O Ministério da Fazenda manteve em 2,3% a projeção de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro para 2026, segundo a nova edição do Boletim Macrofiscal divulgado pela Secretaria de Política Econômica (SPE) nesta quarta-feira (15/7). Apesar da estabilidade na estimativa de crescimento, o governo revisou para cima a previsão da inflação e alertou para o aumento das incertezas no cenário internacional.
Entre os principais fatores de risco apontados pelo documento estão a retomada das tensões entre Estados Unidos e Irã, a volatilidade dos preços do petróleo e a possibilidade de novas pressões sobre a inflação global. Segundo o relatório, a interrupção do cessar-fogo entre os dois países voltou a elevar as cotações do petróleo, enquanto o fluxo de embarcações pelo Estreito de Ormuz ainda não foi completamente normalizado.
Ao mesmo tempo em que manteve a projeção de crescimento, o governo revisou significativamente a expectativa para a inflação. A estimativa do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) passou de 4,5% para 5,1% em 2026, enquanto a projeção para 2027 foi ajustada de 3,5% para 3,6%.
Segundo a Secretaria de Política Econômica, a principal pressão continua vindo dos alimentos. A inflação da alimentação no domicílio acelerou de 1,3% em abril para 3% em junho, impulsionada principalmente por alimentos in natura, leite e derivados, arroz e feijão. Também contribuíram para a revisão a persistência da inflação de serviços, que passou de 5,7% para 5,9%, e o aumento das passagens aéreas.
A agropecuária, na produção nacional, por sua vez, deve desacelerar de 2% para 0,6% na comparação trimestral, enquanto a indústria tende a reduzir o ritmo de expansão de 1,2% para 0,8%. Em contrapartida, os serviços devem acelerar levemente, passando de 0,5% para 0,7%, sustentados pelo mercado de trabalho e por segmentos menos dependentes do crédito, como informação e comunicação.
O mercado de trabalho continua apresentando baixo nível de desemprego, com taxa de desocupação de 5,5% em maio, já descontados os efeitos sazonais. No entanto, o boletim identifica sinais de acomodação da atividade. O crescimento da população ocupada praticamente estagnou, enquanto o rendimento médio real habitual caiu 0,3% e a massa de renda real recuou 0,2% na comparação entre os trimestres móveis encerrados em maio e fevereiro.
O impulso do crédito permaneceu negativo até maio, acompanhado por aumento da inadimplência entre pessoas físicas e jurídicas e manutenção do elevado comprometimento da renda das famílias. Segundo a Fazenda, medidas recentes de renegociação de dívidas devem ter impacto limitado sobre a atividade econômica no curto prazo devido ao tempo necessário para regulamentação.
*Estagiário sob a supervisão de Andreia Castro
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