O Brasil alcançou recordes de produção, exportação e faturamento no setor de carne bovina em 2025. Os dados fazem parte do Beef Report 2026, divulgado nesta quinta-feira (16/7) pela Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec).
Segundo o levantamento, o país exportou 3,5 milhões de toneladas de carne bovina no ano passado e gerouo um faturamento próximo de US$ 18 bilhões. Atualmente, o produto brasileiro é comercializado em 177 destinos, ampliando a diversificação dos mercados compradores.
Além de permanecer como o maior exportador mundial, o Brasil assumiu em 2025 a liderança também na produção global de carne bovina, com um volume de 12,35 milhões de toneladas equivalente carcaça. O desempenho ocorre em um cenário de redução estrutural dos rebanhos em importantes países concorrentes.
De acordo com a Abiec, o avanço da produção tem sido sustentado pelo aumento da produtividade, sem necessidade de expansão das áreas destinadas à pecuária. Nos últimos 30 anos, a produtividade da atividade cresceu 183%, enquanto a área de pastagens foi reduzida em 18%, chegando a aproximadamente 160 milhões de hectares.
Nesse período, cerca de 27,9 milhões de hectares antes utilizados como pastagens foram destinados à agricultura e outras atividades. Atualmente, 64% do território brasileiro permanece coberto por vegetação nativa, enquanto as pastagens ocupam aproximadamente 19% da área do país.
O relatório também destaca a intensificação dos sistemas produtivos como um dos principais fatores para o aumento da eficiência da pecuária nacional. Em 2025, os sistemas de confinamento e de Terminação Intensiva a Pasto (TIP) responderam por 23% dos bovinos abatidos. Ao longo do ano, aproximadamente 19 milhões de animais receberam dietas com elevados níveis de concentrado, refletindo o avanço tecnológico do setor.
Outro indicador apontado pela entidade foi a participação recorde das fêmeas no abate formal, que alcançou 46,8% em 2025. Segundo a Abiec, o resultado está relacionado ao avanço do descarte técnico e aos ganhos de produtividade dos rebanhos.
O impacto econômico da cadeia da carne bovina também cresceu. Segundo o Beef Report, o setor movimentou mais de R$ 1,15 trilhão em 2025, passando a representar cerca de 9% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro.
Na área ambiental, o estudo de descarbonização incorporado ao relatório projeta uma redução de pelo menos 79,9% na intensidade das emissões de gases de efeito estufa por quilo de carne produzida até 2050. Caso sejam alcançadas metas como desmatamento zero, ampliação das tecnologias previstas no Plano ABC+, redução da idade de abate e adoção de aditivos para mitigação das emissões de metano, essa redução poderá chegar a 92,6%.
*Estagiário sob a supervisão de Andreia Castro
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