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O líder do governo das Ilhas Canárias disse nesta quarta-feira (06/05) que se opõe ao plano do governo da Espanha de permitir que um navio infectado por hantavírus atraque no arquipélago. O navio MV Hondius, que partiu da Argentina em 1º de abril, teve um surto do vírus a bordo.
O navio de cruzeiro está em Cabo Verde, onde dois tripulantes doentes estão sendo retirados da embarcação. Espera-se que o navio de cruzeiro deixe Cabo Verde após a retirada.
Dois médicos infectologistas da Holanda estão a caminho do navio e permanecerão a bordo após a partida de Cabo Verde. Um outro profissional médico já está a bordo.
Após a retirada, o plano "é seguir para as Ilhas Canárias, Gran Canaria ou Tenerife, o que levará três dias de navegação", disse a operadora holandesa do navio, a Oceanwide Expeditions, na terça-feira (05/05). "As discussões com as autoridades competentes estão em andamento."
No entanto o líder do governo das Ilhas Canárias, Fernando Clavijo, disse que não pretende permitir que o navio chegue ao local.
"Não posso permitir a entrada [do navio]", disse Clavijo. "Esta decisão [de ir para as Ilhas Canárias] não se baseia em quaisquer critérios técnicos e também não nos foram dadas informações suficientes."
Clavijo, que está em Bruxelas, afirmou que deseja se reunir com urgência com o primeiro-ministro da Espanha, Pedro Sánchez, em Madri para discutir o assunto.
Segundo a mais recente atualização da Organização Mundial da Saúde (OMS), oito casos de hantavírus — três confirmados e cinco suspeitos — foram identificados até o momento em pessoas que estavam no navio. Três passageiros morreram — mas só duas mortes foram confirmadas como ligadas ao vírus.
Na Suíça, o governo do país informou que um homem hospitalizado foi diagnosticado com hantavírus após viajar no navio de cruzeiro.
A OMS afirma que o passageiro "respondeu a um e-mail da operadora do navio informando os passageiros sobre o problema de saúde e compareceu a um hospital em Zurique, na Suíça, onde está recebendo tratamento".
O comunicado diz que a OMS está apoiando o rastreamento internacional de contatos para garantir "que aqueles potencialmente expostos sejam monitorados e que qualquer propagação adicional da doença seja limitada".
O hantavírus é uma cepa de vírus transmitida por roedores, que infecta humanos pela inalação de partículas suspensas no ar provenientes de fezes secas desses animais.
Apesar de o vírus geralmente ser transmitido por roedores, a OMS disse que, neste caso, ele pode ter sido espalhado entre "contatos realmente próximos" a bordo da embarcação MV Hondius, antes de enfatizar que esse tipo de transmissão é raro e que o risco para o público é baixo.
"Algumas pessoas no navio eram casais, compartilhavam cabines, portanto é um contato bastante íntimo", disse a autoridade da OMS, Maria Van Kerkhove.
A OMS suspeita que a primeira pessoa a adoecer pode ter contraído o vírus antes de embarcar no navio, acrescentou ela.
Cerca de 149 pessoas de 23 países permanecem a bordo do navio sob "medidas rigorosas de precaução", informou a operadora do cruzeiro, a Oceanwide Expeditions. De acordo com a OMS, a embarcação está ancorada na costa de Cabo Verde desde segunda-feira.
Dois dos passageiros que morreram eram um casal holandês. Está confirmado que a esposa tinha o vírus.
Outro passageiro, um cidadão britânico de 69 anos que foi evacuado para a África do Sul para tratamento médico, também foi confirmado como portador do vírus.
Ainda não foi confirmado se o marido da mulher holandesa ou o outro passageiro falecido — um cidadão alemão que morreu em 2 de maio — tinham hantavírus.
Em comunicado, a família do casal holandês afirmou: "A bela jornada que eles viveram juntos foi abrupta e permanentemente interrompida."
"Ainda somos incapazes de compreender que os perdemos. Desejamos levá-los para casa e homenageá-los em paz e privacidade."
