Gigliola Blanco Oropeza, 34 anos, não sabe o que fazer. “Estou muito desesperada”, desabafou ao Correio a venezuelana que precisou migrar de Caracas para Lima, em 2018, por conta da situação política da Venezuela e da própria saúde. A 4.300km de casa, ela vive um pesadelo. O prédio onde os pais moravam — Gerardo Blanco e Lourdes Oropeza — veio abaixo durante o duplo terremoto de quarta-feira (24/6). Desde então, os dois estão sob os escombros.
“Não deixem meus pais sozinhos”, implorou Gigliola. Gerardo e Loudes viviam em Grande Catia La Mar, no estado de La Guaira, em um conjunto habitacional entregue pelo governo há menos de duas décadas. “Meu irmão está lá, sozinho, tentando retirá-los dos escombros. Soube que ele conseguiu tirar o cachorrinho de estimação dos meus pais. Por isso, mantenho a fé”, disse.
Gigliola conversou com a mãe pela última vez às 16h de quarta-feira, duas horas antes da tragédia. “Minha mamãe é professora da pré-escola. Ela dá a própria vida para ensinar e ama seus alunos como se fossem seus filhos. Meus pais sempre ajudam a todos os que podem. Hoje, eles necessitam da ajuda das pessoas”, lamentou.
Desde quinta-feira, ela não tem notícias do irmão, que busca a todo custo salvar Gerardo e Lourdes. Há oito anos, a venezuelana decidiu mudar-se para o Peru para preservar a própria vida: desde 2016, ela não conseguia encontrar insulina para o tratamento da diabetes tipo 1.
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