16 de Julho de 2026

Tarifaço: governo Lula envia observadora para audiência pública que ouvirá Flávio


De última hora, a gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) decidiu enviar uma observadora para acompanhar o debate que o USTR (Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos) fará entre esta segunda (6/7) e terça-feira (7) com atores da política internacional e porta-vozes de alguns setores comerciais do Brasil. As audiências tratarão sobre a implementação de uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros, com base na Seção 301 da Lei Americana de Comércio, de 1973. Os representantes serão enviados pela embaixada na capital norte-americana, mas não estarão inscritos para discursar.

O objetivo, segundo o Ministério das Relações Exteriores (MRE), é tomar ciência sobre o conteúdo das audiências. O Itamaraty decidiu não participar do encontro, já que o governo brasileiro já mantém negociações por meio de canais diretos com Washington e com o próprio secretário do USTR, Jamieson Greer, que cuida do assunto na administração do presidente Donald Trump.

Entre os 85 participantes da audiência convocada pelo USTR, estão entidades do setor produtivo brasileiro, como a Confederação Nacional da Indústria (CNI), além de associações que representam segmentos específicos, como café, arroz, açúcar, etanol de milho, ferro-gusa, rochas ornamentais, madeira, máquinas, papel, calçados, mel e propriedade intelectual.

Também participa das sessões o senador e pré-candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que, inclusive, criticou recentemente a ausência do governo brasileiro nas audiências. Ele é tido pela gestão petista como o pivô das novas tarifas impostas pela gestão norte-americana e que entrarão em vigor no próximo dia 15 de julho.

No X, o senador afirmou que Lula não moveria “uma palha” para evitar a taxação sobre os produtos brasileiros. “E a razão é muito simples: ele acredita que isso pode beneficiá-lo nas urnas em outubro, mesmo que isso custe quebrar as empresas brasileiras”, alegou o pré-candidato.

Desde a publicação do documento que sugere a aplicação das novas alíquotas pelo USTR, representantes do Ministério das Relações Exteriores (MRE) e do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic) mantêm reuniões semanais com o representante comercial dos EUA para explicar os pontos defendidos pelo governo brasileiro e tentar reverter a medida via negociação bilateral.

No entanto, ainda não há previsão de um encontro presencial entre as autoridades, ou mesmo de uma definição sobre a aplicação dessas tarifas. O Itamaraty não vê na audiência pública um canal para decisões diretas da administração Trump, mas entende que o canal serve para ouvir entes públicos envolvidos, direta ou indiretamente, na taxação. A enviada do governo brasileiro ficará apenas para coletar informações e repassar aos membros do Planalto, não devendo se posicionar durante as auscultas.

Fonte: correiobraziliense

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