A Secretaria de Política Econômica (SPE) do Ministério da Fazenda elevou a projeção da inflação para 2026 e manteve a expectativa de cumprimento da meta fiscal, segundo a nova edição do Boletim Macrofiscal divulgada nesta quarta-feira (15/7). A estimativa para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) passou de 4,5% para 5,1% em 2026. Para 2027, a projeção também foi revisada, de 3,5% para 3,6%.
A previsão para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) subiu de 4,6% para 5,3%, enquanto a estimativa para o Índice Geral de Preços – Disponibilidade Interna (IGP-DI) avançou de 4,9% para 5,6%.
Segundo o boletim, a revisão decorre principalmente de choques de oferta, com destaque para a alta dos alimentos. A inflação da alimentação no domicílio acelerou de 1,3% em abril para 3% em junho, impulsionada principalmente pelos preços de alimentos in natura, leite e derivados, arroz e feijão.
O Ministério da Fazenda também aponta como fatores de pressão a continuidade do repasse de preços do atacado para o consumidor, os efeitos de choques anteriores do petróleo e o avanço da inflação de serviços, que passou de 5,7% para 5,9% no período, influenciada principalmente pelo aumento das passagens aéreas.
Apesar do cenário de maior pressão inflacionária, o governo avalia que alguns fatores podem contribuir para conter a alta dos preços nos próximos meses. Entre eles estão a expectativa de redução da cotação média anual do petróleo, revisada de US$ 91,25 para US$ 79,16 por barril, a manutenção de uma taxa Selic terminal mais elevada, estimada em 14% ao ano, medidas para reduzir o repasse dos combustíveis ao mercado interno, a desaceleração da atividade econômica no segundo semestre e a previsão de bandeira tarifária amarela na conta de energia elétrica em dezembro.
O boletim também destaca que as expectativas do mercado financeiro acompanharam esse movimento. Segundo o relatório Focus, a projeção para o IPCA de 2026 passou de 4,9% para 5,3%, enquanto a estimativa para 2027 avançou de 4% para 4,2%.
Na área fiscal, a receita líquida da União aumentou 4,8% em termos reais entre janeiro e maio de 2026 na comparação com o mesmo período do ano anterior. Entre os tributos com maior crescimento estão o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), com alta de 38,4%; o Imposto de Importação, que avançou 7,9%; a Cofins, com crescimento de 7%; e a arrecadação do Regime Geral de Previdência Social (RGPS), que subiu 6,1%.
Segundo o ministério, o desempenho foi impulsionado pela criação de aproximadamente 700 mil empregos formais entre janeiro e abril, pela reoneração gradual da folha patronal, pela redução de 10% dos benefícios tributários prevista na Lei Complementar nº 224/2025 e pela arrecadação do novo imposto sobre exportação de petróleo, que gerou R$ 1 bilhão apenas em maio.
*Estagiário sob a supervisão de Andreia Castro
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