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Resultados apresentados em congresso oncológico revolucionam o tratamento do câncer - Social Marília
02 de Junho de 2026

Resultados apresentados em congresso oncológico revolucionam o tratamento do câncer


Estudos desvendam o que está por trás das expressões faciais

Gilson Gabriel Viana Veloso, oncologista
Gilson Gabriel Viana Veloso, oncologista (foto: Arquivo pessoal )

 Qual foi o objetivo do estudo OrigAMI-4 e por que ele é importante para pacientes com câncer de cabeça e pescoço?

O estudo teve como objetivo avaliar a eficácia do amivantamabe (um anticorpo monoclonal para o EGFR e MET) em reduzir o tamanho do tumor em pacientes com câncer de cabeça e pescoço e avaliar por quanto tempo esse tratamento funcionaria, assim como o ganho real em sobrevida desses pacientes tratados. O foco aqui foram os pacientes que já haviam sido tratados com imunoterapia e quimioterapia e mesmo assim tiveram progressão de doença (“tumor cresceu”). O estudo é importante porque atualmente quando o câncer não reduz com o tratamento que citei agora há pouco (imunoterapia e quimioterapia), as outras opções disponíveis para tratamento podem não ser tão efetivas como gostaríamos. Então, estes estudos sempre tentam trazer novas estratégias para os nossos pacientes.

Quais pacientes eram elegíveis?

Os pacientes elegíveis eram aqueles que fizeram pelo menos quimioterapia e imunoterapia (combinadas ou não) e que tiveram recidiva de doença (reaparecimento do tumor) ou progressão de doença com o aparecimento de metástases. Na prática, vemos isso com muita frequência no consultório. No Brasil, o tumor de cabeça e pescoço ainda é diagnosticado tardiamente na grande maioria das vezes, com muitos pacientes já com doença avançada/metastática, e isso acaba diminuindo as chances de cura/eficácia dos tratamentos que podem ser oferecidos. Ter essas novas modalidades de tratamento disponíveis nos ajudam a ter um ganho real em sobrevida e, se possível, a possibilidade de cura.

Quais os principais resultados?

Especialmente a taxa de resposta, duração de resposta e a rapidez com que os pacientes observaram as mudanças. O estudo mostrou que o amivantamabe administrado via subcutânea conseguiu reduzir em até 42% o tamanho o câncer. Para uma população que já fez outros tratamentos anteriormente, este número é importante! Outro dado animador foi o de que 15 pacientes (dos 102 que participaram do estudo) tiveram a constatação que o câncer entrou em remissão (i.e., não foi mais identificado nos exames de tomografia). Em até seis semanas após o início do tratamento, foi possível observar o funcionamento do medicamento e avaliar sua eficácia. No câncer de cabeça e pescoço, os pacientes costumam ter muitos sintomas tais como dor, dificuldade em alimentar, respirar adequadamente e manter seu autocuidado. Para todos os profissionais de saúde envolvidos no cuidado destes pacientes o controle destes sintomas é fundamental, mantendo sua qualidade de vida; ver esta melhora numa doença que tem o comportamento mais agressivo, torna-se motivador. E, para aqueles pacientes que tiveram uma redução no tamanho do câncer, a maioria teve esta resposta por um longo período.

O que esses resultados significam para o dia a dia dos pacientes?

Primeira coisa a ser ponderada é que no Brasil, o amivantamabe está aprovado apenas para o tratamento de câncer de pulmão até o momento. Este estudo é o primeiro passo para que a medicação possa ser empregada no tratamento do câncer de cabeça e pescoço no Brasil. Lembrando que o estudo é inicial, foram poucos pacientes incluídos, e os dados finais de sobrevida são importantes. Além disso, o tratamento foi exclusivo para pacientes que tinham câncer de cabeça e pescoço não relacionados ao Papiloma Vírus Humano (HPV). Apenas após aprovação deste tratamento pela Anvisa, esta medicação poderá então ser indicada para os nossos pacientes na prática do consultório, se tornando, assim, um novo padrão de tratamento. (Paloma Oliveto)


 

Fonte: correiobraziliense

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