Durante coletiva de imprensa, Müller classificou a medida como "absurda do ponto de vista comercial" e afirmou que ela não encontra respaldo nem entre empresas brasileiras nem entre companhias norte-americanas. Segundo ele, entidades e empresas dos Estados Unidos têm trabalhado ao lado do setor produtivo brasileiro em busca de isenções tarifárias.
Medida pode "desestruturar os negócios, atrapalhar as empresas americanas e gerar impacto de preço, gerar inflação nos Estados Unidos", declarou.
"Isso é ruim para a empresa do Paraná que trabalha com esse setor. Isso é ruim para quem importa madeira nos Estados Unidos, é ruim para a construção civil e para quem vai arrumar ou comprar uma casa", afirmou.
Outro caso mencionado foi o do granito. Müller destacou que aproximadamente 36% do granito importado pelos Estados Unidos têm origem brasileira. Com a aplicação da tarifa adicional, esse volume passará a ter um custo mais elevado para importadores e consumidores norte-americanos.
"É evidente que nenhuma empresa que trabalha com granito nos Estados Unidos está satisfeita com isso. Quem trabalha com construção vai ter um custo maior e quem compra casa também", disse.
O presidente da agência também citou o mercado de mel orgânico, ressaltando que cerca de 85% do produto importado pelos Estados Unidos é fornecido pelo Brasil. Para ele, a elevada dependência de produtos brasileiros reforça o potencial de impacto sobre preços no mercado dos EUA.
Müller argumentou que a nova tarifa não possui lógica comercial justamente porque atinge cadeias produtivas integradas entre os dois países. "Não há como, de uma hora para outra, o americano buscar esses suprimentos em outro local", afirmou.
Apesar dos impactos, a ApexBrasil informou que continuará atuando junto a empresas e entidades dos Estados Unidos para ampliar o número de produtos isentos das tarifas. Paralelamente, a agência anunciará, nos primeiros dias de agosto, um plano de diversificação de mercados, com investimento de R$ 130 milhões em parceria com 57 entidades setoriais.
Segundo Müller, o processo de diversificação já está em andamento. Ele informou que 72% das 2,4 mil empresas apoiadas pela ApexBrasil que exportam para os Estados Unidos já passaram a atender pelo menos um novo mercado entre junho de 2025 e maio de 2026.
O presidente também destacou que, apesar da redução de US$ 2,6 bilhões nas exportações brasileiras para os Estados Unidos no primeiro semestre, o país registrou avanços em outros destinos. As vendas para a Europa cresceram US$ 3,1 bilhões, para a Índia US$ 2,5 bilhões e para a China US$ 10,5 bilhões no período. "Não gostaríamos de ver esse cenário no horizonte do comércio exterior brasileiro, mas vamos continuar trabalhando pela diversificação e pelo aumento das isenções", concluiu.
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