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O experimento na Holanda que transformou santuário de animais em campo de extermínio - Social Marília
01 de Junho de 2026

O experimento na Holanda que transformou santuário de animais em campo de extermínio


Em fevereiro de 2018, os passageiros que viajavam de trem entre as cidades holandesas de Almere e Amsterdã ficaram horrorizados ao observarem das suas janelas carcaças de animais mortos, espalhados pela reserva natural de Oostvaardersplassen.

Desde os anos 1980, a proposta da reserva era de não intervenção, deixando a natureza seguir seu próprio rumo. Esta filosofia pioneira influenciou projetos de reflorestamento em toda a Europa.

Mas o projeto sofreu uma reviravolta durante o rigoroso inverno de 2017-18 no hemisfério norte.

Um dos mais conhecidos projetos de reintrodução da vida selvagem na Europa, concebido como lar de vacas, cervos e cavalos selvagens, decidiu sacrificar milhares de animais antes que eles morressem de fome.

As imagens da época mostram o que parecia mais um pântano desolado que uma vibrante zona de conservação, com ossos espalhados pelo solo escurecido e sem nenhum sinal de árvores ou arbustos.

"Era uma imagem totalmente diferente... uma pradaria monótona", conta o meu guia pela reserva, o guarda do serviço florestal holandês Hans-Erik Kuypers.

Atualmente, uma assombrosa variedade de aves caminha por entre as poças de águas claras, enquanto grupos de sabugueiros, salgueiros e espinheiros marcam a paisagem.

Uma águia-rabalva corta o céu e esbeltos cavalos selvagens trotam sobre a relva. Grandes touros se alimentam com a exuberante vegetação.

O canto dos pássaros invade o ar e fica difícil acreditar que estamos a apenas 40 minutos de carro do movimentado centro de Amsterdã.

O ocorrido em 2018 gerou uma mudança de gestão no local. Agora, os guardas intervêm ativamente para evitar a fome.

Eles plantam árvores, alimentam os animais quando necessário e mantêm sua população sob controle. Mas alguns ainda defendem que a reserva deveria ser mantida livre da intervenção humana.

"O reflorestamento depende dos seus propósitos, mas também da sua filosofia. Quais são os objetivos humanos que projetamos sobre a natureza?", questiona Kuypers.

Este é um debate fundamental para o próprio reflorestamento, o movimento de restauração da natureza que se estendeu por todo o mundo nas últimas décadas — e que teve em Oostvaardersplassen um dos seus momentos mais críticos.

A reserva de Oostvaardersplassen foi criada em 1968, após a drenagem de um mar interior para a construção de duas novas cidades, Lelystad e Almere, na província holandesa de Flevoland.

O plano inicial era utilizar o terreno restante para a construção de indústrias, mas logo se percebeu que os pântanos do local passaram a atrair uma grande quantidade de gansos.

As aves migratórias começaram a se alimentar nos caniçais da região nos meses de maio e junho, quando trocam suas penas.

Os gansos exerceram o importante papel de engenheiros do ecossistema.

Eles preservavam o pântano para os outros pássaros, mantendo os caniçais abertos e criando pequenas poças de água limpa que recebiam diversas espécies aquáticas, conta o professor aposentado de gestão da natureza Frank Berendse, da Universidade de Wageningen, na Holanda.

A região se transformou em "um paraíso para as aves do pântano", segundo Berendse. Ele foi um dos primeiros defensores da restauração da natureza no local.

O rico ecossistema pantanoso era um campo fértil para a reprodução de muitas espécies de aves, como a garça-pequena, a garça-pequena-europeia e o colhereiro.

"Era uma das regiões de observação de aves mais belas da Holanda e da Europa", recorda Berendse.

Em 1979, o biólogo holandês Frans Vera, ex-aluno de doutorado de Berendse, escreveu um artigo intitulado "Oostvaardersplassen: um experimento ecológico único".

Nele, Vera defendeu que o local havia se transformado em uma das regiões mais importantes para as populações europeias de aves aquáticas e pantanosas.

"Era inacreditável, um rico tesouro", ele conta. "Mas ninguém defendia sua proteção, quando tanta natureza já havia sido perdida na Holanda."

