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Codiretora da BishopAccountability, organização não governamental que coleta denúncias de casos de violência sexual cometida por membros do clero e de acobertamento da cúpula da Igreja Católica, Anne Barrett Doyle esteve em Roma, à época do conclave, para denunciar a inação da Santa Sé. Nesta quinta-feira, ela falou ao Correio, mais uma vez, sobre o pontificado de Leão XIV.
Como a senhora analisa o primeiro ano de Leão XIV à frente da Igreja?
O Papa Leão XIII está desfrutando de um longo período de lua de mel. Ele tem recebido cobertura midiática majoritariamente positiva. Está fazendo jus à sua reputação de conciliador e parece ser bem visto em todo o espectro ideológico da Igreja. Ao contrário de Francisco, Leão XIV evitou tomar posições controversas. Uma exceção notável é sua forte oposição pública ao ataque de Trump ao Irã — a firme condenação da guerra parece ter consolidado sua popularidade entre muitos nos Estados Unidos e na Europa.
E em relação aos casos de pedofilia na Igreja?
Um ano após o início de seu papado, ele parece não ter feito nada para tornar as crianças mais seguras na Igreja Católica ou para acabar com o acobertamento de abusos sexuais por parte de membros da Igreja. Leão XIV pouco falou sobre abusos e fez ainda menos. Em seu único pronunciamento extenso sobre o assunto, divulgado em setembro passado, deu grande importância a falsas acusações e à importância do devido processo legal para os padres acusados. Sua implicação era de que o pêndulo havia oscilado demais em favor dos direitos das vítimas — uma proposição absurda, visto que a lei universal da Igreja sequer exige a remoção permanente de abusadores de crianças. Imaginem o que Leo poderia ter feito e dito no último ano! Ele poderia ter implementado uma lei universal de "tolerância zero", exigindo o afastamento permanente de todos os abusadores de crianças do sacerdócio.
O que mais ele poderia ter feito?
Ele poderia ter cassado os títulos e privilégios dos bispos que permitiram que crianças fossem abusadas sexualmente durante seus mandatos. Poderia ter ordenado que os bispos instituíssem reparações generosas às vítimas. Poderia tê-los orientado a denunciar as alegações às autoridades seculares, independentemente de a legislação local exigir ou não.
O que significa a recusa em tomar esses passos?
Sua recusa em tomar medidas significativas em relação aos abusos sugere que a segurança das crianças na Igreja não é uma das principais preocupações de seu papado. Isso está de acordo com uma mensagem que ele enfatizou algumas vezes, de que a crise dos abusos não é uma prioridade máxima e que a Igreja "não gira em torno dessa questão específica".
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