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Menos de 48 horas depois de tentar invadir o jantar de gala para correspondentes da Casa Branca, evento que contava com a participação de Donald Trump e de várias autoridades, o engenheiro mecânico Cole Tomas Allen, 31 anos, compareceu ante o juiz e tornou-se réu. Ele foi acusado formalmente de três crimes: tentativa de assassinar o presidente dos Estados Unidos, disparo de arma de fogo durante crime violento e transporte de arma de fogo e de munição durante comércio interestadual.
Se considerado culpado, a pena prevista é a prisão perpétua. Jeanine Pirro, procuradora do Distrito de Columbia, anunciou que mais acusações serão imputadas a Cole, à medida que as investigações avançarem. "Não se enganem, isto foi uma tentativa de assassinato do presidente dos EUA, e o réu deixou claro qual era a sua intenção: abater o maior número possível de membros de alto escalão do gabinete", declarou.
De acordo com o jornal The New York Times, Cole vestia um macacão azul neon e mostrava-se calmo. Ele respondeu timidamente às perguntas do juiz e foi notificado sobre a possibilidade de enfrentar a prisão perpétua. A promotoria informou que o réu carregava uma espingarda, uma pistola semiautomática e três facas, ao tentar alcançar o Salão de Baile Internacional, no saguão do hotel, no andar inferior, onde ocorria o evento. Nesta segunda-feira (27/4), a porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, atribuiu o ataque de sábado ao "culto da esquerda ao ódio" pelo presidente.
Antes do atentado, Cole enviou um e-mail aos familiares com um manifesto. No texto, ele pedia desculpas por sua decisão. "Não vou permitir mais que um pedófilo, estuprador e traidor suje minhas mãos com seus crimes", escreveu, sem citar Trump pelo nome. O réu esclareceu que seus alvos eram "funcionários da administração", "priorizados do mais alto ao mais baixo escalão".
Ex-procurador federal e presidente da West Coast Trial Lawyers (em Los Angeles), Neama Rahmani afirmou ao Correio que ainda é prematuro avaliar o tipo de pena que será aplicada a Cole. No entanto, admitiu que, caso o réu seja condenado, ele poderá ser sentenciado à prisão perpétua. "Será um caso difícil de ser defendido. O manifesto deixado por Allen é incriminador, e há um punhado de evidências de que ele era o atirador. A única estratégia viável e real para a defesa é alegar que ele não tinha a intenção específica de matar o presidente", observou.
Barbara Mcquade — ex-procuradora federal e professora da Faculdade de Direito da Universidade de Michigan — disse à reportagem que a sentença de Cole depende de vários fatores. "Por ora, é óbvio, há presunção de inocência. No entanto, se for condenado por tentativa de assassinato do presidente, então, sim, uma sentença de prisão perpétua parece provável", admitiu. Quanto à defesa, Barbara não descarta que os advogados busquem alegar insanidade de Cole. "É possível, se o réu atender aos requisitos legais, mas eles são rigorosos."
Eficiência
Para Jason Russell, ex-agente do Serviço Secreto entre 2002 e 2010, durante os governos de George W. Bush e de Barack Obama, o plano de segurança montado para o jantar de gala de sábado funcionou. "O suspeito foi interceptado em um dos perímetros externos. "Embora seja certamente preocupante quando alguém tenta algo assim, o Serviço Secreto estrutura a segurança em várias camadas para garantir que, se um invasor conseguir ultrapassar uma delas, existam outras para impedi-lo de atingir alguém que é protegido pelo organismo", explicou ao Correio.
Russell acrescentou que o Serviço Secreto tenta implementar planos de segurança que levem em consideração o impacto que possam ter sobre outras pessoas. "Hotéis têm hóspedes entrando e saindo; então, neste caso, o perímetro foi posicionado dentro do hotel e um andar acima do salão de baile para limitar o impacto que pudesse ter sobre outros hóspedes e o público em geral", disse o ex-agente.
Durante o governo do democrata Barack Obama, Barry Donadio integrou uma equipe de resposta a emergências na Casa Branca — uma unidade do Serviço Secreto. Ele também disse à reportagem que não vê o incidente no Hilton como uma falha. "O posto de controle fez exatamente o que deveria fazer e deteve o homem armado. Ainda mais impressionante é que ninguém morreu, nem mesmo o réu, o que é sempre um resultado positivo para as forças policiais americanas. O atirador foi detido no posto de controle, não conseguindo entrar no local", declarou.