Vera liderou um movimento para que a área fosse declarada reserva natural, o que finalmente ocorreu em 1983.

Com 56 km² (cerca de duas vezes a região central da cidade de São Paulo), a reserva protege pântanos e pastos secos e úmidos, administrados pelo serviço florestal holandês.

No início dos anos 1990, 60 mil gansos-bravos visitaram Oostvaardersplassen, que passou a ser o local de muda mais importante daquelas aves na Europa.

Os responsáveis precisaram enfrentar o desafio de manter o local aberto para os gansos que se alimentavam por ali, antes e depois da estação da muda. Mas a vegetação invadia rapidamente o local e havia a preocupação de que a área acabasse sendo coberta por uma densa floresta, se não houvesse intervenção humana.

Vera trabalhava no serviço florestal nacional e sugeriu introduzir grandes herbívoros para evitar que isso acontecesse. Sua ação serviria para criar uma paisagem paleolítica de pastagens arborizadas.

Ele acreditava que, antes da prática da agricultura humana nos tempos pré-históricos, a Europa não era coberta pela floresta de canópias (a visão dominante da época), mas por "pastagens arborizadas dinâmicas".

Em um estudo, ele defendeu que, antes da intervenção humana, os tarpans e auroques (os ancestrais selvagens dos cavalos e vacas domesticadas) criaram as pastagens, impedindo que as árvores cobrissem o continente.

Vera propôs a introdução de animais análogos aos grandes herbívoros pré-históricos, como o uro, para reproduzir este tipo de pastagem em um cenário diverso.

As ideias de Vera colidiam com a opinião predominante na época, segundo a qual, para isso, seriam necessárias vacas domésticas e criadores que cuidassem delas.

Vera decidiu testar sua teoria e, em 1983, introduziu 32 cabeças do gado bovino alemão Heck, uma raça criada por seleção artificial na década de 1920 por dois irmãos alemães, que tentavam fazer reviver o extinto uro.

Um ano depois, ele trouxe 18 cavalos konik da Polônia e, em 1994, fez soltar em Oostvaardersplassen 44 cervos-vermelhos.

A ideia de Vera era limitar a intervenção humana na paisagem e fazer com que a natureza seguisse seu curso.

"Funcionou", segundo ele, e surgiram "belos caniçais" para os gansos.

"A população de animais de pasto cresceu rapidamente e havia uma enorme quantidade de aves", relembra Vera.

Em outras reservas naturais, as populações de animais eram mantidas sob controle. Para isso, eles eram sacrificados regularmente a tiros.

Mas a filosofia em Oostvaardersplassen era de não intervir de nenhuma forma e só sacrificar os animais se houvesse certeza de que eles não sobreviveriam ao inverno.

Nunca se forneceu alimentação adicional e os animais eram livres para perambular pelas pastagens, sempre dentro dos limites das cercas da reserva.

O objetivo ecológico era permitir que os processos naturais, com a escassez de alimentos e a competição, dessem forma à paisagem, sem controle pela intervenção humana.

O trabalho de restauração de Oostvaardersplassen foi "muito inovador", segundo Frans Schepers, diretor-executivo da organização sem fins lucrativos Rewilding Europe.

Na época, havia "muito poucas inovações no setor de conservação" na Europa, relembra ele.

"Só se falava em espécies, habitats e corrigir lugares, não sobre os processos", explica Schepers. "Oostvaardersplassen foi um grande despertar e o início de um novo movimento."

A revista alemã Der Spiegel chamou a reserva natural holandesa de "Serengeti por trás dos diques".

E, em 2010, Oostvaardersplassen entrou para a rede de conservação Natura 2000 da União Europeia, como um habitat importante para as aves pantaneiras e seu enfoque único de conservação foi elogiado no documentário The New Wilderness (2013).

Mas, paralelamente às homenagens ao projeto de Vera, surgiria uma crise que acabaria testando os limites do seu enfoque sobre a conservação da natureza.

Entre 2005 e 2015, as populações de animais de pasto na reserva dispararam, dizimando a vegetação.

"O cenário original, que era um oásis de sabugueiros, espinheiros, salgueiros, cardos e gramas, passou a ser uma imensa pradaria", conta Berendse.

