15 de Julho de 2026

Estudo testa transplante de células como tratamento para Parkinson


Marco

“A possibilidade de substituir os neurônios dopaminérgicos perdidos na doença de Parkinson tem sido um objetivo de longa data na área”, disse Malin Parmar, professora de neurociência celular na Universidade de Lund, na Suécia, e líder do estudo. “As descobertas representam um marco importante para as abordagens da medicina regenerativa na doença de Parkinson e apoiam o desenvolvimento clínico contínuo de terapias baseadas em células-tronco.” 

No estudo, oito pacientes da doença neurodegenerativa receberam o produto celular transplantado em duas doses diferentes, seguido por 12 meses de imunossupressão para prevenir a rejeição do enxerto. Sete participantes completaram o acompanhamento e um morreu devido a uma infecção pulmonar não diretamente relacionada ao procedimento. Segundo os autores, o processo cirúrgico foi bem tolerado, sem efeitos colaterais importantes. 

Exames de imagem utilizando um marcador da produção de dopamina mostraram aumento da atividade justamente nas regiões onde as células haviam sido implantadas, especialmente entre os pacientes que receberam a dose mais elevada do enxerto. Para os pesquisadores, isso indica que parte das células transplantadas sobreviveu e começou a funcionar.  

Bruno Burjaili, neurocirurgião
Bruno Burjaili, neurocirurgião (foto: Arquivo pessoal )

O estudo representa um grande avanço em relação à possibilidade de se implantar células-tronco do próprio paciente no cérebro, com segurança. O fato de os cientistas terem demonstrado que essas células-tronco sobreviveram é muito interessante. Elas não só sobreviveram, mas realmente se mostraram funcionais: conseguiram produzir dopamina sem complicações, como hemorragias e formação de tumores. Porém, na prática, ainda não é algo com utilidade clínica imediata — até agora, o objetivo era demonstrar a segurança. Pode ser que, na continuidade desse estudo, descubram-se maneiras de obter uma eficácia clínica maior. A ciência tem vários desafios na evolução desse tipo de pesquisa. O primeiro foi provar que é possível diferenciar uma célula-tronco de um paciente para que ela produza dopamina e implantá-la no cérebro com segurança. O próximo desafio é comprovar essa segurança com um número maior de pacientes e entender se haverá um benefício clínico que justifique a complexidade do procedimento. 

Bruno Brujaili, neurocirugião do Hospital Sírio-Libanês de São Paulo, especialista em doença de Parkinson 

Carlos Uribe, neurologista do Hospital Brasília, da Rede Américas 

O estudo representa uma mudança de paradigma no tratamento do Parkinson?

Quais são os principais desafios científicos antes que uma terapia celular como essa possa ser oferecida na prática clínica?

Para chegar até a prática clínica, ainda há um caminho longo a ser percorrido, mas o primeiro passo foi dado, realmente os resultados são animadores e agora deve ser confirmado em populações maiores, além de ser controlado com placebo. Quando se comparar o tratamento descrito no estudo com um procedimento que não coloque as células produtoras de dopamina no cérebro, ou que implante outro tipo de celular que não produz a substância, aí vai se confirmar se realmente a intervenção que está sendo feita é o que provoca a melhora sintomática desses pacientes. Isso deve levar vários anos ainda, mais de cinco, pelo menos, para a gente conseguir chegar numa resposta. 

 


 

Fonte: correiobraziliense

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