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Em reviravolta, Corte italiana anula extradição de Carla Zambelli e determina sua soltura - Social Marília
03 de Junho de 2026

Em reviravolta, Corte italiana anula extradição de Carla Zambelli e determina sua soltura


A Justiça da Itália anulou nesta sexta-feira (22/5) a extradição ao Brasil da ex-deputada federal Carla Zambelli (PL), presa no país desde julho do ano passado.

A decisão foi tomada pela Suprema Corte de Cassação de Roma, que também determinou a libertação imediata da ex-parlamentar. A notícia foi confirmada à BBC News Brasil pelo advogado Fabio Pagnozzi, que faz parte da defesa de Zambelli.

Segundo Pagnozzi, ela foi solta na noite desta sexta. A reportagem ainda não conseguiu verificar essa informação.

Em março, a Corte de Apelação de Roma determinou a extradição da ex-deputada. Mas a defesa recorreu da decisão e conseguiu revertê-la na Corte de Cassação, a última instância da Justiça italiana.

Com isso, a decisão será enviada ao ministro da Justiça da Itália, Carlo Nordio, que pode dar um parecer favorável ou contrário à extradição.

O pedido de extradição foi apresentado pelo governo brasileiro às autoridades italianas em junho de 2025, quando Zambelli fugiu para a Itália após ser condenada a 10 anos de prisão pelo Supremo Tribunal Federal (STF) por ter supostamente ordenado a invasão do sistema de mandados judiciais do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) com o auxílio do hacker Walter Delgatti.

Zambelli passou a ser considerada foragida e teve o nome incluído na lista de difusão vermelha da Interpol.

Em 29 de julho deste ano, ela foi presa na Itália por meio de uma cooperação policial internacional entre a Polícia Federal, a Interpol e agências italianas.

A ex-deputada nega seu envolvimento no crime e diz ser vítima de perseguição política.

Zambelli também foi condenada no Brasil por sacar uma arma e perseguir um homem em São Paulo na véspera da eleição presidencial de 2022. Também há um pedido de extradição referente a esse processo, ainda pendente de julgamento.

Ela renunciou ao mandato como deputada em 14 de dezembro, após a Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ) votar pela sua cassação.

A decisão da comissão chegou a ser revertida pelo plenário da Câmara, mas após anulação da sessão pelo STF, Zambelli apresentou sua carta de renúncia.

Carla Zambelli foi acusada pela PGR de planejar e coordenar, com o auxílio do hacker Walter Delgatti, uma invasão ao sistema do CNJ no início de 2023.

Segundo a denúncia, o objetivo da deputada era incluir alvarás de soltura falsos e um mandado de prisão forjado contra o ministro Alexandre de Moraes.

Delgatti, que confessou o ataque, foi condenado a oito anos e três meses de prisão. Ele afirma ter feito a invasão a mando da deputada.

Os dois foram condenados pela Primeira Turma do STF em maio.

Moraes, relator do caso, votou por sua prisão e foi acompanhado de forma unânime pelos ministros Flávio Dino, Cristiano Zanin, Cármen Lúcia e Luiz Fux.

No voto que embasou a condenação, Moraes afirmou que Zambelli atuou de forma "premeditada, organizada e consciente", com a intenção de desacreditar as instituições do Estado democrático de Direito.

"Como deputada federal, portanto representante do povo brasileiro e jurada a defender a Constituição, utilizou-se de seu mandato e prerrogativas para, deliberadamente, atentar contra a credibilidade do Poder Judiciário", escreveu o ministro.

A pena, segundo ele, foi agravada pelo "comportamento social desajustado ao meio em que vive a acusada" e pelo "desrespeito às instituições e à democracia".

Zambelli negou envolvimento nos crimes e afirmou que não há provas que a conectem diretamente à invasão.

Ela também acusou Delgatti de ser um "mentiroso patológico" que alterou sua versão dos fatos em pelo menos seis depoimentos.

"A própria Polícia Federal, quando esteve na casa dele, o classificou como mitômano, que mente e inventa histórias", afirmou.

A defesa da parlamentar argumentou que a condenação se baseou exclusivamente nos depoimentos de Delgatti, que seriam contraditórios e imprecisos.

No caso da segunda condenação na Justiça, pelos crimes de porte ilegal de arma de fogo e constrangimento ilegal, foi fixada pena de 5 anos e 3 meses de prisão, em regime inicial semiaberto, além do pagamento de multa.

Zambelli deixou o Brasil após sua prisão ser determinada pelo ministro Alexandre de Moraes.

A ex-deputada argumentava que estaria protegida de ser extraditada por ter cidadania italiana. Seu nome estava na lista de procurados da Interpol, e o Ministério da Justiça também pediu sua extradição.

Fonte: correiobraziliense

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