06 de Julho de 2026

A visão dos pombos em voo: o segredo que inspira drones autônomos


Ao contrário da crença popular, os pombos não fixam o olhar durante o voo. Um novo estudo revela que eles realizam movimentos oculares lentos e sutis para obter mais informações sobre o ambiente ao redor. A pesquisa foi liderada por Anthony Lapsansky e Doug Altshuler, professor do departamento de zoologia da Universidade de British Columbia (UBC).

Os pombos-correio foram escolhidos como modelo por representarem muitas aves, com olhos localizados nas laterais da cabeça que proporcionam uma visão quase panorâmica. Eles também são fáceis de manejar, treinar e sempre voltam para casa, o que evita a perda dos equipamentos.

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Para rastrear o voo, Lapsansky, que tem experiência como falcoeiro, adaptou capuzes de falcoaria para fixar uma câmera na cabeça das aves. O sistema completo pesava apenas 27 gramas e incluía um computador em miniatura, uma pequena câmera modificada, uma unidade de medição de movimento e orientação, e pequenas mochilas.

Em cada voo, dois pombos de um bando de 16 eram equipados com as câmeras e mochilas, enquanto outros usavam equipamentos falsos. As aves eram soltas em uma rota conhecida e o pesquisador as seguia de caminhonete para coletar as imagens no ponto de chegada.

A suposição geral era de que as aves mantinham os olhos imóveis para que os movimentos oculares não interferissem na percepção de movimento causada pelo voo. A pesquisa mostrou exatamente o contrário, registrando movimentos oculares muito sutis enquanto os pombos voavam para frente.

Em vez de manterem o olhar fixo, eles compensam o movimento visual com os olhos. Isso possivelmente os ajuda a distinguir detalhes mais finos ou a perceber características do ambiente que podem ser úteis para a navegação.

Outra descoberta foi que os pombos voltam ambos os olhos para dentro ao pousar. Essa ação pode possibilitar a estereopsia, que é a capacidade de avaliar a profundidade comparando a visão de cada olho, uma habilidade antes observada apenas em algumas aves de rapina.

Muitos robôs e drones possuem uma câmera fixa. O movimento visual captado por ela informa ao equipamento sua velocidade, direção e se há risco de colisão. As aves, contudo, usam a visão para tudo isso e ainda movem suas "câmeras" para obter mais informações do ambiente.

Essa pesquisa revela estratégias que aves e humanos têm em comum para extrair informações visuais. Esses métodos podem ser aplicados para tornar robôs voadores autônomos ou drones mais parecidos com animais, aprimorando sua habilidade de navegar em ambientes complexos e aproximando-os do voo verdadeiramente autônomo.

Uma ferramenta de IA foi usada para auxiliar na produção desta reportagem, sob supervisão editorial humana.

Fonte: correiobraziliense

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