25 de Junho de 2026

Diretor do BC avalia inflação como choque de oferta e deixa em aberto novo corte de juros


Após o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central preferir não sinalizar se deve reduzir novamente a taxa básica de juros na próxima reunião — marcada para os dias 4 e 5 de agosto, o diretor de Política Econômica, Paulo Picchetti, reforçou o tom de cautela do BC adotado na ata do último encontro, que reduziu a Selic para ao patamar de 14,25% ao ano (a.a.).

Na comunicação adotada pelo Banco Central, os diretores ressaltaram que a opção pelo corte na última reunião seria “compatível com a estratégia de convergência da inflação para o redor da meta”. No entanto, com as previsões para a inflação em alta, a expectativa de novas reduções até o fim do ano ficam cada vez mais distantes, na avaliação do mercado financeiro.

“A gente está num ciclo de calibração. O que, traduzindo, quer dizer que a gente vê evidências na transmissão da política monetária que foi mantida por um período bastante prolongado em nível bastante restritivo e que agora acomoda alguma redução cujo tamanho total vai ser determinado à luz de novas informações”, afirmou o diretor do BC.

No Relatório de Política Monetária (RPM) do segundo trimestre, divulgado nesta quinta-feira (25/6), o Banco Central elevou em 1,3 ponto percentual a previsão para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) em 2026. Se na última reunião, a autoridade monetária previa uma inflação de 3,9%, no final do ano, desta vez, a projeção já chega a 5,2% — bem acima do teto da meta, de 4,5%.

“Liberdade” para novos movimentos

Na avaliação do diretor, com o cenário bastante indefinido e as projeções da inflação em alta, o BC não enxerga no momento um “valor positivo” em adiantar uma sinalização explícita neste momento. Para Picchetti, esse movimento poderia tirar “graus de liberdade” na atuação do Copom.

“Então, a última coisa que eu queria falar e, mais uma vez, esclarecendo essa decisão é que, quando a gente viu a projeção (de inflação), a gente olhou e falou: a gente ainda vê espaço para um corte adicional (dos juros) e, no entanto, a gente está vendo essa projeção subir”, salientou.

O diretor, durante a apresentação, reconheceu que a taxa básica de juros está elevada a um tempo considerável e que, pela avaliação do Banco Central que indica que a inflação atual seria causada principalmente por um choque de oferta (com a restrição do fornecimento de petróleo e outros commodities, em razão da guerra no Oriente Médio), o Copom não deve promover novos aumentos mais fortes na Selic para controlar a variação de preços.

Choque mais forte

Picchetti frisou que, embora a desaceleração da atividade econômica seja um dos principais objetivos com o aumento dos juros, esse movimento não poderia ser feito de maneira “desordenada”, o que, segundo ele, aconteceria em um cenário de choque e volatilidade muito grande de preços de ativos.

“Olhando para isso, a gente optou por sinalizar que a caracterização desse choque de oferta que está impactando o valor da atual projeção para o horizonte relevante fica muito clara quando a gente vê que você tem essa redução bem grande a partir do próximo horizonte relevante”, completou o diretor.

Fonte: correiobraziliense

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