Testes estão sendo realizados em outros passageiros e membros da tripulação que apresentam sintomas.
Essa é a cronologia dos eventos envolvendo o MV Hondius até agora:
O hantavírus é uma cepa de vírus transmitida por roedores. A contaminação de humanos acontece principalmente pela inalação de partículas suspensas no ar provenientes de fezes secas dos animais.
As infecções geralmente ocorrem quando o vírus é transportado pelo ar a partir da urina, fezes ou saliva de um roedor, de acordo com os Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos EUA (CDC).
Embora seja mais raro, ele também pode se espalhar por meio de mordidas ou arranhões de roedores.
O vírus pode causar duas doenças graves. A primeira, Síndrome Pulmonar por Hantavírus (HPS, na sigla em inglês), geralmente começa com fadiga, febre e dores musculares, seguidas de dores de cabeça, tonturas, calafrios e problemas abdominais. Se os sintomas respiratórios se desenvolverem, a taxa de mortalidade é de aproximadamente 38%, de acordo com o CDC.
No Brasil, se apresenta na forma da Síndrome Cardiopulmonar por Hantavírus (SCPH), segundo o Ministério da Saúde.
Ainda de acordo com a pasta, nas Américas a hantavirose se manifesta sob diferentes formas, desde doença febril aguda inespecífica, até quadros pulmonares e cardiovasculares mais severos e característicos, podendo evoluir para a síndrome da angústia respiratória (SARA).
A segunda doença mais comum no mundo causada pelo hantavírus é a Febre Hemorrágica com Síndrome Renal (HFRS, em inglês). Ela é mais grave e afeta principalmente os rins. Os sintomas posteriores podem incluir pressão arterial baixa, hemorragia interna e insuficiência renal aguda.
Estima-se que ocorram 150 mil casos de HFRS (Síndrome Hemorrágica com Renal) em todo o mundo a cada ano, principalmente na Europa e na Ásia, de acordo com um relatório dos Institutos Nacionais de Saúde (NIH). Mais da metade dos casos geralmente ocorre na China.
Os dados mais recentes dos EUA mostram que, entre 1993, quando a vigilância do hantavírus começou, e 2023, houve 890 casos no país.
No entanto, o vírus Seoul, uma das principais cepas de hantavírus transmitidas por ratos-noruegueses (também conhecidos como ratos marrons), é encontrado em todo o mundo, inclusive nos EUA.
No Brasil, entre 1993 e 2024, foram confirmados 2.377 casos de hantavirose, também chamada de Síndrome Cardiopulmonar por Hantavírus (SCPH). Do total de casos, 937 provocaram mortes no período, segundo o Ministério da Saúde.
Ainda de acordo com a pasta, 70% dos pacientes no Brasil foram infectados em zonas rurais.
Não existe tratamento específico para infecções por hantavírus.
O CDC, dos EUA, recomenda cuidados para tratar os sintomas, que podem incluir oxigenoterapia, ventilação mecânica, medicamentos antivirais e até diálise.
Pacientes com sintomas graves podem precisar ser internados em unidades de terapia intensiva. Em casos graves, alguns podem precisar ser intubados.
O CDC recomenda eliminar o contato com roedores em residências ou locais de trabalho para reduzir a exposição ao vírus.
A agência também recomenda vedar os pontos de entrada em porões ou sótãos por onde os roedores possam entrar nas casas.
O uso de equipamentos de proteção individual também é sugerido ao limpar fezes de roedores para evitar a inalação de ar contaminado.
Em fevereiro de 2025, Betsy Arakawa, esposa do ator Gene Hackman, morreu de uma doença respiratória relacionada ao hantavírus.
Investigadores médicos acreditam que Arakawa contraiu HPS — a cepa mais comum nos EUA —, o que levou à sua morte.
Ninhos e alguns roedores mortos foram encontrados em anexos da casa onde ela foi encontrada.
Registros policiais mostraram que Arakawa pesquisou na internet informações sobre sintomas de gripe e covid-19 nos dias que antecederam sua morte.
Fonte: correiobraziliense
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