25 de Junho de 2026

A conexão tem seus limites


Os resultados mostram que mais da metade dos entrevistados utilizava algum tipo de ferramenta digital para se comunicar com outras pessoas. Após ajustes estatísticos para fatores que poderiam influenciar os resultados, os pesquisadores observaram uma associação positiva significativa entre o uso de e-mail e a percepção de saúde mental. Em contrapartida, o uso de redes sociais foi associado a uma pior avaliação do estado psicológico dos participantes.

"Há algo que me preocupa genuinamente e que raramente aparece nessas discussões: a solidão algorítmica. Os idosos que chegam às redes sociais muitas vezes buscam conexão, mas o algoritmo entrega conteúdo, não conexão. Notícias, vídeos, polêmicas. A sensação de estar "vendo o mundo" pode mascarar um isolamento afetivo real que continua lá, intocado. Por isso, quando oriento meus pacientes idosos sobre tecnologia, faço questão de valorizar o que o estudo também sinalizou: as trocas diretas, pessoais e intencionais — como uma mensagem para um amigo, uma videochamada com a família ou a participação em um grupo com propósito — têm um impacto muito diferente do consumo passivo de conteúdo nas redes. A tecnologia que aproxima pessoas é uma aliada da saúde mental. Já aquela que substitui humanos por conteúdo pode ser prejudicial."

Gustavo Omena, psiquiatra e psicogeriatra

 

Fonte: correiobraziliense

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