Ao mesmo tempo, o rápido aumento da população de gansos fez crescer muito a pressão sobre o pântano, prejudicando a biodiversidade e a fauna aviária que ali residia, explica ele.

Diversas espécies de aves raras da região, como a garça-pequena e a garça-branca comum, foram extintas. Uma pesquisa realizada em 2020 por Berendse e outros ecologistas concluiu que até 22 espécies de aves raras haviam desaparecido das partes secas de Oostvaardersplassen entre 1997 e 2016.

O crescimento explosivo dos animais de pasto levou a "uma enorme escassez de alimentos" e muitos animais moribundos precisaram ser sacrificados.

Morreram 1.613 animais herbívoros entre dezembro de 2015 e abril de 2016. Os guardas florestais abateram 90% dos animais.

Este episódio foi seguido por outro "evento de mortalidade em massa" no inverno extremamente frio e úmido de 2018 no hemisfério norte.

A população de herbívoros caiu então em cerca de 3 mil animais, de um total de 5.230 em outubro de 2017. A maioria deles foi abatida para que não morressem de fome.

Berendse conta que, inicialmente, apoiou o trabalho de Vera, mas mudou de opinião ao testemunhar o impacto negativo sobre a fauna aviária da região.

Os animais mortos eram claramente visíveis para os passageiros de trem que passavam pela reserva. As fotos das carcaças viralizaram rapidamente nas redes sociais, provocando enorme indignação pública.

As pessoas começaram a viajar para Oostvaardersplassen lançando fardos de feno para os animais. Os guardas que trabalhavam na reserva natural foram acusados de promover maus-tratos e chegaram a receber ameaças de morte.

"Chegaram a ameaçar minha família", recorda Vera. "Foi absolutamente terrível."

A maior parte das ameaças, segundo ele, veio de caçadores e fazendeiros.

Vera conta que a mortalidade em massa de 2017-18 não foi uma surpresa.

"É parte da natureza", explica ele.

"No ano anterior, o número de mortes foi quase zero. Por isso, pode-se dizer que foi uma espécie de correção natural."

Os eventos de mortalidade em massa por escassez de alimento são comuns na natureza, destaca Vera.

"Isso ocorre naturalmente nas populações selvagens", explica o ecologista dinamarquês Jens-Christian Svenning, professor do Departamento de Biologia da Universidade de Aarhus, na Dinamarca.

"A mortalidade dos gnus no Serengeti pode atingir 60% por inanição e ninguém diz que eles deve ser gerenciados ou sacrificados", explica Svenning.

Um estudo concluiu que a desnutrição foi a principal causa de mortalidade (75% dos casos) entre os gnus migratórios do Serengeti entre 1958 e 1998.

Em Yellowstone, nos Estados Unidos, o estresse e a fome durante os meses de inverno também são uma causa comum da morte de bisões, segundo Svenning.

Mas Berendse e outros especialistas afirmam que não é possível estabelecer comparação direta entre Oostvaardersplassen e os locais selvagens onde animais de pasto perambulam livremente, como as savanas da África oriental, os pampas da América do Sul ou as estepes da Mongólia.

"Nestes casos, estamos falando de milhares de quilômetros quadrados, enquanto Oostvaardersplassen é uma área pequena e rodeada de cercas", explica Berendse.

O isolamento geográfico e a falta de conexão com outros habitats é uma limitação, segundo Schepers.

Para ele, "a reserva se beneficiaria com corredores para a vida selvagem e conectividade com outros ambientes, pois os animais poderiam, então, se movimentar".

"Os cavalos konik, por exemplo, poderiam migrar para outras florestas no inverno, onde há maior disponibilidade de alimentos e abrigo."

E outro problema, segundo Schepers, é a falta de predadores, como os lobos.

Os lobos regressaram da Alemanha para a Holanda em 2019, após 150 anos de ausência. Existem atualmente 13 alcateias no país e 45 filhotes nasceram entre janeiro e outubro de 2025.

Os lobos, na Holanda, costumam se alimentar de javalis, cervos-vermelhos e corças.

