O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou o fim do cessar-fogo com o Irã, encerrando o acordo preliminar de paz firmado no fim de junho e intensificando a crise no Oriente Médio. O anúncio, feito nesta quarta-feira (8/7), desencadeou uma nova escalada militar entre os dois países e provocou forte instabilidade nos mercados financeiros internacionais.
A declaração foi feita durante uma coletiva de imprensa em Ancara, na Turquia, ao lado do secretário-geral da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), Mark Rutte, durante a cúpula da aliança militar.
"Eu não quero mais lidar com eles... no que me diz respeito, acabou", afirmou Trump, classificando as negociações com a delegação iraniana como uma "perda de tempo".
A intensificação do conflito elevou a aversão ao risco nos mercados internacionais, diante da preocupação de que um novo aumento nos preços da energia pressione a inflação global e dificulte futuros cortes nas taxas de juros pelo Federal Reserve (Fed).
Antes da abertura oficial das bolsas em Nova York, os contratos futuros apontavam queda. O índice Dow Jones recuava 1,34%, enquanto o S&P 500 caía 1,06% e o Nasdaq 100 registrava baixa de 1,55%.
Na Europa, o índice pan-europeu STOXX 600 recuava cerca de 1,6%. Empresas dos setores de consumo, turismo e tecnologia lideravam as perdas, enquanto as ações de petroleiras avançavam.
O índice DXY, que mede o desempenho da moeda americana frente a uma cesta de divisas internacionais, subiu para 101,17 pontos, o maior nível em aproximadamente uma semana.
Na Ásia, os mercados encerraram o dia com comportamento misto. O índice Nikkei, do Japão, caiu 2,11%, enquanto o Kospi, da Coreia do Sul, registrou forte recuo de 5,35%. Na China continental, o índice de Xangai perdeu 0,49%.
A ruptura do acordo ocorreu após uma nova troca de ataques entre os dois países. Na madrugada de hoje, forças militares dos Estados Unidos realizaram bombardeios contra mais de 80 alvos no sul do Irã.
Segundo o Comando Central dos Estados Unidos, a ofensiva destruiu sistemas de defesa aérea, centros de comando, instalações de mísseis antinavio e mais de 60 embarcações da Guarda Revolucionária Islâmica. Washington informou que os ataques foram uma resposta às ofensivas iranianas contra três navios comerciais que transitavam pelo Estreito de Ormuz, uma das principais rotas do comércio marítimo mundial.
Em resposta, o Ministério das Relações Exteriores do Irã classificou a operação norte-americana como uma grave violação do memorando de paz firmado anteriormente e lançou ataques contra bases militares dos Estados Unidos localizadas no Bahrein e no Kuwait.
*Estagiário sob a supervisão de Andreia Castro
Utilizamos cookies próprios e de terceiros para o correto funcionamento e visualização do site pelo utilizador, bem como para a recolha de estatísticas sobre a sua utilização.