16 de Julho de 2026

A surpreendente estratégia da abelha rainha para lidar com pesticidas


Uma abelha rainha exposta de forma crônica a pesticidas absorve a contaminação e a transfere diretamente para seus ovos. Pesquisadores chamam esse processo, um método de sobrevivência da rainha, de transferência materna.

A descoberta, que documenta pela primeira vez essa estratégia, foi publicada na revista Current Biology em um estudo liderado pela Universidade da Califórnia, Davis.

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“Para se proteger, a abelha rainha transfere esses produtos químicos para seus ovos para se livrar deles”, afirma Sascha Nicklisch, autor sênior do artigo. “Ninguém havia demonstrado isso em abelhas antes.”

O estudo mostra como os pesticidas podem se acumular em uma colônia muito tempo após a exposição, quando as operárias já não conseguem filtrar os contaminantes. As informações são importantes para apicultores, produtores rurais e para o manejo integrado de pragas.

Embora as abelhas operárias sejam a primeira linha de defesa contra toxinas, os cientistas descobriram um limite para essa proteção. O acúmulo de pesticidas nos ovos pode impedir seu desenvolvimento adequado, criando um ponto crítico.

“Pode haver um efeito gradual de acúmulo de substâncias químicas que contribuirá para o colapso tardio da colônia”, explica Nicklisch. Estudos toxicológicos geralmente se concentram nas operárias, mas esta pesquisa analisou toda a colmeia, incluindo a rainha e seus ovários.

Angela Encerrado-Manriquez, autora principal do artigo, afirma que a capacidade de filtragem das operárias pode ser sobrecarregada. “Quando isso acontece, as rainhas têm sua própria defesa. A transferência materna permite que elas direcionem a carga tóxica para seus ovos.”

Os pesquisadores utilizaram “nanocolônias”, recipientes que simulam o funcionamento de uma colmeia. Cada uma continha uma rainha e 60 operárias, que receberam alimento contaminado com o pesticida metil paration.

O produto foi marcado com um rastreador radioativo de baixa intensidade. No primeiro dia, as operárias filtraram 95% do contaminante, mas essa taxa caiu para 86% no décimo dia.

A pesquisa, realizada com o Laboratório Nacional Lawrence Livermore (LLNL) e o Serviço de Pesquisa Agrícola do Departamento de Agricultura dos EUA (USDA-ARS), usou uma tecnologia capaz de medir marcadores radioativos em nível atômico. As concentrações usadas não foram letais e correspondem a níveis encontrados na natureza.

As rainhas podem pôr de 1.500 a 2.000 ovos por dia para sustentar suas colmeias, que polinizam cerca de um terço das culturas alimentares do mundo. Entender como os pesticidas afetam as rainhas e suas crias é fundamental, pois a perda de colônias diminui a segurança alimentar.

Futuras pesquisas devem investigar por quanto tempo as rainhas podem transmitir a contaminação, os efeitos a longo prazo nas colônias e se o processo varia de acordo com o tipo de pesticida.

Uma ferramenta de IA foi usada para auxiliar na produção desta reportagem, sob supervisão editorial humana.

Fonte: correiobraziliense

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