Mas um estudo de 2023, realizado por pesquisadores da Universidade de Leiden, na Holanda, revelou que eles também mataram herbívoros usados em projetos de conservação.

Os lobos se estabeleceram em áreas próximas e "parece ser apenas uma questão de tempo para os encontrarmos em Oostvaardersplassen", afirma Schepers. Isso não só reduziria o número de animais de pasto, mas criaria um comportamento totalmente diferente.

"Isso criaria o que chamamos de 'ecologia do medo'", explica ele. "Os animais de pasto se dividiriam em grupos e se movimentariam muito mais. Com isso, a vegetação mudaria, já que eles não ficariam em um só lugar, comendo tudo."

"Haveria também impactos ao equilíbrio energético, de forma que a reprodução diminuiria e, talvez, grande parte da prole serviria de alimento", prossegue Schepers.

Mas não há planos de introduzir lobos em Oostvaardersplassen, segundo Kuypers.

"Se eles chegarem, será por via natural", afirma o especialista.

Em abril de 2018, após os protestos do público, as autoridades da província de Flevoland pediram mudanças de gestão e ordenaram que os animais de pasto fossem alimentados em Oostvaardersplassen.

Atualmente, os animais da reserva são cuidadosamente monitorados e alimentados por seres humanos quando é detectada perda de massa corporal significativa. Nenhum animal morreu de inanição no local desde 2018, segundo Kuypers.

As autoridades de Flevoland também decidiram limitar em 1,5 mil por ano o número de espécimes de grandes herbívoros, para reduzir as mortes no inverno.

Para manter as populações sob controle, todos os anos, os animais são transportados para novas áreas ou sacrificados. Seus restos são vendidos como carne ou destruídos, segundo Kuypers.

Os guardas, agora, também administram a paisagem, alterando a quantidade de água que entra nos diferentes habitats.

Atualmente, eles estão "reinicializando os pântanos", o que inclui o rebaixamento dos níveis de água em parte do pântano para dar mais espaço aos caniçais, incentivando as aves a retornar à região.

Eles plantaram árvores novas, rodeadas de pequenas barreiras para mantê-las fora do alcance dos animais de pasto. E também criaram pequenas poças na área de pastagem, onde se reúnem garças e aves migratórias.

"Não há mais nada dos processos e objetivos ecológicos que sustentavam Oostvaardersplassen", afirma Vera.

"Existe intervenção humana, mas não é uma mudança total de paradigma", segundo Kuypers. "É um cenário moldado por seres humanos, onde criamos espaço para os processos naturais."

Para Svenning, o limite anual do número de herbívoros é "muito antinatural". Uma população fixa "não é como funcionam naturalmente os ecossistemas", explica ele.

Svenning destaca que isso prejudica certas funções positivas dos animais de pasto, como colaborar com a erosão natural e a fragmentação da vegetação.

"Se você monitorar o sistema, pode observar os anos [de mortes em massa] se aproximarem e ser proativo, antes que aquilo aconteça", defende ele.

Do ponto de vista evolutivo, Svenning afirma que também é importante "não eliminar as forças naturais que prejudicam a evolução. Caso contrário, com o passar do tempo, os herbívoros serão degradados, até se tornarem apenas animais domésticos."

Se os cavalos selvagens tivessem evoluído com "muita comida, sem estresse nem predação, eles não teriam patas tão longas. Teriam sido outro tipo de animal, mais lento e atarracado", explica ele.

"Cientificamente, acredito que não permitir que as coisas sigam adiante com a menor interferência possível seja uma oportunidade perdida. Nós aprendemos com os experimentos."

Mas Schepers defende que o pragmatismo também é importante, quando o assunto é reflorestamento.

"Existem limitações, como a paisagem física, a infraestrutura e o clima, mas também há o elemento social", explica ele. "É preciso encontrar uma forma de fazer com que as pessoas aceitem a ideia."

Berendse afirma que, inicialmente, concordava em permitir que a natureza seguisse seu próprio curso na reserva, mas depois mudou de opinião.

Para ele, o trabalho de Vera "gerou enorme consternação e foi desenvolvido às custas do apoio popular à conservação da natureza".

Vera acredita que a ira dos manifestantes se deveu, em parte, ao fato de que os herbívoros de Oostvaardersplassen nunca foram considerados animais selvagens.

