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Edição de variante elimina epilepsia hereditária em ratos - Social Marília
14 de Maio de 2026

Edição de variante elimina epilepsia hereditária em ratos


Pela primeira vez no mundo, uma equipe de pesquisa da Universidade de Zurique, na Suíça, tratou com sucesso camundongos portadores de uma forma hereditária de epilepsia. Os cientistas utilizaram edição genética para corrigir o DNA defeituoso diretamente nas células cerebrais dos animais, o que reduziu as convulsões induzidas pela febre e melhorou significativamente as taxas de sobrevivência. Segundo os cientistas, a abordagem abre caminho para futuro tratamento da enfermidade, em vez de apenas controlar seus sintomas.

A epilepsia pode ter muitas causas. Quando é genética, o culpado pode ser uma mutação em um gene chamado SCN1A, que carrega o código para um canal de sódio nas células nervosas e desempenha um papel fundamental na transmissão de sinais elétricos. Esses neurônios normalmente atuam como freios e, quando falham, as redes neurais tornam-se hiperativas, desencadeando crises epilépticas.

Certas mutações no gene SCN1A causam uma forma hereditária de epilepsia conhecida como GEFS  . Pessoas com a variante sofrem de convulsões febris, que geralmente começam na primeira infância.  Usando um modelo de rato com GEFS , os cientistas demonstraram pela primeira vez que a edição genética pode corrigir essa mutação diretamente no cérebro. "O tratamento melhorou a comunicação entre as células nervosas, reduziu significativamente a frequência de convulsões febris e aumentou a sobrevida dos animais", afirma Lucas Kissling, pesquisador de pós-doutorado e coautor principal do estudo.

Primária 

Os pesquisadores adotaram uma nova abordagem. "Em vez de tratar as consequências da mutação, queríamos corrigir o erro diretamente na sequência do gene", explica Kissling. Para isso, a equipe aplicou um método de edição genética chamado edição primária. Essa técnica se baseia na ferramenta CRISPR/Cas e permite que erros genômicos isolados sejam corrigidos com extrema precisão, sem a necessidade de romper completamente o DNA. 

A abordagem é promissora devido à preservação dos mecanismos naturais de regulação gênica do organismo. Em vez de inserir uma cópia extra do gene, como nas terapias gênicas convencionais, ela corrige a sequência defeituosa diretamente na sua origem. "Embora esses resultados ainda sejam pré-clínicos, obtidos em um modelo murino, eles abrem novas perspectivas, apenas para o tratamento da epilepsia, mas, potencialmente, para outras doenças neurológicas causadas por uma única mutação genética", afirma Kissling.

Fonte: correiobraziliense

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