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Cristal 'impossível' surgiu após primeira explosão nuclear - Social Marília
14 de Maio de 2026

Cristal 'impossível' surgiu após primeira explosão nuclear


Um material cristalino considerado improvável de existir naturalmente na Terra foi identificado por cientistas em fragmentos formados durante o primeiro teste nuclear da história, realizado em 1945, nos Estados Unidos. 

O cristal foi encontrado dentro da trinitita, uma substância vítrea criada após o teste Trinity, conduzido em 16 de julho de 1945 no deserto Jornada del Muerto, no estado do Novo México. O experimento utilizou um dispositivo nuclear de plutônio apelidado de “Gadget” e liberou uma potência equivalente a cerca de 21 quilotons de TNT.

A pesquisa foi liderada pelo geólogo Luca Bindi e publicada na revista científica Proceedings of the National Academy of Sciences. Segundo os pesquisadores, as condições geradas pela explosão permitiram a formação de estruturas sólidas que dificilmente seriam produzidas por processos naturais ou laboratoriais convencionais.

De acordo com os cientistas, a explosão atingiu temperaturas superiores a 1.500 °C e gerou pressões extremas em frações de segundo. Esse ambiente fez com que materiais da torre de testes, fios de cobre, instrumentos de medição, asfalto e areia do deserto fossem vaporizados e depois fundidos em uma massa vítrea.

O resultado foi a trinitita — material já conhecido pelos pesquisadores desde o pós-guerra, mas que continua revelando características inesperadas oito décadas depois.

Dentro da versão avermelhada da trinitita, os pesquisadores identificaram um clatrato inorgânico, um tipo raro de cristal formado por átomos organizados em estruturas semelhantes a gaiolas microscópicas. Essas “gaiolas” conseguem aprisionar outros átomos em seu interior.

O estudo aponta que esse seria o primeiro clatrato confirmado cristalograficamente já encontrado entre os resíduos de uma explosão nuclear.

Em 2021, a mesma equipe já havia detectado na trinitita um quasicristal, estrutura considerada incomum por desafiar padrões tradicionais da cristalografia. Agora, a nova descoberta amplia as evidências de que eventos extremos podem criar materiais até então desconhecidos pela ciência.

Fonte: correiobraziliense

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