Schepers concorda que este é um desafio para projetos de reflorestamento como Oostvaardersplassen.

"Nós crescemos com vacas e cavalos domesticados e muitas pessoas não conseguem mudar de mentalidade e dizer: 'OK, este é um animal selvagem'", explica ele.

Apesar das controvérsias em torno do seu trabalho, a visão de Vera sobre a natureza teve enorme influência e ajudou a dar forma a outras iniciativas de reflorestamento na Europa.

Knepp Estate, na Inglaterra, passou a ser, em 2001, o primeiro grande projeto de reflorestamento em planícies no Reino Unido.

Ali, os animais perambulam em rebanhos naturais, em um cenário de pastagens arborizadas, mantendo o ecossistema com o pastoreio, roçado, desgaste e pisoteamento, espalhando nutrientes com a passagem dos animais.

"Os holandeses tiveram uma ideia inovadora para idealizar um programa como Oostvaardersplassen", afirma Charlie Burrell, um dos proprietários de Knepp Estate. Ele iniciou o projeto ao lado da sua esposa, Isabella Tree.

"A ideia de que podemos simplesmente deixar a natureza sem controle e ver o que acontece é muito interessante e emocionante", segundo ele.

Inspirados pelo trabalho de Vera na Holanda, Burrell e Tree decidiram introduzir "animais de pastoreio e que se alimentam de arbustos para impulsionar novos habitats para o futuro", em 1,4 mil hectares de antigas terras de cultivo.

Mas, diferentemente do ocorrido em Oostvaardersplassen, a população de herbívoros em Knepp foi mantida sob controle desde o princípio.

Na verdade, a premissa de Knepp é demonstrar uma forma de produzir carne mais de acordo com a restauração da natureza. Os animais são abatidos e processados para a obtenção de carne.

A fazenda vende anualmente 75 toneladas de carne orgânica, de animais alimentados no pasto com livre pastoreio.

"Acredito que o ciclo de altos e baixos, sem grandes predadores e sem um cenário africano, é de difícil compreensão para as pessoas", afirma Burrell, em referência à visão de Vera para Oostvaardersplassen.

Knepp adotou um enfoque diferente, mas Burrell afirma que o trabalho de Vera em Oostvaardersplassen foi "de grande valentia e aprendemos muito com ele".

Knepp Estate chegou a realizar uma conferência em 2017, em homenagem ao trabalho de Frans Vera.

Oostvaardersplassen também inspirou outros projetos de reflorestamento na Europa.

Nas Serranías Ibéricas, na Espanha, a Rewilding Europe reintroduziu cavalos selvagens, touros e outros grandes animais de pasto, para ajudar a restaurar os processos naturais.

"Estamos observando mais incêndios florestais na região e um dos motivos é que não há mais pastoreio", explica Frans Schepers. E o aumento da vegetação alimenta o fogo, que queima com mais força.

Por isso, a presença dos animais ajuda a reduzir o risco de incêndios, segundo ele.

O projeto holandês de reflorestamento e a indignação pública gerada por ele deixaram uma marca na visão de conservação de muitas pessoas e continuam causando acalorados debates sobre como gerenciar a natureza.

Para Charlie Burrell, "permitir que grandes populações flutuem com períodos de escassez e abundância foi uma ideia muito radical. Ela inspirou uma verdadeira efervescência de discussões, com opiniões favoráveis e contrárias."

Frans Vera também acredita que o projeto trouxe uma mudança de perspectiva. Ele afirma que "agora, mais pessoas pensam na natureza como um sistema dinâmico, onde os grandes herbívoros são os arquitetos da paisagem", em vez de um cenário estável.

Oostvaardersplassen "certamente plantou uma semente e causou grandes impactos à natureza", segundo ele.

Schepers afirma que Vera foi um pioneiro e um lutador.

"O Oostvaardersplassen trouxe uma verdadeira mudança de paradigma no pensamento", indica ele.

"Não observamos mais a natureza como algo que precise ser curado, mas como uma força incrível por si própria."

Leia aqui a versão original desta reportagem (em inglês).

Fonte: correiobraziliense

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