O Banco Central do Brasil (BC) voltou a elevar a projeção para a inflação oficial no fim de 2026. De acordo com o Relatório de Política Monetária (RPM) do segundo trimestre, publicado nesta quinta-feira (25/6), o BC prevê que o percentual acumulado de 12 meses do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) supere os 5% antes do fim do ano e chegue e 5,2% em dezembro. Isso representa um aumento de 1,3 ponto percentual em relação à última estimativa, há três meses.
Entre os principais fatores que levaram ao aumento da projeção está a surpresa em relação aos resultados do próprio IPCA, que vieram acima do esperado nos últimos meses pelo Banco Central. Além disso, a autoridade monetária ressalta o impacto da elevação do preço do petróleo e outras commodities com o advento da guerra no Oriente Médio, que eclodiu ainda no fim de fevereiro.
Além disso, o BC também revisou as projeções para a atividade econômica no fim do ano. A estimativa para o Produto Interno Bruto (PIB) passou de 1,6% para 2% ante o relatório divulgado no primeiro trimestre. De acordo com a autoridade monetária, a previsão de um avanço maior da economia é reflexo do resultado no PIB nos primeiros três meses de 2026, que cresceu 1,1% e veio acima do esperado pelo banco.
Outro fator contabilizado pelos diretores é a melhora nas projeções para a indústria extrativa e agropecuária, apesar da possibilidade de efeitos adversos no segundo semestre com a chegada do El Niño. O relatório também projeta uma expectativa de maior demanda, com o aumento do poder de compra do consumidor impulsionado por estímulos fiscais, como o aumento da faixa de isenção do Imposto de Renda (IR).
“Pelo lado da demanda, você tem uma revisão grande na parte de consumo das famílias, gasto do governo e, em menor escala, em investimentos. Então, tem aí efeitos dos estímulos de redução do Imposto de Renda, nas várias medidas que já afetam, no fundo, a renda disponível que está viabilizando esse aumento no consumo das famílias”, explicou o diretor de Política Econômica do BC, Paulo Picchetti, durante a coletiva de apresentação do RPM.
Sobre o aumento da expectativa para a inflação, Picchetti destacou que o preço maior dos alimentos foi uma surpresa para o BC. Ele que podem ser ainda mais pressionados a depender do avanço do El Niño. Mesmo assim, as projeções de curto prazo indicam uma variação menor nos preços desses produtos e uma incerteza persistente sobre os preços administrados, que incluem os combustíveis e a energia elétrica.
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