade de São Paulo (USP). 

"Nossos resultados sugerem que uma dieta com baixo teor de ultraprocessados seria a melhor opção para ambos os parceiros, não apenas para a saúde deles, mas também para as chances de gravidez e para a saúde do bebê", disse, em nota, Romy Gaillard, pediatra que liderou o estudo. Os dados usados na pesquisa são do programa Generation Study Next, que acompanham os pais desde antes da concepção até a infância dos filhos. Os casais foram incluídos durante o período pré-concepcional ou durante a gravidez, entre 2017 e 2021.

Média

Os pesquisadores avaliaram a dieta dos pais por meio de um questionário no início da gravidez, por volta da 12ª semana. Os alimentos foram classificados como não ultraprocessados ou ultraprocessados, e a ingestão dos produtos foi calculada de acordo com o total de gramas ingeridos por dia. O consumo médio desses itens foi de 22% e 25%, da alimentação das mulheres e dos homens, respectivamente. 

O questionário forneceu ainda informações sobre o tempo necessário para engravidar, a fecundidade (a probabilidade de conceber em um mês) e a subfertilidade (tempo para engravidar de 12 meses ou mais, ou o uso de tecnologia de reprodução assistida). O estudo também contém dados do tamanho do embrião e do volume do saco vitelino, medidos por ultrassom transvaginal às sete, nove e 11 semanas de gestação.

Os resultados mostraram que, embora o consumo elevado de ultraprocessados por mulheres não tenha impactado na fertilidade, houve uma relação com o crescimento menor do embrião e do saco vitelino na sétima semana de gestação. "Nos homens, observamos que um maior consumo de alimentos ultraprocessados estava relacionado a um maior risco de subfertilidade e a um maior tempo até a obtenção da gravidez, mas não com o desenvolvimento embrionário inicial", disse Gaillard.  "A conexão pode ser explicada pela sensibilidade dos espermatozoides à composição da dieta, enquanto o consumo materno de alimentos ultraprocessados pode influenciar diretamente o ambiente uterino no qual o embrião se desenvolve desde o início da vida."

A pediatra lembra que outros estudos demonstraram que o crescimento embrionário mais lento no primeiro trimestre está associado a um risco aumentado de desfechos adversos no nascimento, incluindo parto prematuro, baixo peso ao nascer e maior risco de problemas cardíacos e vasculares na infância. Já o desenvolvimento inadequado do saco vitelino pode elevar a probabilidade de aborto espontâneo e nascimento antes de 37 semanas. 

Inflamação

"O raciocínio é simples: o testículo é um tecido muito sensível a estresse oxidativo, inflamação, resistência à insulina e déficits de micronutrientes", esclarece Eduardo Rauen, médico especialista em nutrologia e medicina do exercício do esporte, de São Paulo. "E uma dieta baseada em ultraprocessados costuma caminhar exatamente com esse pacote: mais açúcar e gordura de pior qualidade, menos fibras, menos vitaminas e minerais, mais aditivos e, muitas vezes, mais exposição a compostos vindos de embalagem", diz. 

O impacto do consumo materno de ultraprocessados no desenvolvimento embrionário, explica Rauen, está associado à alta demanda biológica característica do começo da gestação. "O embrião está em intensa divisão celular e depende muito do ambiente metabólico e nutricional materno", lembra. O médico aponta quatro mecanismos principais implicados na relação encontrada no estudo holandês: deficiências nutricionais; pior ambiente metabólico, com aumento de inflamação sistêmica, o que pode atrapalhar a sinalização hormonal no início da gestação; exposição a compostos tanto do ultraprocessado quanto da embalagem, como ftalatos e bisfenol, e o efeito de aditivos. "O problema não é um ingrediente isolado, mas o combo repetido, dia após dia."

Segundo o nutrólogo Sandro Ferraz, CEO do Instituto Evollution, em São Paulo, não existem níveis seguros de consumo de ultraprocessados. "Cuidar da alimentação é, hoje, uma das estratégias mais poderosas e acessíveis para quem deseja formar uma família. A fertilidade não começa no consultório, começa no prato", diz. "Cada escolha alimentar feita antes da concepção pode influenciar não apenas a chance de engravidar, mas também a qualidade do desenvolvimento do futuro bebê." Ele recomenda que casais que desejam conceber devem reduzir ao máximo a ingestão desses produtos e priorizar alimentos naturais ricos em nutrientes, como com frutas e vegetais, proteínas de qualidade e gorduras boas.

 

Roberto Antunes, presidente da Associação Brasileira de Reprodução Assistida (SBRA)

Até o segundo ano de vida, existe um período crítico nos processos biológicos definindo as bases do crescimento e da saúde. Atualmente, o período pré-concepcional e início da gravidez também são considerados como potenciais momentos críticos, onde as influências ambientais adversas podem se refletir no projeto de fertilidade de indivíduos, assim como na prole. O estudo holandês mostrou que o maior consumo de ultraprocessados pelos pais foi associado à fertilidade reduzida. Esse tema está no radar dos especialistas, visto que, recentemente, a revista The Lancet publicou uma série de artigos enfatizando que os ultraprocessados são uma ameaça global, e que deve haver políticas públicas para limitar seu consumo.

Maria do Carmo Borges de Souza, diretora médica da Fertipraxis (RJ), membro da Associação Brasileira de Reprodução Assistida (SBRA) e da Rede Latino-Americana de Reprodução Assistida (REDLARA)

 

 

 

Fonte: correiobraziliense

Participe do nosso grupo no whatsapp clicando nesse link

Participe do nosso canal no telegram clicando nesse link

Assine nossa newsletter
Publicidade - OTZAds
Whats

Utilizamos cookies próprios e de terceiros para o correto funcionamento e visualização do site pelo utilizador, bem como para a recolha de estatísticas sobre a sua utilização.