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Brasileira processa MrBeast, maior youtuber do mundo, por assédio - Social Marília
23 de Abril de 2026

Brasileira processa MrBeast, maior youtuber do mundo, por assédio


As acusações vieram a público nesta quarta-feira (22/4), quando Lorrayne publicou um relato detalhado em suas redes sociais. No texto, ela descreve um ambiente de trabalho hostil e desigual, especialmente para mulheres em cargos de liderança.

“Eu era uma das poucas mulheres no alto escalão executivo e, muitas vezes, a única mulher na sala. Quando eu dava uma ideia, era chamada de burra, apenas para ver um homem repetir a mesma sugestão e ser aplaudido”, afirmou. Segundo ela, episódios de desrespeito público eram frequentes, incluindo ordens para que ficasse em silêncio diante da equipe que ela liderava.

A brasileira também relata ter sido submetida a situações de forte constrangimento em reuniões privadas com o CEO da empresa, James Warren. De acordo com o depoimento, ela era convocada a comparecer sozinha a encontros na residência do executivo, em ambientes descritos como intimistas, onde teria ouvido comentários sobre sua aparência física. “Eu tive que escutar o quão atraente e bonita eu era”, relatou. 

Ela também relatou que ele afirmou ficar "constrangido perto de mulheres bonitas" e, por isso, precisava "usar o banheiro", dando a entender que ele cometeria uma estimulação sexual devido a presença dela. Veja o relato completo:

 

Ao longo de três anos na empresa, Lorrayne afirma que construiu sua carreira com dedicação e orgulho, até que a gravidez transformou completamente sua experiência profissional. Segundo ela, o que deveria ser um período de acolhimento e proteção se tornou uma fase marcada por insegurança.

Mesmo com a licença-maternidade formalmente aprovada pelo setor de recursos humanos, a brasileira relata que, na prática, não conseguiu se afastar do trabalho. Ela afirma que participou de reuniões enquanto estava em trabalho de parto e que, apenas uma semana após o nascimento da filha, já havia retomado as atividades profissionais, ainda em recuperação física e emocional.

“Eu estava exausta, privada de sono, tentando me recuperar e já estava de volta ao trabalho”, disse. Ela também contou que voltou formalmente ao trabalho apenas 1 mês após o nascimento da filha, quando precisou viajar para acompanhar uma gravação do canal do youtuber. Para isso, teve que deixar a filha em casa. 

Lorrayne conta ainda que foi demitida menos de três semanas após retornar integralmente às funções. A justificativa apresentada pela empresa, segundo ela, foi considerada contraditória: “Disseram que eu tinha um calibre muito alto para a posição e que precisavam de alguém com um calibre menor”.

Além das questões relacionadas à maternidade, Mavromatis descreve a cultura interna da empresa como excludente e marcada por desigualdade de gênero. Lorrayne relata ter sido frequentemente deixada de fora de reuniões compostas apenas por homens e submetida a situações consideradas degradantes.

Para a brasileira, os impactos vão além da esfera profissional. Ela afirma que perdeu momentos importantes dos primeiros meses de vida da filha, período que considera insubstituível.

“Quando olho para trás, percebo que perdi o primeiro sorriso, a primeira risada. Esses momentos não esperam, e isso me machuca de formas que não consigo expressar”, disse.

Ao tornar o caso público, Lorrayne afirma que busca não apenas reparação individual, mas também dar visibilidade a situações enfrentadas por outras mulheres no ambiente corporativo. “Por todas que sentiram medo, que foram levadas a acreditar que precisam escolher entre seus filhos e suas carreiras. Tentaram me silenciar por tempo suficiente, mas chega”, finalizou.

A reportagem do Correio entrou em contato com a empresa mas, até o momento, nem MrBeast nem a MrBeast Industries se manifestaram sobre as acusações. O espaço segue aberto. 

Fonte: correiobraziliense

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