"O Serviço Secreto certamente analisará sua abordagem para esse tipo de evento e, se houver oportunidades de ajustar os planos, eles serão ajustados. Prevejo que, em alguns casos, o perímetro de segurança será ampliado. Acredito que foi apropriado o presidente apoiar o Serviço Secreto, pois os agentes e policiais uniformizados presentes arriscaram suas vidas para protegê-lo, ao vice-Presidente e a outras pessoas na multidão. O presidente provavelmente entende o quão difícil é proteger alguém 100% do tempo e reconhece o trabalho que os agentes fazem por ele e sua família."
JASON RUSSELL, ex-agente do Serviço Secreto entre 2002 e 2010, durante os governos de George W. Bush e de Barack Obama
"Uma coisa é certa: se o presidente Trump estivesse insatisfeito com o desempenho do Serviço Secreto, acima de tudo, ele certamente expressaria isso publicamente. No entanto, ele está satisfeito e não vê nada de errado na atuação deles. O Serviço Secreto reavalia suas medidas de segurança sempre que um incidente como este ocorre, reunindo-se com todos os seus especialistas para analisar como podem mitigar a situação e fornecer melhor proteção ao presidente. É uma agência que está em constante evolução, atualizando-se semanalmente e reinventando-se para se aprimorar com base em novas tecnologias e novas ameaças."
BARRY DONADIO, ex-agente do Serviço Secreto e ex-integrate de uma equipe de resposta a emergências na Casa Branca durante o governo Obama
Um encontro informal para o chá, na tarde desta segunda-feira, na Casa Branca, marcou a chegada do rei Charles II e da rainha Camilla a Washington para a primeira visita do casal real aos Estados Unidos. O desembarque do casal real britânico foi antecedido pela tensão produzida pelo incidente da noite de sábado em um hotel da capital norte-americana, onde o presidente Donald Trump e a primeira-dama, Melania, protagonizavam um jantar de gala com os jornalistas credenciados para a cobertura da presidência.
A viagem, a primeira do monarca ao país desde que ascendeu ao trono, em 2022, estava prevista para comemorar os 250 anos da independência dos EUA em relação ao Reino Unido. Antes mesmo do atentado ao presidente americano, porém, as tensões entre Washington e Londres em torno da guerra com o Irã abalaram a chamada "relação especial" entre os dois países.
Em repetidas ocasiões, Trump cobrou do primeiro-ministro Keir Starmer maior participação do Reino Unido, aliado preferencial na Europa, no esforço de guerra contra o Irã. Em especial, a Casa Branca reclama a participação da Marinha Real em operações para liberar o tráfego naval pelo Estreito de Ormuz. Até aqui, Starmer e o presidente da França, Emmanuel Macron, têm promovido articulações com outros países para algum tipo de apoio militar — mas a ser colocado em prática depois de um acordo de paz entre Washington e Teerã.
Nesta terça-feira, além de comparecer a um jantar de gala oferecido pelo anfitrião, Charles será o primeiro monarca britânico a falar perante o Congresso norte-americano desde o discurso proferido em 1991 por sua mãe, Elizabeth II. De parte a parte, não se espera que o visitante faça mais do que alguma referência vaga — e, seguramente, sem citar os Estados Unidos ou Trump — à guerra no Oriente Médio. Reciprocamente, Trump deve poupar o monarca de suas críticas ao governo de Londres.
"Ele é meu amigo há muito tempo, então vamos nos divertir muito", disse à Fox News, no domingo, o presidente, que tem 79 anos — dois a mais que o hóspede. Trump visitou o Reino Unido em setembro, pela primeira vez no segundo mandato presidencial. Charles, por sua vez, retorna aos Estados Unidos ainda com os ecos do envolvimento de seu irmão, o ex-príncipe Andrew, no escândalo de pedofilia e exploração sexual de mulheres protagonizado pelo magnata Jeffrey Epstein, amigo de Trump. Como desdobramento, Andrew foi despojado dos títulos de nobreza.
O casal real britânico segue viagem amanhã para Nova York, com visita prevista ao memorial para as vítimas dos atentados terroristas de 11 de setembro de 2001. Em seguida, Charles e Camilla embarcam para as Bermudas, no Caribe.
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